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ReligiaoCatolica.com – Conte-nos um pouco
sobre sua infância, bem como sobre o início de seu sacerdócio.
D.Paulo – Eu nasci na cidade de São Geraldo,
em Minas Gerais, no dia 12 de junho de 1928. Foi no seio de minha
família, profundamente católica, que comecei a pensar em me tornar
padre. Aos 10 anos já era coroinha na paróquia do Senhor Bom Jesus,
no Brás, em São Paulo. Mas o verdadeiro chamado sacerdotal ocorreu
por influência do Padre Jesuíno Santilli e pela opção do meu irmão,
que havia entrado no seminário.
De 1941 a 1946 freqüentei o seminário da Arquidiocese
de São Paulo, que ficava em Pirapora do Bom Jesus, e quando ia
ingressar na Faculdade de Filosofia, solicitei permissão ao Arcebispo
Cardeal, D. Carlos Carmelo Mota, para integrar a Ordem religiosa
Premonstratense – que era responsável pelo seminário. Fui então
para Jaú (interior do estado de São Paulo) e lá fiz um ano de
noviciado, além de Filosofia eTeologia, concluindo assim meus
estudos.
ReligiaoCatolica.com – Sabemos que o Senhor
passou muitos anos em Roma, aprofundando seus estudos...
D.Paulo - Fui ordenado padre em 20 de
agosto de 1952 e logo em seguida fui enviado à Faculdade Gregoriana
de Roma, onde permaneci por quatro anos. Voltei à sede da Ordem
em Pirapora e comecei a trabalhar como professor e mestre dos
noviços. Em 1966 voltei a Roma onde fiquei durante 13 anos aprofundando-me
em Teologia Bíblica. Nesse período, trabalhei na sede internacional
da Ordem Premonstratense, na Itália.
ReligiaoCatolica.com – E quando voltou
ao Brasil o Senhor foi diretamente para Mogi das Cruzes?
D.Paulo – Não exatamente. Retornando ao
Brasil, lecionei Teologia Bíblica no Seminário de Jacarezinho
e atuei como vigário na comunidade de São Judas Tadeu. Em 1985
fui eleito superior da Ordem e em 7 de dezembro de 1998 fui nomeado
bispo da Diocese de Mogi das Cruzes.
ReligiaoCatolica.com – Para termos uma
idéia da extensão de sua diocese, poderia nos dizer por quantos
municípios e quantas paróquias é composta?
D.Paulo – A diocese de Mogi das Cruzes
abrange dez municípios, quarenta e duas paróquias e cerca de um
milhão e trezentos mil habitantes. Temos uma paróquia só para
japoneses e três padres que cuidam só dos japoneses da região
e que fazem parte da chamada PANIB (Pastoral Nipo-Brasileira).
ReligiaoCatolica.com – Qual o tipo de
trabalho que se destaca em termos de evangelização?
D.Paulo – Em julho desse ano foi lançado
o Sínodo Diocesano, envolvendo todos os católicos e todas as paróquias,
e que só terminará em 2003.
ReligiaoCatolica.com – Explique-nos um
pouquinho como será esse Sínodo.
D.Paulo – O Sínodo vai ser realizado por
etapas. Serão seis etapas durante esses três anos.Como primeiro
passo, escrevi a carta pastoral intitulada “O Espírito fala
às Igrejas”, com base no livro do Apocalipse, na qual estabeleço
os objetivos do Sínodo.
ReligiaoCatolica.com – Quer dizer que
o Sínodo foi uma iniciativa de sua diocese?
D.Paulo – Eu diria que houve sinais do
Espírito Santo para a realização do Sínodo. Por exemplo, pelo
fato de estarmos no novo milênio, o Papa pede uma renovação do
espírito de fé e de santidade. A partir dessa renovação, vamos
nos basear nos Atos dos Apóstolos, ou seja, vamos procurar fazer
com que a nossa diocese seja uma Igreja como a daquele tempo,
de comunhão fraterna, de partilha, de dons, movida pelo Espírito
Santo. Além disso, quando cheguei há dez anos atrás fizemos uma
grande assembléia e um plano pastoral. Hoje queremos renovar este
plano de uma maneira diferente, com muito mais entusiasmo. Queremos
também fazer uma avaliação dessa caminhada, pois já vou fazer
cinqüenta anos de padre e dez anos de bispo. O Sínodo seria uma
renovação de toda a diocese e de toda a Igreja.
ReligiaoCatolica.com – Essa caminhada,
que levará três anos, será feita em seis etapas. Quais são essas
etapas?
D.Paulo – A primeira etapa consiste na
divulgação da importância do Sínodo, e será realizada até novembro
de 2000. Na segunda etapa será realizada uma pesquisa ou levantamento
social e religioso da diocese. De acordo com os resultados, serão
traçadas e planejadas as quatro diretrizes da ação evangelizadora
da Igreja. Essas diretrizes, ou melhor exigências, são as seguintes:
serviço, diálogo, anúncio e testemunho. O estabelecimento
dessas quatro exigências compreende a terceira, quarta e quinta
etapas, com prazo até novembro de 2002. Finalmente, a sexta etapa
consiste na preparação imediata e assembléia do Sínodo, entrega
dos estudos com conclusões, desafios e propostas de cada etapa.
Terminando, será elaborado o documento de planejamento pastoral
da Diocese, a fim de estabelecer as diretrizes a partir de 2003.
ReligiaoCatolica.com – Qual a sua opinião
sobre a evangelização pela Internet?
D.Paulo – Acho que a Igreja deve usar
estes meios de comunicação, isso é muito importante hoje em dia.
Aqui em nossa diocese, sob o ponto de vista da comunicação, temos
um jornal que é publicado uma vez por mês. Não se trata de um
jornalzinho, mas de um jornal de verdade e cuja divulgação queremos
aumentar ainda mais. Temos também nosso site na Internet e estamos
pretendendo fazer uma partilha numa rádio local para atingir toda
a diocese. Considero absolutamente necessário fazer uma divulgação
utilizando todos os meios disponíveis, mas esta é uma área leiga,
na qual a Igreja apenas orienta. Estive lendo que na França foi
feito um levantamento e foram encontrados 60 mil sites falando
de religião, já pensaram? Falando de religião, ou cultura, ou
Evangelho, ou palavra de Deus. O que nós precisamos é ter gente
preparada para isso. Você Sílvia (dirigindo-se a nossa entrevistadora
Sílvia Securato) é uma ótima líder para essas coisas não é?
ReligiaoCatolica.com – O apoio e a bênção dos padres é muito importante
para nós. Não se pode caminhar sozinhos. Muito obrigada D.Paulo.Amém.
D.Paulo – Amém, Deus a abençoe.
Entrevista feita por Sílvia Bruno Securato
email: silvia@religiaocatolica.com.br
Texto elaborado por Stefania Contessa Panico
email: stefania@religiaocatolica.com
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