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Pe.Giorgio Paleari

A dedicação sem limites e sem fronteiras dos missionários ao Evangelho de Cristo

Padre Paleari, missionário do PIME - Pontifício Instituto das Missões Exteriores, nasceu na Itália, foi enviado ao Brasil, trabalhou depois nas Filipinas, Estados Unidos, México, para finalmente voltar de novo ao Brasil. Nesta entrevista com Sílvia Bruno Securato, Pe. Paleari conta  um pouco de sua experiência missionária.

 

ReligiaoCatolica.com O Senhor poderia nos contar um pouco a respeito de sua família, de sua formação religiosa, de como e por quê veio ao Brasil?

Pe.Paleari – Nasci em Milão, em 1950. Minha família era composta por pai, mãe e quatro filhos: três irmãs e eu. De minhas três irmãs, duas entraram para ordens religiosas: uma delas é carmelita e a outra infelizmente já faleceu. Aos 25 anos, após ter concluído os estudos de Teologia e de Filosofia no Seminário de Milão, fui ordenado e logo a seguir fui enviado ao Brasil.

 ReligiaoCatolica.com Como é a experiência de chegar a um país estrangeiro, distante, cuja língua não conhecemos, com a missão de evangelizar e de fazer crescer a Igreja local?

Pe.Paleari – Posso dizer que é um desafio imenso mas que, ao mesmo tempo, se trata de algo muito grande, tão grande que é difícil expressá-lo em palavras. Trata-se de “levar a palavra de Deus até os confins da terra”. Ao chegar, desembarquei no porto de Santos e passei os cinco primeiros anos de minha vida missionária no Mato Grosso do Sul, naquela época era só Mato Grosso. Dediquei-me ao trabalho pastoral e recebi o primeiro impacto no campo missionário direto com a formação de comunidades. Era uma região muito difícil naquela época; para se ter uma idéia, não havia luz, os meios de transporte eram precários, quase não havia comunicação.Lembro-me que recebi um telegrama da Itália dizendo que minha mãe havia falecido. Chovia muito, demorei mais de cinco horas para chegar à cidade de Aquidauana para conseguir telefonar. Não pude ir à Itália, tudo era longe, difícil, complicado.

 ReligiaoCatolica.com Sua vinda a São Paulo e o aprofundamento nos estudos fortaleceu sua crença na importância de missionários estrangeiros em nosso país?

Pe.Paleari - Em 1980-1981 vim para São Paulo e ingressei no curso de mestrado em Ciências da Religião, na PUC. Naquela época o coordenador do curso era o Pe.Emílio Balles. Escolhi e defendi tese na área de religiões populares. Foi um grande desafio pois tive que fazer extensas pesquisas e tive que entrar dentro da mentalidade da religião popular. Depois disso, minha animação missionária foi crescendo, quer em relação ao PIME, quer em relação à Igreja do Brasil. Continuei os estudos e, em 1992, concluí o Doutorado.

ReligiaoCatolica.comComo o Senhor encarou o chamado para partilhar sua experiência missionária junto a outros povos, especialmente os da Ásia?

Pe.Paleari – Em 1992 fui convidado a desenvolver um novo trabalho na Ásia. Foi difícil para mim porque não queria deixar o Brasil. Fiquei três anos nas Filipinas, visitei vários países, depois fui aos Estados Unidos onde trabalhei durante cinco anos. Passei também um ano no México. Depois disso pediram-me para voltar ao Brasil. Em dezembro de 1999 fui eleito Secretário Executivo do Conselho Missionário Nacional.

 ReligiaoCatolica.comO que o Senhor diria a respeito das palavras de D. Luciano Mendes de Almeida de que “é preciso inocular no povo o bacilo santo da consciência missionária?”

Pe.Paleari – Não resta dúvida de que um dos pontos fundamentais de nosso trabalho é o de fortalecer a espiritualidade missionária. Gostaria de ressaltar, entretanto, que a palavra missão tem muitas conotações e que o exato sentido que nós queremos dar é a missão universal, na perspectiva de um mundo globalizado e de um diálogo inter-religioso.

ReligiaoCatolica.com O Senhor teria alguma mensagem especial a nos dar?

Pe.Paleari – Sim, gostaria de dizer que me sinto muito feliz com meu trabalho, muito me entusiasmam os cursos de formação missionária e as demais atividades como dar aula, por exemplo. Sem dúvida, meu carisma especial é o carisma da missão.

“Como o Pai me enviou, também eu vos envio”.

(João, 20,21)

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