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ReligiaoCatolica.com –
Pe. Oswaldo, sua formação religiosa se deu em torno dos padres
do PIME. Poderia nos contar como foi seu envolvimento ?
Pe.Oswaldo
– Meu pároco, como já disse,
permaneceu 50 anos na cidade; era uma pessoa que não tinha rotina,
um empreendedor que ia resolvendo os problemas à medida em que
apareciam. Realizou trabalhos na área cultural e social, tinha
uma mentalidade aberta. Para que se tenha uma idéia, fez o primeiro
cinema da cidade e também a primeira escola de samba, isso quando
já estava com mais de 70 anos de idade. Fundou também o primeiro
time de futebol, que existe até hoje. Quando vieram outros padres,
comecei e me envolver com o trabalho voltado aos jovens. Havia
uma grande preocupação com a formação da juventude e participei
de inúmeros encontros, retiros, passeios.
ReligiaoCatolica.com – Como surgiu sua vocação ?
Pe.Oswaldo
– Os padres do PIME sempre colocaram o Espírito Santo como o centro
da vida espiritual do cristão. Não da maneira como é enfocada
pela Renovação Carismática, mas a vivência dos dons do Espírito
Santo e dos carismas. Posso dizer que foi ali que começou a aflorar
minha vocação. Eu já sentia dentro de mim uma voz que me dizia
claramente: “você vai ser padre, vai ser padre”.
ReligiaoCatolica.com – A influência
dos padres do PIME foi sem dúvida importante, como o senhor mesmo
disse. Mas como foi que, mais precisamente, tomou a decisão de
ser padre ?
Pe.Oswaldo
– Eu levava a vida normal de
um jovem de minha idade, participava das atividades da Igreja
nos fins-de-semana, mas a presença dos padres em minha casa era
muito grande. Sem dúvida isso começou a mexer dentro de mim, comecei
a sentir o chamado ... Durante oito anos participei do chamado
“Oásis”, um movimento para um mundo melhor, trazido da Itália.
O movimento, inicialmente pequeno e organizado nos moldes dos
focolarinos, foi crescendo e chegou a reunir 5.000 pessoas em
toda a Diocese. Dele participavam moças, rapazes e casais. A Diocese
abrangia 23 cidades, aprendi a tocar violão e fui percorrendo
as cidades, envolvi-me, trabalhei até com o Bispo, cantava e ensinava
as músicas da Campanha da Fraternidade. Além disso, estudava,
cursei Contabilidade e Administração de Empresas. Estudei piano
e namorei. Mas quando terminei a faculdade pensei: “Agora está
na hora de decidir”. Mas foi difícil decidir.
ReligiaoCatolica.com – Por
quê foi difícil? E qual foi à reação de sua família?
Pe.Oswaldo
– Ás vezes eu achava que era importante ficar perto da minha família,
mas às vezes eu sentia que “precisava de espaço”.
Resolvi então afastar-me um pouco e vir para São Paulo
em companhia de um diácono do PIME, que vinha aqui para estudar.
Na época recebi o apoio de D.Mauro Morelli e do Pe. José Pegoraro,
este último doutor em Direito Canônico. Fiz uma experiência, gostei,
D.Mauro me aceitou e comecei a estudar Teologia. Minha família
no começo sofreu bastante, mas nunca me disse não. Eu sou o filho
mais velho de uma família descendente de italianos. Meu pai tinha
uma marmoraria que estava praticamente na minha mão, mas tive
que deixar tudo. Um irmão e uma irmã tomaram meu lugar e sem o
apoio deles não poderia ter vindo a São Paulo.
ReligiaoCatolica.com – Qual
foi a sua trajetória em São Paulo?
Pe.Oswaldo
– Cheguei em São Paulo no dia 23 de janeiro de 1980 para fazer
a Faculdade. Fui ordenado sacerdote no Largo 13 de maio onde fiquei
meu primeiro ano. Isso foi em 1985. Em 1986 fui para o Jardim
Miriam, onde tive minha primeira paróquia. Depois de um ano fui
chamado para trabalhar no Seminário de Filosofia da Arquidiocese,
onde fiquei dois anos e meio. Em 1989, com a divisão da Arquidiocese
vim para Santo Amaro, trouxe os seminaristas e fundamos o Seminário
com os cursos de Filosofia e Teologia. Depois fui fazer um trabalho
pastoral em Parelheiros, comecei a trabalhar como administrador
da Cúria, trabalhei com D.Fernando por quase nove anos. Nesse
período estava também com a Paróquia de Santana. Em seguida fui
diretor do Colégio Meninópolis, ajudei nas paróquias que precisavam
de mim, como, por exemplo, a de Parelheiros, a de São João de
Brito, entre outras. Há dois anos e meio estou na Paróquia do
Sagrado Coração de Jesus. Tenho quase dezesseis anos de padre.
Sem dúvida foi um trabalho diversificado pois fiquei na formação,
na administração e também na comunicação.
ReligiaoCatolica.com – E por
falar em comunicação, o que o Senhor acha da religião na Internet?
Se Jesus estivesse aqui Ele usaria esse meio de comunicação?
Pe.Oswaldo
–Bem, eu tive a graça de ir ao
morro das Bem-Aventuranças, na Terra Santa, e fiquei imaginando
Jesus falando a uma multidão de 15 ou 20 mil pessoas. Sem microfone,
sem nada. Mas a presença dEle já tocava os corações pois as palavras
chegaram aos ouvidos de todos. E se Ele disse “ide pelo mundo
e anunciai o Evangelho”, eu acho que a coisa mais importante é
anunciar o Evangelho. Portanto, todos os meios são viáveis, são
bem-vindos, são válidos. Estamos vivendo um momento de modernidade
e a Igreja sempre foi pioneira nessas coisas: colocou os sinos,
colocou a cruz bem no alto, sempre chamou a atenção. Hoje temos
outros meios, como o rádio, a televisão e agora a Internet. Quando
pensamos em rádio, pensamos em distância; quando pensamos em televisão,
também pensamos em distância; mas quando pensamos em internet,
não. Embora espalhadas pelo mundo, as pessoas estão ao alcance
de um clic do “mouse”.
E com quantas pessoas se pode conversar! Pessoas que estão necessitadas
de uma palavra, carentes, sozinhas, seja no Brasil seja em qualquer
outro lugar do mundo. A internet nos dá essa possibilidade.
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A evangelização pela internet é algo sério, importante
e de responsabilidade. Pode ser encarado como uma missão cuja
força e realização estão na oração?
Pe.Oswaldo – Existe uma coisa muito importante:
quando eu tinha 21, 22 anos e estava nessa dúvida, pensava: como
é ser padre? Porque a idéia assusta num primeiro momento: deixar
a família, os amigos, a cidade onde nasci... sempre se tem uma
idéia de perda, quando na realidade é o contrário, só se ganha
quando você se entrega. E Ele diz: toda vez que você quiser
ser forte, tem que ser fraco, se você permitir, se você deixar,
Eu te faço forte. Mas o conflito existe. Certa vez tive a
certeza de que encontraria a resposta na Bíblia. E eu a encontrei
num trecho do Evangelho no qual Jesus dizia: “Se vocês não
anunciarem, se vocês se calarem, as pedras vão gritar”. Daí
eu pensei: então eu falo. Se é isso que Ele quer, tenho certeza
de que Ele vai cuidar. E meu pai sempre me ensinou a confiar na
Providência Divina e isso ficou sempre em mim, a confiança, a
certeza de que a Providência está em primeiro lugar. Se é dEle,
não temos porque nos preocupar.
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E um dia, seremos cobrados por Deus pela realização da missão
que Ele nos confiou?
Pe.Oswaldo – Eu tenho certeza de que Ele
um dia vai nos perguntar: - “e então, você cuidou direitinho?”
Esse trabalho é interessante, é extremamente urgente, vejo a Igreja
se envolvendo. Vejo isso na Diocese, D.Fernando também muito interessado.
Quero dizer que, no que for necessário, estou à disposição de
vocês.
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