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ReligiaoCatolica.com – Thomaz, diga alguma
coisa sobre você, sua família, como conheceu sua esposa...
Thomaz
– Quando tinha treze anos, meus pais se separaram e eu passei
a me sentir muito sozinho. Meu pai era um empresário bem sucedido.
Não tínhamos uma vida religiosa na família. Eu acreditava em Deus,
mas achava que as coisas dependiam muito mais de mim do que dEle.
Sempre tive o sonho de constituir uma família, mas era só um sonho,
pois o exemplo familiar não era dos melhores: basta dizer que,
além dos meus pais, todos os meus tios se separaram. Apenas uma
tia não se separou, porque não se casou. O casamento, portanto,
era algo muito bonito para os outros, não para mim, porque achava
que para mim jamais daria certo. Levava a vida por conta própria
e era uma pessoa extremamente materialista.
Certa
ocasião, uma amiga, a Bia Sales, achando que eu não poderia continuar
vivendo dessa maneira, levou-me a conhecer a família de Clara.
Lá encontrei um clima exatamente oposto ao de minha família. Todos
os filhos – sete mulheres e três homens – tinham a mesma educação
tradicional e a base da sustentação familiar era a fé.Aos poucos,
esta semente foi gerada em mim. Minha sogra, D. Maricy, foi a
responsável por plantar uma das sementinhas de Deus em meu coração
e a Clara, minha mulher, foi a jardineira que regou essa sementinha
todos os dias. E um dia a árvore nasceu e cresceu.
ReligiaoCatolica.com – Quer dizer que
sua visão sobre o casamento mudou?
Thomaz
– Quando decidi me casar com Clara, disse a mim mesmo que iria
quebrar o tabu de minha família e que meu casamento iria dar certo.
Mas logo no início do nosso casamento, ocorreram três fatos
que marcaram muito minha vida. Minha irmã se suicidou, na minha
frente. Depois, meu pai, com um tiro no peito, e meu tio, com
veneno de rato. Tudo isso em menos de três anos. Isso marcou muito
minha vida, porque ao mesmo tempo em que estava me aproximando
de Deus, a dor me fez questionar o motivo desses acontecimentos.
ReligiaoCatolica.com – Em outras palavras,
você quis descobrir qual a “lógica” de Deus.
Thomaz
– Quando fiquei paralítico, em 25 de agosto de 1991, eu me perguntava
porque essas coisas aconteceram justamente no momento em que estava
me aproximando de Deus. No início chorava muito, cheguei a pensar
em suicídio. Mas seria uma covardia acabar com meu sofrimento
aqui na terra e causar o sofrimento de meus entes queridos: minha
mulher e meus filhos. Convenci-me então de que precisava lutar
por eles, não queria que sofressem. Mas eu estava paralítico do
peito para baixo, não tinha esperança de cura. Havia levado um
tombo com meu cavalo. Como poderia lutar? O que fazer de minha
vida?
ReligiaoCatolica.com – Conte-nos como
foi que o Espírito Santo lançou a faísca para acender seu coração...
Thomaz
– Um dia eu estava chorando muito. Minha sogra estava a meu lado
lendo a Bíblia e pediu-me para abri-la. Eu nunca havia lido a
Bíblia na vida, abri-a ao acaso e caiu exatamente a passagem do
Eclesiástico 2 que fala sobre a Paciência. Quando li aquela palavra,
paciência, desabrochou em mim aquilo que minha sogra Maricy
havia plantado e minha mulher Clara havia semeado, mas que ainda
não havia nascido em mim.
ReligiaoCatolica.com – E daí, a semente
germinou?
Thomaz
– Sim, germinou, porque me mostrou que eu não estava tendo
paciência com as coisas de Deus. Queria tudo à minha maneira e
no momento em que eu quisesse. Além disso, eu achava que só seria
feliz se voltasse a andar. Mas como nunca mais voltaria a andar,
nunca mais seria feliz. Paciência... paciência... pensei,
porque só poderei ser feliz se voltar a andar? Não posso ter outras
fontes de felicidade? E assim fui pensando, ponderando. Sempre
sentindo a força que me era transmitida por minha mulher e meus
filhos. Aliás, não só por eles, mas por toda a família de Clara,
que não é só pai, mãe e filhos, mas também genros, noras, netos
e bisnetos, é um time que eu chamo de “infantaria divina” e cuja
verdadeira força obviamente vinha de Deus. Descobri que a riqueza
não está nas coisas materiais, mas está naquilo que temos dentro
de nós e que ninguém tem como nos tirar: chama-se paz de espírito
ReligiaoCatolica.com – Qual o melhor caminho
para chegar a essa paz de espírito?
Thomaz
– Um dos caminhos principais para encontrar a paz de espírito
e o desapego, chama-se humildade. Quanto maior a nossa humildade,
maior será nossa aproximação com a paz de espírito, porque quanto
mais humildes formos, mais seremos desapegados das coisas materiais.
As coisas materiais existem na terra para nos servir, para nos
ajudar a moldar aqui uma vida exemplar, e não para que nós sirvamos
a elas, ou seja, fiquemos escravos delas.
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ReligiaoCatolica.com – Clara e você receberam
o convite para dar testemunho por ocasião da visita do Papa
ao Brasil em 1997. Foi uma emoção muito forte?
Thomaz
– Quanto nós recebemos o convite do Papa para dar o nosso
testemunho no Maracanã diante de milhares de pessoas e de
milhões de telespectadores, levei um grande susto.Depois
que me
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me refiz do susto, não pensei no porque de nós termos
sido escolhidos, mas no para que fomos escolhidos.
Rezamos muito para receber do Espírito Santo a luz e a palavra
certa, já que cada um de nós teria apenas um minuto de tempo
para contar a história de sua vida!! Pedimos ao Espírito Santo
que agisse como nosso tradutor simultâneo, traduzindo para
cada ouvido aquilo que cada ouvido precisasse realmente ouvir.
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ReligiaoCatolica.com – E vocês foram atendidos
pelo Espírito Santo?
Thomaz
– Por uma graça especial, sintetizei minha vida para o Papa
dizendo que há seis anos atrás eu caminhava muito bem com
as minhas pernas, mas era totalmente paralítico de espírito.
Foi preciso que eu levasse
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um tombo do meu cavalo e ficasse paralítico das pernas, para
que eu começasse a caminhar com as pernas do Espírito Santo.
E hoje, graças à garra de minha mulher e de meus filhos, consigo
dar passos que eu jamais pensei que pudesse dar e atingir
distâncias que nunca imaginei que poderia atingir. Por isso,
sou muito mais feliz hoje do que antes. |
ReligiaoCatolica.com – Quer dizer que
hoje você sabe o que é felicidade?
Thomaz
– Se eu disser que passei a ser feliz depois que fiquei paralítico,
não me julgue louco, mas é a verdade. Antes eu não conhecia Deus,
queria tudo à minha maneira. Depois que tudo aconteceu, descobri
os verdadeiros valores da vida e, sobretudo, a misericórdia divina.
Se tivermos fé e se estivermos em paz com Deus, a misericórdia
vem. É preciso ter paciência. Como disse São Paulo, na tribulação,
tende paciência. Eu me apeguei muito a São Paulo.
ReligiaoCatolica.com – Qual o motivo desse
apego a São Paulo?
Thomaz
– Talvez porque a conversão de São Paulo aconteceu quando ele
caiu do cavalo. E, eu também, cai do cavalo e me converti. Quando
fui à Basílica de São Paulo, em Roma, vi uma tela enorme retratando
sua queda, e o cavalo pintado é da mesma espécie do cavalo que
estava comigo na minha queda. Senti um arrepio, que sinal maravilhoso!
Quando
olho pelo retrovisor da minha vida, vejo tantas coisas maravilhosas
que passavam por mim, mas que eu ignorava. Hoje, o valor que dou
a minha família não tem preço. E quero ser uma pessoa cada vez
mais rica do Espírito Santo e anunciá-lo a todos.
ReligiaoCatolica.com – As coisas de Deus
são assim. Quanto mais amor se dá, quanto mais testemunhos, mais
se é preenchido pela força do Senhor.
Thomaz
– Depois do convite do papa, minha vida mudou radicalmente.
Decidi ser uma pessoa normal e independente, capaz de viver sem
a ajuda de ninguém. E consegui. Hoje o meu limite é o limite de
qualquer pessoa. É apenas uma questão de tempo, ou seja, se uma
pessoa tiver que passar por uma porta estreita, ela vai passar
mais rapidamente do que eu. Mas eu também passo: eu desço da cadeira,
a desmonto, passo, monto a cadeira e subo novamente. Dirijo o
automóvel, viajo, tentei até simular todo tipo de situações para
saber como agir no caso de estar sozinho. Por exemplo, uma vez
eu imaginei o que faria se pegasse fogo no prédio e eu estivesse
sozinho em casa: desci as escadas sentado, degrau por degrau,
levando a cadeira!!! Com tudo isso, senti dentro de mim uma força
que me dizia que deveria transmitir e testemunhar aos outros todas
as graças recebidas.
ReligiaoCatolica.com – De graça recebeste,
de graça deveis dar...
Thomaz
– Antes do convite do Papa eu trabalhava como empresário de
homens. Depois passei a ser empresário de Deus. Passei a dar palestras,
testemunhos, fizemos uma loja de artigos religiosos, que é o que
nos sustenta. Hoje trabalhamos em todo o Brasil e também em alguns
países no exterior. A grande gratificação é ver pessoas que estavam
com a vida perdida, algumas até pensando em suicídio, telefonarem
e virem a nós para agradecer por termos mudado a vida delas. Essa
é a missão que Deus nos deu. Existe riqueza maior?
ReligiaoCatolica.com – Realmente, isso
não tem preço!
Thomaz
– Não tem mesmo e hoje eu sou um empresário de Deus. Costumo
dizer que em meu trabalho tenho dois chefes: o papa João Paulo
II e o cardeal do Rio de Janeiro. Se minha vida estivesse numa
fita de vídeo e se pudesse alterar o que eu quisesse, certamente
mudaria muita coisa, mas quatro acontecimentos eu não mudaria:
o meu casamento com a Clara, o nascimento dos meus filhos, o meu
tombo e o convite do Papa. Sobre o meu casamento e os meus filhos
eu não preciso dizer o porquê. Com relação ao meu tombo, quero deixar bem claro que não utilizo a palavra
acidente, pois essa palavra tem uma conotação dramática, e no
meu caso foi uma bênção. Uma bênção porque foi a partir daí que
se abriu a porta para que eu pudesse entrar nas coisas de Deus.
Quanto ao convite do Papa. Eu costumo dizer que foi uma condecoração
divina.
ReligiaoCatolica.com – Thomaz,
, você nos deu um resumo da Bíblia
com suas palavras: paciência, humildade, perseverança,
desapego e confiança na Providência Divina. São as virtudes que
nos levam a obter a maior de todas as riquezas: “a Paz que vem
de Deus”. Você é de fato
um instrumento escolhido por Deus...
Thomaz – Um padre amigo meu me disse que
rezava todos os dias para que eu voltasse a andar. Eu lhe disse
para rezar para que eu continuasse andando com as pernas do Espírito
Santo. É desta oração que eu preciso.
ReligiaoCatolica.com – Tomás ,muito obrigada.
Foi lindo. Com certeza você dará oportunidade para que muitas
pessoas obtenham força e conversão.
Thomaz
– Amém.
Entrevista
feita por Sílvia Bruno Securato
email: silvia@religiaocatolica.com.br
Texto elaborado
por Stefania Contessa Panico
email: stefania@religiaocatolica.com
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