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- Pe Gilson, explica-nos como é o seu trabalho. ReligiaoCatolica.com -Como foi percorrida a estrada de sua vida religiosa, desde o começo até hoje? Padre Gilson - Pois bem, eu comecei na vida diocesana
e, após sete anos, meu coração começou a bater mais forte pela missão.
Percebi então que o Senhor entrara em meu percurso não como uma brisa
suave, mas como um vendaval, como um vento impetuoso. Saí da Diocese e
busquei uma congregação missionária. ReligiaoCatolica.com-
Ouvindo essas suas palavras, tem-se impressão de que houve como que
um renascer... ReligiaoCatolica.com- Esse contato com a pobreza dos índios mudou de certa forma sua visão de mundo e de Deus? Padre Gilson - Sem duvida, houve episódios e descobertas
muito especiais. Para se ter uma idéia, no primeiro dia em que cheguei
na capela para rezar, estava com meu breviário com todas minhas sumas
de oração e vi meus irmãos abrindo uma bibliazinha simples, toda feia,
amarrotada... peguei meu breviário e meus livros de oração e deixei-os
de lado... Isto para mim teve o significado de que deveria voltar às fontes.
Lembrei-me de São Francisco: "A nossa regra é a palavra de Deus". Comecei
a aprender a rezar, mas a rezar a partir da vida, se mais um, não especial,
porque devido à minha formação eu ainda via o padre como especial. Depois disso fui ao Paraguai, onde passei um ano em Assunção e depois um ano em Chaco, mais uma vez convivemos com a população indígena e marginalizada. Em seguida fiquei dois anos em São Paulo, trabalhei numa paróquia e passei um ano trabalhando com os presos na Penitenciaria do Carandiru. Essa foi outra experiência de Deus. ReligiaoCatolica.com- Quer dizer que o missionário vê de perto toda a pobreza do mundo e passa a ter uma experiência mais intima de Deus. Padre Gilson - É isso mesmo, a vida missionária nos dá um sacramento a mais, que é o pobre, que se torna para nós um sacramento de conversão, de mudança. E nos prepara também para enfrentar qualquer realidade. Foi o que aconteceu quando fui passar um tempo na Europa e conheci um mundo até então totalmente diferente. Ali tudo já estava pronto, era como se ninguém precisasse de mim. ReligiaoCatolica.com- Quais as principais diferenças entre a Igreja na América Latina e na Europa? Padre Gilson - O maior impacto para mim foi descobrir
que não haja juventude fraqueando a igreja. Comecei então a freqüentar
a comunidade portuguesa na Alemanha. Foi uma maneira de encontrar os jovens,
mesmo se por um caminho que pode parecer até estranho. É que certo dia
estava no centro de tradição portuguesa, com os mais velhos, e ouvi um
conjunto de rock dos jovens. ReligiaoCatolica.com- Um padre sem paróquia pode parecer estranho para muitos fiéis, não acha? Padre Gilson - A maioria de nós associa o padre o
espaço geográfico, à Igreja. De fato, quando me perguntaram o que faço,
digo que não faço nada, mas que ao mesmo tempo faço tudo. Procuro estar
nas brechas que o Senhor vai me dando, brechas essas já me proporcionaram
experiências marcantes. Por exemplo, foi quando pisei numa favela pela
primeira vez ou quando entrei em contato com o mundo indígena: eu vi e
eu viciei aquelas situações de pobreza e de miséria e comecei a pensar
numa maneira de evangelizar e pastorear essas pessoas. ReligiaoCatolica.com- Quer dizer que todo um esquema anterior foi deixado de lado a fim de abraçar essa nova espiritualidade. Padre Gilson - Foi exatamente o que aconteceu. É como se o Senhor tivesse me dito: "Ehi, Guri, oque Eu quero não é o que você quer". É exigente e é dolorido abrir mão de nossos esquemas, de nossas seguranças, do nosso jeito de fazer, mas é maravilhoso abraçar a felicidade e a alegria que vem do servir o Senhor. Eu fui o padrezinho que fazia uma homilia, mas que não vivia plenamente o amor de Deus. Hoje proponho algo que estou buscando viver em mim e em cada um de vocês. ReligiaoCatolica.com- Fale-nos mais especificamente sobre essa sua plenitude espiritual que você vive e também sobre suas atitudes. Padre Gilson - Bem, na Diocese de Santo Amaro eu
não tenho nenhum titulo especial, sou méis um no meio de muitos, estou
a serviço dos encontros bimestrais. Mais de 4.000 jovens já passaram por
esses encontros, que surgiram a partir de uma espiritualidade Mariana
centrada em Jesus. ReligiaoCatolica.com- Além da ajuda divina, qual seria o "ponto forte" desses encontros? Padre Gilson - um ponto muito importante é o testemunho
daqueles que, a partir dos encontros, tiveram suas vidas transformadas.
É o boca-a-boca, é o contar ao outro, é o dizer "a mudança de minha vida
começou aqui". ReligiaoCatolica.com- Muitos desses jovens têm pais alcoólatras, famílias desagregadas ou até mesmo não têm pais. Nestes casos, como agir? Padre Gilson - Trata-se de um desafio, porque ou a familia
se transforma ou então a obra é incompleta. Nós temos trabalho também
com a familia, e com a graça de Deus, temos tido resultados bastante satisfatórios.
Eu costumo dizer que nós não deparamos com historias de vida, mas com
dramas, verdadeiros dramas. ReligiaoCatolica.com- Nessa violência toda, já se sentiu ameaçado? Padre Gilson - Até agora não, embora todos nós saibamos
que estamos correndo riscos. Mas nós acreditamos que a obra é de Deus
e que Ele esta cuidando disto. Para que se tenha uma idéia, passamos uma
Páscoa juntos e, na vigília pascal, fizemos uma fogueira onde foi queimado
tudo o que nos impedia de abraçar Jesus. E eles foram jogando pacotes
de maconha, de cocaína, balas (projéteis). Para mim, aquela fogueira simbolizava Cristo nos redimindo dos pecados. Sem duvida, há jovens que são agressivos no começo, mas depois vão se acalmando. ReligiaoCatolica.com- Agora conte-nos algo a respeito da congregação Oblatos de Maria Imaculada. Padre Gilson - É uma congregação que surgiu na França, após a Revolução Francesa. Hoje somos cinco mil oblatos no mundo todo, estamos em setenta e cinco países. Além doa padres há também leigos e os irmãos. Nosso carisma é o trabalho com os pobres, com os presos, com os portadores de HIV, com os drogados, marginalizados, menores abandonados, moradores de rua. ReligiaoCatolica.com- Qual a relação que os Oblatos têm com a Diocese de Santo Amaro? Padre Gilson - A Diocese de Santo Amaro - e em especial nosso pastor D. Fernando tem nos acolhido de braços abertos, tem sido uma benção não só para nós como para a Igreja do Brasil. Uma das coisas que devemos viver no movimento é o que Jesus dizia: "vinde a mim os cochos, os aleijados, os doentes". D. Fernando nos acolheu dentro desse espírito evangélico e nisso esta toda a riqueza da Diocese. ReligiaoCatolica.com- É verdade, desde a chegada de Dom Fernando, a Diocese de Santo Amaro cresceu muito, agradecemos a Deus por ele. Agradeço igualmente a ao senhor, pe Gilson, por seus trabalhos, que são de grande importância para a sociedade. Que Deus o abençoe e lhe dê muita força e coragem. Padre Gilson - Obrigado a equipe do ReligiaoCatolica.com por esta oportunidade de divulgar nosso trabalho. As pessoas interessadas em conhecer mais sobre esse trabalho ou mesmo colaborar com o pe Gilson, por favor entre em contato conosco. Entrevista realizada por |
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