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O Amor em Plenitude Introdução A Páscoa é o centro da vida e da fé dos cristãos. O termo “Páscoa” provém da palavra latina e grega “pascha”, oriunda do hebraico “pishâ”, que significa passagem. Trata-se da passagem da morte para a vida, da ausência para a presença, do Amor em plenitude. Hoje, para nós cristãos, a celebração da “Páscoa”
constitui-se num tríduo celebrativo, isto é, a “páscoa celebrada
em três dias”. O tríduo se fundamenta na unidade do mistério pascal
de Jesus Cristo, que compreende sua paixão, morte e ressurreição. Segundo
o Missal Romano, em suas Normas Universais Sobre o Ano Litúrgico, “o
Tríduo pascal... começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui
seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do domingo da
Ressurreição” (N. 19). Deste modo, celebramos de quinta para sexta-feira
a “Paixão”, de sexta-feira para sábado a “Morte”, e de sábado
para domingo a “Ressurreição”. Nesta primeira “Páscoa do Milênio” nos propusemos a celebrar o Amor em Plenitude: na quinta-feira santa celebramos, na Missa da Ceia, o Amor Presente nas Mãos e no Pão; na sexta-feira da paixão celebramos o Amor Assumido na Cruz; na Vigília Pascal celebramos o Amor Glorificado na Luz. O Amor
Presente nas Mãos e no Pão Na celebração da “Última Ceia” Jesus revelou o seu “Amor em Plenitude” lavando os pés dos discípulos e repartindo com eles o pão. O amor torna-se presente nas mãos que lava os pés e no pão que é repartido. O Amor Presente nas Mãos A liturgia da “Ceia do Senhor” nos apresenta Jesus lavando os pés dos discípulos
(cf. Jo 13,1-15). Trata-se de um gesto de serviço e profunda humildade.
Mas, sobretudo, é um gesto de verdadeiro Amor: “...sabendo Jesus que
chegava a hora de passar deste mundo ao Pai, depois de ter amado os seus
do mundo, amou-os até o extremo” (Jo 13,1). As mãos simbolizam ação, dinamismo... Através das mãos
recebemos e doamos. João afirma, no Evangelho, que Jesus é consciente
de que o Pai entregou em suas mãos o verdadeiro Amor e, antes de voltar
ao Pai, precisa doar com suas próprias mãos este Amor aos seus discípulos:
“...sabendo que o Pai havia posto tudo em suas mãos, que tinha saído
de Deus e voltava a Deus, se levanta da mesa, tira o manto e, tomando
uma toalha, cinge-a. A seguir, põe água numa bacia e começa a lavar os
pés dos discípulos e a secá-los com a toalha que tinha cingido” (Jo 13,3-5). Analisando o contexto histórico constatamos que oferecer ao hóspede água para lavar os pés da poeira do caminho era um gesto de cortesia muito comum. Normalmente esse gesto era feito por um servo ou por um discípulo dedicado ao seu mestre. Jesus inverte os papéis e surpreende a todos. O mestre torna-se servo. A lição de serviço, humildade e Amor é testemunhada. Em primeiro lugar devemos sentir este “Amor Pleno”
que nos é doado através das mãos de Jesus. Mãos que lava, acaricia
e enxuga, com ternura, os pés de cada um dos discípulos, de cada um de
nós... Em segundo lugar, a ação de Jesus quer ensinar aos discípulos,
e também a nós, que é preciso fazer o mesmo: “Depois de lhes ter lavado
os pés, pôs o manto, reclinou-se e lhes disse: ‘Entendeis o que vos fiz?
Vós me chamais mestre e senhor, e dizeis bem. Portanto, se eu, que sou
mestre e senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns
dos outros. Eu vos dei o exemplo, para que façais o que eu fiz’” (Jo 13,12-15). O Amor Presente no Pão A atitude de serviço, humildade e expressão de Amor,
simbolizada no lava-pés, foi uma preparação para celebrar com mais dignidade
a “Ceia”, conforme disse o próprio Jesus a Pedro: “Se não te
lavar, não terás parte comigo” (Jo 13,8b). Celebrando a “Ceia” com os seus amigos Jesus inaugura a “Nova Páscoa”, isto é, dá um novo sentido para a “Páscoa” que, em seu contexto histórico, era a maior festa do ano para os judeus. Mantendo seu ritual como no AT (Ex 12), Israel celebrava a Páscoa para fazer memória da “antiga libertação do Egito” e atualizar “os benefícios de Deus” para com os seus filhos. Na carta aos coríntios, Paulo transmite o novo e definitivo
sentido da Páscoa. Afirma o apóstolo: “O Senhor, na noite em que era
entregue, tomou o pão, dando graças o partiu, e disse: ‘Isto é o meu corpo
que se entrega por vós. Fazei isto em memória de mim’” (ICor 11,23-24). No pão repartido Jesus entrega seu corpo aos discípulos. Trata-se de uma doação total. No pão está presente o “Amor em Plenitude”. Este Amor que se doa provoca transformação. Agora não é apenas uma transformação social, mas uma libertação do pecado, resgate para uma vida nova. Quando repartimos o pão na celebração da eucaristia, devemos sentir o Amor de Jesus que se doa em plenitude. Amor que alimenta e revigora a nossa vida. Amor que nos compromete com os irmãos e irmãs. Amor que nos faz ser fiéis à vontade do Pai. Jesus pede aos discípulos: “Fazei isto em memória de mim” (ICor 11,24b.25b). O pedido de Jesus aos discípulos estende-se também a todos nós. Portanto, hoje celebramos o Amor presente no pão que se reparte e nos comprometemos em vivê-lo plenamente.
2. O Amor
Assumido na Cruz A celebração da “Paixão do Senhor” focaliza o significado genuíno do sofrimento de Jesus que culmina em sua morte na cruz. Trata-se do “Amor em Plenitude” que é assumido na cruz. Mas, é importante ressaltar que, antes de assumir a cruz de madeira, Jesus assumiu outras grandes e difíceis cruzes: A Cruz da Traição – Judas: “Jesus saiu com
os discípulos para o outro lado da torrente
do Cedron, onde havia um jardim. Aí ele entrou com os seus discípulos.
Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque muitas vezes Jesus se reunia
aí com seus discípulos. Então Judas tomou um destacamento e alguns criados
dos sumos sacerdotes e dos fariseus, e se dirigiu para lá com tochas,
lanternas e armas. Jesus, sabendo tudo o que lhe iria acontecer, adiantou-se
e lhes disse: A quem procurais?... Sou eu”. (Jo 18,1-5); A Cruz da Negação – Pedro: “A criada da portaria
diz a Pedro: Não és tu também discípulo desse homem? Ele respondeu: Não
sou” (Jo 18,17). Outra pessoa pergunta novamente a Pedro: “Não
és tu também discípulo dele? Ele o negou: Não sou”(Jo 18,25). Pela
terceira vez Pedro é interrogado: “Não te vi com ele no jardim? Novamente
Pedro negou...” (Jo 18,26-27). A Cruz da Condenação – o Povo: Pilatos pergunta
se querem que solte Jesus e o povo responde: “Esse não, mas Barrabás
(Barrabás era um bandido)” (Jo 18,40). Pilatos tenta mais uma vez,
mas o povo responde com insistência: “Fora! Fora! Crucifica-o!” (Jo
19,15). É notável que a cruz de madeira foi uma conseqüência do Amor de Jesus assumido antes nas cruzes da traição, negação e condenação. Portanto, celebrar a morte de Jesus na cruz nos faz pensar nas muitas cruzes que, ainda hoje, colocamos sobre os seus ombros através da injustiça, do egoísmo, da falta de ternura, da impiedade, da violência, das drogas, etc. Nos faz pensar também sobre as muitas cruzes que os filhos colocam sobre os ombros de seus pais; as cruzes que os pais colocam sobre os ombros frágeis de seus filhos; as cruzes que os esposos colocam-se mutuamente sobre os ombros um do outro e sobre seus próprios ombros; as cruzes que todos colocamos sobre os ombros da comunidade, da Igreja, da sociedade, etc.
3. O Amor
Glorificado na Luz Grande é a nossa alegria ao ver a Luz que brilha nas
trevas. É a noite santa da “Vigília Pascal”. O símbolo predominante
desta noite de páscoa é a “Luz”. O Amor de Deus é glorificado na “Luz” das maravilhas da criação (cf. Gn 1,1—2,2). Aprisionados nas trevas da opressão egípcia, os filhos de Israel se alegram ao verem a “Luz” da libertação que os conduzem à glória da liberdade (cf. Ex 14,15—15,1). Através do profeta Isaías, o Senhor reacende as esperanças de seu povo oferecendo-lhe gratuitamente a vida em prosperidade e, deste modo, a “Luz” da salvação (cf. Is 55,1-11). O apóstolo Paulo nos apresenta o batismo como um sinal real de nossa participação da morte e ressurreição de Cristo Jesus. Pelo batismo morremos para o pecado e ressurgimos para a vida. É a “Luz” da vida nova em Cristo ressuscitado que brilha nas trevas do pecado (cf. Rm 6,3-11). Lucas, em sua narrativa, nos apresenta a certeza da ressurreição:
“Por que estais procurando entre os mortos aquele que está vivo? Ele
não está aqui. Ressuscitou!”(Lc 24,5b-6a). A verdade da ressurreição é a certeza da “Luz” que brilha nas trevas e aponta a vida nova. Na escuridão não vemos nada, mas quando acende-se a “Luz” enxergamos a vida que é o fruto do Amor. A vida gerada pelo Amor só pode ser vista na “Luz”. Neste sentido é que afirmamos que “o Amor foi glorificado na Luz”. De fato, a “Luz da Ressurreição” faz com que a vida gerada com a força do Amor seja exaltada, glorificada... tornando-se esplêndida aos nossos olhos. O Amor presente nas mãos de Jesus que lava os pés de seus discípulos, e presente no pão que lhes é repartido, é o Amor assumido na cruz, e hoje glorificado na luz da ressurreição. Somos todos convidados a acolher esta “Luz da Ressurreição”, para que, em meio às trevas do pecado e de tantos outros problemas e desafios, brilhe e abra-se a porta de saída para a Vida, para o Amor, para a Alegria do Cristo Senhor...
Pe. Denílson Aparecido Rossi, imd |
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