Livro: Pela
estrada da vida. Prática do diálogo inter-religioso
De Michael
Amaladoss, s.j., São Paulo, Paulinas,
1996, 260 páginas.
|
|
No
mundo plural, a prática do diálogo inter-religioso
se torna uma imperativo. Nem sempre, no
entanto, é claro como proceder no diálogo.
Há medos sobre a perda da identidade por
parte de quem toma a iniciativa em dialogar,
como há receios sobre a real intenção do
diálogo que pode parecer uma relativização
da verdade.
|
Segundo
o autor, o diálogo precisa ir além da partilha
de opinião e experiências e chegar ao desafio
mútuo e à colaboração, na tarefa de construir
uma nova humanidade.
Depois
de uma breve introdução, em que retoma os desafios
do diálogo inter-religioso, o autor examina os
problemas do pluralismo de crença religiosa no
que se refere aos símbolos, rituais de cura e
auto-manifestação divina revelada. Amaladoss destaca
a natureza social do ritual religioso e discute
as implicações de rezar junto com pessoas de outras
religiões. Refere-se explicitamente ao famoso
dia 27 de outubro de 1.986, em que João Paulo
II uniu-se em oração com membros de outras religiões
na busca da paz universal. Um dado relevante do
livro é que, para o autor, o diálogo não pode
se restringir a um grupo de especialistas, mas
pode ocorrer igualmente nas camadas populares.
Neste último caso, parece mais uma forma existencial
e prática de construir um mundo mais fraterno.
A perspicácia do autor está propriamente em propor
que o diálogo tenha diferentes facetas, desde
o testemunho pessoal e silencioso, passando pela
discussão teológica e vislumbrando a prática cotidiana
de construir novas relações. As reflexões estão
expostas em contexto pastoral, embora levantem
e esclareçam muitas questões teológicas.
De
Jean-François Revel e Matthieu Ricard. São
Paulo,
Mandarim, 1999, 288 páginas.
 |
O
título que os autores queriam dar ao
livro era "O Budismo e o Ocidente",
mas esse foi mudado para o atual "O
Monge e o Filósofo". Através de
um diálogo, dois interlocutores privilegiados,
pai e filho, se encontram para analisar
por que o budismo tem uma eficácia particular
no Ocidente.
|
O
monge é o filho, Matthieu Ricard, nascido em 1946.
Depois de seguir os estudos científicos de biologia
molecular que o levaram ao doutorado em 1972 e
à defesa de uma tese significativa diante de uma
banca examinadora cujo presidente era François
Jacob, o famoso vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia
e Medicina, Matthieu larga tudo e se faz monge
budista, passando a residir definitivamente na
Ásia, para acompanhar os ensinamentos de seus
mestres tibetanos.
O
filósofo é o pai, Jean-François Revel, nascido
em 1924. É um filósofo que considera vã toda metafísica
e, como tal, declara-se profundamente agnóstico.
Ao longo do livro, emerge uma enraizada estrutura
filosófica que põe o pai sempre em contraposição
ao filho, na discussão dos fundamentos budistas
em comparação com a filosofia ocidental.
A
pergunta que está a base do diálogo entre o monge
e o filósofo é a possibilidade de o budismo se
expandir cada vez mais no Ocidente. Por que o
budismo é tão atraente para os ocidentais? Isso
revelaria uma lacuna, algo ausente, na civilização
ocidental, científica e técnica? O desenrolar-se
do livro revela uma forte crise no Ocidente e
o fracasso do pensamento ocidental especialmente
a falência dos grandes sistemas filosóficos e
das grandes utopias políticas. A pós-modernidade
traz à tona uma crise da razão instrumental e
a necessidade de se confrontar com pensamentos
e visões que vêm da Grande sabedoria oriental.
O encontro entre o pai e o filho, o filósofo e
o monge, aconteceu em 1996 em Hatiban, no Nepal.
O texto é envolvente e o diálogo entra, desde
o começo, no âmago das questões. Às vezes, a linguagem
é muito precisa e reflete a densidade filosófica,
mas continua sendo envolvente. A todo momento,
somos levados a acompanhar o raciocínio dos dois,
numa série de perguntas e respostas que nos permitem
também ser desafiados e questionados. O texto
parece um romance e somos sempre induzidos a ir
além para ver o desfecho.
|
Voltar |
|
|
O
missionário como
peregrino
De
Pe. Giorgio Paleari
Toda
a história do povo de Israel é marcada pelo ato
de caminhar: Abraão deve deixar sua
própria terra; o povo escravo no Egito caminha
por mais de quarenta anos através do deserto;
o próprio Yahweh é percebido como uma presença
intima e móvel. Mais tarde, as celebrações rituais
retomam o tema do êxodo transformando-o
em peregrinação .
No
Novo Testamento, Jesus é o peregrino que não somente
participa da peregrinações ao templo, mas que
faz de toda
a sua vida uma longa peregrinação para Jerusalém,
onde será preso e crucificado.Aos discípulos é
pedido que percorram o mesmo caminho até o sofrimento
e morte.A experiência da morte e da ressurreição
de Jesus converterá
os peregrinos galileus amedrontados (Mc 14,27)
em verdadeiros missionários que vão para toda
a parte (Mc 16,20). E é através do seguimento
de Jesus que os missionários vão se fazendo discípulos
do mestre.
Ser
um peregrino é desinstalar-se
continuamente; é fazer da vida
um contínuo deslocar-se de um lugar para outro,
solidarizando-se
com os desenraizados
e migrantes ; é torna-se um companheiro na
busca de uma morada. Mas, ainda mais, o missionário aponta para outra morada “porque não temos aqui cidade
permanente , mas estamos à procura da cidade que
está para vir” (Heb 13,14).
O
tema do enraizamento e do desenraizamento e,
ao mesmo tempo, a vida presente e aquela que deve
vir representam uma tensão que gera a missão.O
caminho missionário acontece propriamente nessa
tensão constante entre o presente o futuro.
A
espiritualidade do missionário é caracterizada
por uma peregrinação em busca de uma morada
definitiva. É um deslocar-se constantemente
para buscar o definitivo, superando o provisório,
o efêmero, o limitado e o temporário. A história
da missão e dos missionários representa uma epopéia
de andanças e de movimento de pés que se deslocam
entre trilhas e veredas, em
florestas, em morros enlameados e sobre asfaltos
esburacados.É um caminho de encontros com culturas
e religiões , as mais diversas possíveis , apontando
para além
dos horizontes. “Ide por todo o mundo, proclamai
o Evangelho a toda criatura.”(Mc 16,15). Representa
sempre uma busca e traduz-se
em encontros: o encontro com Deus e o encontro
dos irmãos.
O
peregrino não leva nada consigo, somente o essencial.
Uma sacola, uma roupa e um bastão são o suficiente.
Há peregrinos
espalhados no mundo todo que dependem do apoio
e da bondade das pessoas . Há peregrinos urbanos
que, nas grandes megalópoles, se solidarizam com
os despossuídos e põe suas energias a serviço
da vida. É preciso andar sem parar nunca, deslocar-se
a procura do absoluto e na realização do projeto
de Deus.
Pe.
Giorgio Paleari
Revista
Mundo e Missão
Novembro
1999 – Ano 6 n. 37
Pe.
Giorgio Paleari
Revista
Mundo e Missão
Novembro
1999 – Ano 6 n. 37
|
Voltar |
Eucaristia
Entre
as celebrações rituais da Igreja Apostólica, que
são recordadas com certo relevo e também descritas
em linhas maiores no N.T., está certamente a “Lei
do Senhor”. (1Cor 11,20).
Paulo
fala disso num amplo contexto (1 Cor. 10-14), referindo-se
às Reuniões de Oração a serem observadas
segundo a “tradição que ele transmitira aos fiéis
e que ele também tinha recebido" (1 Cor 11,2,23).
Mas
essa “tradição” era perturbada por práticas novas
que se estavam introduzindo e que alteravam sobretudo
a celebração da “Ceia do Senhor”
(1 Cor 11,20), tirando-lhe o caráter de “reunião
eclesial” no sentido forte
(1 Cor 11,18-22), indispensável para que ela fosse,
de fato, a “Ceia do senhor”.
Desejando
restabelecer o verdadeiro sentido da celebração,
Paulo apela para a “tradição recebida do Senhor”
(1 Cor 11,23) e cita explicitamente a Ceia do Senhor
que ele tinha ensinado aos Fieis em Corinto, numa
relação celebrativa direta da Ceia de Jesus da “noite
em que foi entregue” (1 Cor. 11,23). Por causa deste
aspecto celebrativo, a "Ceia do Senhor",
passou a ser celebrada em Corinto do mesmo modo
que em Jerusalém: dizia-se uma “Oração de Benção”
(Mt 26,26; Mc 14,22; de “Eucaristia” ( Mt 26, 27;
Mc 14,23), e o vinho do cálice era oferecido aos
presentes como sangue da Aliança.
Mas
esta seqüência de ritual de gestos e oração faria
aparecer de modo idêntico na “Ceia do Senhor” da
comunidade de Corinto a ultima ceia de Cristo, certamente
não se justifica por desejo sentimental de repetir
ações que Jesus fizera na hora solene em que já
se encaminhava para a morte, mas como resposta ao
mandamento de Cristo, segundo o qual “aquilo que
ele fez deve ser feito sempre em memória dele”.
(1 Cor 11,24-25). Com isso, porém, a “Ceia do Senhor”,
elevada a celebração “memorial”, assume em seu rito
e em seu significado uma posição análoga a celebração
Pascal Hebraica e até a supera, porque Cristo, a
cuja imolação sacrificial se soma o evento salvífico,
que é o objeto do “memorial” da “ceia do Senhor”,
é a Páscoa definitiva (1 Cor 5,7). A “Ceia do senhor”
é, com efeito, proclamação da morte do Senhor (1
Cor 11, 26).
O
MINISTRO OU MINISTÉRIO DA EUCARISTIA
Paulo
usa os termos acima caracterizando o serviço ao
próximo. Os ministros eram escolhidos a partir de
seu testemunho e compromisso na comunidade
(At 6, 1-7; 2 Cor 3,3), porque estavam exercendo
o Serviço da Fraternidade de Misericórdia,
portanto, seu estilo e estado de vida eram reconhecidos
por toda comunidade (At 6,1-7).
Para
exercer tal apostolado, o Espírito Santo, que opera
a santificação do povo, deve antes, santificar os
ministros. Estes recebem do Senhor tal graça e,
devem viver dela e por ela, particularmente os que
ministram a “Ceia do senhor”.Alimentados por uma
verdadeira caridade, devem viver seu apostolado.
A
espiritualidade do ministro (testemunho, serviço
e oração), deve revestir-se de modo particular conforme
seu chamado. Não pode ficar inerte, mas aperfeiçoar-se
na caridade, na instrução e no testemunho de modo
que as qualidades e os dons que lhe foram conferidos
pelo Espírito Santo, sejam vivenciados e reconhecidos.
Tal
apostolado não consiste apenas em assistência ao
altar ou ao enfermo. O verdadeiro servo, procura
ocasião para levar o Cristo, despertar o ouvinte,
confirmá-lo para uma vida mais cristã e mais fervorosa.(2
Cor 5,14).
No
seu coração ressoa o grito do verdadeiro apostolo.
“Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!”. (1
Cor 9,16)
“LOUVADO
SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”
Artigo
enviado por Martins
Bibliografia:
-
Catecismo
da Igreja Católica
-
Didaché
(Vozes)
-
Santo
Domingos
-
Cristifidelis
Laici
-
Teologia
e História da Celebração
|
Voltar |
O
GRANDE JUBILEU
O que vem a ser Jubileu?
Jubileu significa
celebrar com alegria “...o ano da Graça do Senhor”
(Lc 4,19). A Igreja quis sempre demonstrar seu amor
a Deus através de gestos e símbolos que representassem
o verdadeiro sentido da presença do Criador. Dentre
as várias celebrações que marcam diariamente os
cristãos, a Igreja Visível de Jesus Cristo quis
manifestar, através do Jubileu, uma atitude a mais
de louvar a Deus, Trindade Santa.
Historicamente,
a palavra Jubileu procurou conferir, na celebração,
a manifestação de amor e pertença filial a Deus
e procurou anunciar que essa mesma celebração deveria
ser marcada com visível caridade entre os cristãos,
como sinal da presença viva de Deus e como anúncio
aos que não crêem em Jesus Cristo como o único Salvador
e Redentor.
Quando foi celebrado o primeiro Jubileu?
O papa Bonifácio
VIII, em 1300, convocou o primeiro Jubileu na História
da Igreja. Com essa convocação, o Papa chamava os
cristãos a uma reflexão em torno da palavra de Deus.
O Papa queria motivar os cristãos a viver intensamente
o Batismo e Comungar de Jesus Vivo e Ressuscitado.
O Jubileu quis ser um alento às tristezas, um refrigério
às dificuldades e uma manifestação externa das alegrias
da autenticidade dos discípulos de Jesus Cristo.
Essa convocação chamou os cristãos a peregrinarem
a Roma, cidade onde foram martirizados, em nome
da fé cristã, os apóstolos Pedro e Paulo. A História
da Igreja nos lembra as atitudes heróicas desses
Apóstolos, e Roma como o lugar onde anunciaram o
Evangelho e testemunharam a fé. No ano de 1300,
a Igreja celebrou o primeiro Jubileu da História.
A princípio, o Ano
Jubilar ou Ano Santo deveria ser celebrado a cada
100 anos. A História da Igreja relata que o papa
Clemente VI reduziu o período para 50 anos, o papa
Urbano VI reduziu para 33 anos (compreendendo o
tempo da vida de Cristo) e o papa Paulo II reduziu
para 25 anos. O limite de tempo quer simplesmente
ser um ponto de referência onde os papas perceberam
que deveria haver um intervalo menor entre as celebrações,
para que uma pessoa pudesse celebrar vários Jubileus.
O papa João Paulo
II dedicou 3 anos preparatórios para o grande evento.
O ano de 1997 foi dedicado a Jesus Cristo. O ano
de 1998 foi dedicado ao Espírito Santo. O ano de
1999 foi dedicado ao Pai. A História precisa o tempo
para que o evento seja celebrado com festa. Lembra-nos
São Paulo “... quando veio a plenitude dos tempos,
Deus enviou seu filho...” (Gal 4,4). O papa
quis uma preparação anterior para que o ano 2000
fosse marcado como um tempo de conversão e de graça.
No dia 29 de novembro
de 1998, no primeiro Domingo do Advento, o papa
João Paulo II nos ofereceu um documento orientando
o porquê do Ano Santo e como podemos celebrá-lo.
O documento é a Bula de Proclamação do Grande Jubileu
do Ano 2000 com o título “O Ministério da Encarnação”.
O documento nos diz que “... o Grande Jubileu...
tenha início na noite de Natal de 1999... e se prolongará
até... dia da Epifania de nosso Senhor Jesus Cristo,
a 06 de janeiro de 2001”.
Na noite de Natal
de 1999, houve a abertura da Porta Santa, isto é,
simbolicamente derruba-se uma porta de tijolos construída
na Basílica de São Pedro, marcando, assim, o início
do Ano Santo e a nossa inteira conversão ao Cristo
Ressuscitado. Devemos quebrar nossas amarras e nosso
orgulho, eliminar nossos pecados e entrarmos em
comunhão com Deus e os outros. A primeira vez que
houve a abertura da Porta Santa foi em 1423 na Basílica
do Santíssimo Salvador de Latrão, evocando a passagem
do Evangelho “Eu sou a porta” (João 10,7).
A abertura da Porta Santa não significa simplesmente
entrar na Basílica, mas é lembrar que Jesus é a
Porta que nos conduz ao Pai. Jesus Cristo é o único
Salvador, Redentor e Mediador (cf 1 Tim 2,5-6).
Durante o Grande
Jubileu do Ano 2000, ano declarado Santo pelo Papa
para o mundo inteiro, há três sinais importantes:
a peregrinação (romaria), a Porta Santa e as indulgências.
A peregrinação (romaria)
lembra a nossa condição de peregrinos. Todos somos
romeiros e romeiras. Caminhamos, guiados por Jesus
e vivificados pelo Espírito Santo, para a casa do
Pai Celeste. Expressamos na romaria a nossa vida,
que é permanente peregrinação. De todo romeiro ou
peregrino pede-se vigilância, oração, sacrifício.
A Porta Santa lembra-nos
Jesus, a Porta pela qual todos devem passar:
“Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo”
(João 10,9). Passar pela porta santa significa
para o cristão confessar que Jesus Cristo é o Senhor,
revigorando nele a fé, para se viver a vida nova
que Jesus nos trouxe.
A indulgência, que
é a remissão da pena temporal devida pelos pecados
já perdoados quanto à culpa, manifesta a plenitude
da misericórdia do Pai Celeste, que vem ao encontro
de todos com o seu imenso amor expresso, sobretudo,
no perdão de nossas faltas.
Para ganhar a graça
do Grande Jubileu é preciso visitar o Santuário
designado pela Diocese. Essas visitas devem constar
de três grandes sinais: devem ter o caráter de peregrinação;
passar pela porta santa, que será a porta principal
dessa igreja, e ganhar a indulgência plenária, uma
vez ao dia, tendo-se devidamente confessado, comungado
e rezado na intenção do Santo Padre, o Papa, ao
menos o “Pai Nosso” e o “Creio”.
A confissão deve
ser individual e íntegra e ser feita freqüentemente.
A Eucaristia, necessária para a indulgência, é conveniente
que tenha lugar no mesmo dia em que se cumprem as
obras prescritas.
Que a Virgem Maria
e todos os Santos obtenham para os fiéis abundantes
graças do nosso generoso Deus, Amém.
|
Voltar |
|