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WB00860_.GIF (262 bytes) Resenhas - Pe. Giorgio Paleari
            - Pela Estrada da Vida
            - O monge e o Filósofo - O Budismo Hoje
WB00860_.GIF (262 bytes) O missionário como peregrino -  Pe. Giorgio Paleari
WB00860_.GIF (262 bytes) Eucaristia - A. Martins
WB00860_.GIF (262 bytes) O Grande Jubileu - A. Martins

WB00860_.GIF (262 bytes) Pe. Giorgio PaleariResenhas 

Livro: Pela estrada da vida. Prática do diálogo inter-religioso

De Michael Amaladoss, s.j., São Paulo, Paulinas,
1996, 260 páginas.

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No mundo plural, a prática do diálogo inter-religioso se torna uma imperativo. Nem sempre, no entanto, é claro como proceder no diálogo. Há medos sobre a perda da identidade por parte de quem toma a iniciativa em dialogar, como há receios sobre a real intenção do diálogo que pode parecer uma relativização da verdade.

Segundo o autor, o diálogo precisa ir além da partilha de opinião e experiências e chegar ao desafio mútuo e à colaboração, na tarefa de construir uma nova humanidade.

Depois de uma breve introdução, em que retoma os desafios do diálogo inter-religioso, o autor examina os problemas do pluralismo de crença religiosa no que se refere aos símbolos, rituais de cura e auto-manifestação divina revelada. Amaladoss destaca a natureza social do ritual religioso e discute as implicações de rezar junto com pessoas de outras religiões. Refere-se explicitamente ao famoso dia 27 de outubro de 1.986, em que João Paulo II uniu-se em oração com membros de outras religiões na busca da paz universal. Um dado relevante do livro é que, para o autor, o diálogo não pode se restringir a um grupo de especialistas, mas pode ocorrer igualmente nas camadas populares. Neste último caso, parece mais uma forma existencial e prática de construir um mundo mais fraterno. A perspicácia do autor está propriamente em propor que o diálogo tenha diferentes facetas, desde o testemunho pessoal e silencioso, passando pela discussão teológica e vislumbrando a prática cotidiana de construir novas relações. As reflexões estão expostas em contexto pastoral, embora levantem e esclareçam muitas questões teológicas.

 

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De Jean-François Revel e Matthieu Ricard. São Paulo,
Mandarim, 1999, 288 páginas.

foto 119.bmp (62354 bytes)

O título que os autores queriam dar ao livro era "O Budismo e o Ocidente", mas esse foi mudado para o atual "O Monge e o Filósofo". Através de um diálogo, dois interlocutores privilegiados, pai e filho, se encontram para analisar por que o budismo tem uma eficácia particular no Ocidente.

O monge é o filho, Matthieu Ricard, nascido em 1946. Depois de seguir os estudos científicos de biologia molecular que o levaram ao doutorado em 1972 e à defesa de uma tese significativa diante de uma banca examinadora cujo presidente era François Jacob, o famoso vencedor do Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, Matthieu larga tudo e se faz monge budista, passando a residir definitivamente na Ásia, para acompanhar os ensinamentos de seus mestres tibetanos.

O filósofo é o pai, Jean-François Revel, nascido em 1924. É um filósofo que considera vã toda metafísica e, como tal, declara-se profundamente agnóstico. Ao longo do livro, emerge uma enraizada estrutura filosófica que põe o pai sempre em contraposição ao filho, na discussão dos fundamentos budistas em comparação com a filosofia ocidental.

A pergunta que está a base do diálogo entre o monge e o filósofo é a possibilidade de o budismo se expandir cada vez mais no Ocidente. Por que o budismo é tão atraente para os ocidentais? Isso revelaria uma lacuna, algo ausente, na civilização ocidental, científica e técnica? O desenrolar-se do livro revela uma forte crise no Ocidente e o fracasso do pensamento ocidental – especialmente a falência dos grandes sistemas filosóficos e das grandes utopias políticas. A pós-modernidade traz à tona uma crise da razão instrumental e a necessidade de se confrontar com pensamentos e visões que vêm da Grande sabedoria oriental. O encontro entre o pai e o filho, o filósofo e o monge, aconteceu em 1996 em Hatiban, no Nepal. O texto é envolvente e o diálogo entra, desde o começo, no âmago das questões. Às vezes, a linguagem é muito precisa e reflete a densidade filosófica, mas continua sendo envolvente. A todo momento, somos levados a acompanhar o raciocínio dos dois, numa série de perguntas e respostas que nos permitem também ser desafiados e questionados. O texto parece um romance e somos sempre induzidos a ir além para ver o desfecho.

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WB00860_.GIF (262 bytes) O missionário como peregrino

De Pe. Giorgio Paleari

Toda a história do povo de Israel é marcada pelo ato de caminhar: Abraão deve deixar sua própria terra; o povo escravo no Egito caminha por mais de quarenta anos através do deserto; o próprio Yahweh é percebido como uma presença intima e móvel. Mais tarde, as celebrações rituais retomam o tema do êxodo transformando-o  em peregrinação .

No Novo Testamento, Jesus é o peregrino que não somente participa da peregrinações ao templo, mas que faz de toda a sua vida uma longa peregrinação para Jerusalém, onde será preso e crucificado.Aos discípulos é pedido que percorram o mesmo caminho até o sofrimento e morte.A experiência da morte e da ressurreição de Jesus converterá os peregrinos galileus amedrontados (Mc 14,27) em verdadeiros missionários que vão para toda a parte (Mc 16,20). E é através do seguimento de Jesus que os missionários vão se fazendo discípulos do mestre.

Ser um peregrino é desinstalar-se continuamente; é fazer da vida um contínuo deslocar-se de um lugar para outro, solidarizando-se com os desenraizados e migrantes ; é torna-se um companheiro na busca de uma morada. Mas, ainda mais, o missionário aponta para outra morada “porque não temos aqui cidade permanente , mas estamos à procura da cidade que está para vir” (Heb 13,14).

O tema do enraizamento e do desenraizamento e, ao mesmo tempo, a vida presente e aquela que deve vir representam uma tensão que gera a missão.O caminho missionário acontece propriamente nessa tensão constante entre o presente o futuro.

A espiritualidade do missionário é caracterizada por uma peregrinação em busca de uma morada definitiva. É um deslocar-se constantemente para buscar o definitivo, superando o provisório, o efêmero, o limitado e o temporário. A história da missão e dos missionários representa uma epopéia de andanças e de movimento de pés que se deslocam entre trilhas e veredas, em florestas, em morros enlameados e sobre asfaltos esburacados.É um caminho de encontros com culturas e religiões , as mais diversas possíveis , apontando para além dos horizontes. “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda criatura.”(Mc 16,15). Representa sempre uma busca e traduz-se  em encontros: o encontro com Deus e o encontro dos irmãos.

O peregrino não leva nada consigo, somente o essencial. Uma sacola, uma roupa e um bastão são o suficiente. Há peregrinos espalhados no mundo todo que dependem do apoio e da bondade das pessoas . Há peregrinos urbanos que, nas grandes megalópoles, se solidarizam com os despossuídos e põe suas energias a serviço da vida. É preciso andar sem parar nunca, deslocar-se a procura do absoluto e na realização do projeto de Deus.

Pe. Giorgio Paleari

Revista Mundo e Missão

Novembro 1999 – Ano 6 n. 37

Pe. Giorgio Paleari

Revista Mundo e Missão

Novembro 1999 – Ano 6 n. 37

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WB00860_.GIF (262 bytes)Eucaristia

Entre as celebrações rituais da Igreja Apostólica, que são recordadas com certo relevo e também descritas em linhas maiores no N.T., está certamente a “Lei do Senhor”. (1Cor 11,20).

Paulo fala disso num amplo contexto (1 Cor. 10-14), referindo-se às Reuniões de Oração a serem observadas segundo a “tradição que ele transmitira aos fiéis e que ele também tinha recebido" (1 Cor 11,2,23).

Mas essa “tradição” era perturbada por práticas novas que se estavam introduzindo e que alteravam sobretudo a celebração da “Ceia do Senhor”      (1 Cor 11,20), tirando-lhe o caráter de “reunião eclesial” no sentido forte        (1 Cor 11,18-22), indispensável para que ela fosse, de fato, a “Ceia do senhor”.

Desejando restabelecer o verdadeiro sentido da celebração, Paulo apela para a “tradição recebida do Senhor” (1 Cor 11,23) e cita explicitamente a Ceia do Senhor que ele tinha ensinado aos Fieis em Corinto, numa relação celebrativa direta da Ceia de Jesus da “noite em que foi entregue” (1 Cor. 11,23). Por causa deste aspecto celebrativo, a "Ceia do Senhor", passou a ser celebrada em Corinto do mesmo modo que em Jerusalém: dizia-se uma “Oração de Benção” (Mt 26,26; Mc 14,22; de “Eucaristia” ( Mt 26, 27; Mc 14,23), e o vinho do cálice era oferecido aos presentes como sangue da Aliança.

Mas esta seqüência de ritual de gestos e oração faria aparecer de modo idêntico na “Ceia do Senhor” da comunidade de Corinto a ultima ceia de Cristo, certamente não se justifica por desejo sentimental de repetir ações que Jesus fizera na hora solene em que já se encaminhava para a morte, mas como resposta ao mandamento de Cristo, segundo o qual “aquilo que ele fez deve ser feito sempre em memória dele”. (1 Cor 11,24-25). Com isso, porém, a “Ceia do Senhor”, elevada a celebração “memorial”, assume em seu rito e em seu significado uma posição análoga a celebração Pascal Hebraica e até a supera, porque Cristo, a cuja imolação sacrificial se soma o evento salvífico, que é o objeto do “memorial” da “ceia do Senhor”, é a Páscoa definitiva (1 Cor 5,7). A “Ceia do senhor” é, com efeito, proclamação da morte do Senhor (1 Cor 11, 26).

O MINISTRO OU MINISTÉRIO DA EUCARISTIA

Paulo usa os termos acima caracterizando o serviço ao próximo. Os ministros eram escolhidos a partir de seu testemunho e compromisso na comunidade     (At 6, 1-7; 2 Cor 3,3), porque estavam exercendo o Serviço da Fraternidade de Misericórdia, portanto, seu estilo e estado de vida eram reconhecidos por toda comunidade (At 6,1-7).

Para exercer tal apostolado, o Espírito Santo, que opera a santificação do povo, deve antes, santificar os ministros. Estes recebem do Senhor tal graça e, devem viver dela e por ela, particularmente os que ministram a “Ceia do senhor”.Alimentados por uma verdadeira caridade, devem viver seu apostolado.

A espiritualidade do ministro (testemunho, serviço e oração), deve revestir-se de modo particular conforme seu chamado. Não pode ficar inerte, mas aperfeiçoar-se na caridade, na instrução e no testemunho de modo que as qualidades e os dons que lhe foram conferidos pelo Espírito Santo, sejam vivenciados e reconhecidos.

Tal apostolado não consiste apenas em assistência ao altar ou ao enfermo. O verdadeiro servo, procura ocasião para levar o Cristo, despertar o ouvinte, confirmá-lo para uma vida mais cristã e mais fervorosa.(2 Cor 5,14).

No seu coração ressoa o grito do verdadeiro apostolo. “Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho!”. (1 Cor 9,16)

“LOUVADO SEJA NOSSO SENHOR JESUS CRISTO”

Artigo enviado por Martins

Bibliografia:

-          Catecismo da Igreja Católica

-          Didaché (Vozes)

-          Santo Domingos

-          Cristifidelis Laici

-         Teologia e História da Celebração 

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WB00860_.GIF (262 bytes)O GRANDE JUBILEU

O que vem a ser Jubileu?

Jubileu significa celebrar com alegria “...o ano da Graça do Senhor” (Lc 4,19). A Igreja quis sempre demonstrar seu amor a Deus através de gestos e símbolos que representassem o verdadeiro sentido da presença do Criador. Dentre as várias celebrações que marcam diariamente os cristãos, a Igreja Visível de Jesus Cristo quis manifestar, através do Jubileu, uma atitude a mais de louvar a Deus, Trindade Santa.

Historicamente, a palavra Jubileu procurou conferir, na celebração, a manifestação de amor e pertença filial a Deus e procurou anunciar que essa mesma celebração deveria ser marcada com visível caridade entre os cristãos, como sinal da presença viva de Deus e como anúncio aos que não crêem em Jesus Cristo como o único Salvador e Redentor.

Quando foi celebrado o primeiro Jubileu?

O papa Bonifácio VIII, em 1300, convocou o primeiro Jubileu na História da Igreja. Com essa convocação, o Papa chamava os cristãos a uma reflexão em torno da palavra de Deus. O Papa queria motivar os cristãos a viver intensamente o Batismo e Comungar de Jesus Vivo e Ressuscitado. O Jubileu quis ser um alento às tristezas, um refrigério às dificuldades e uma manifestação externa das alegrias da autenticidade dos discípulos de Jesus Cristo. Essa convocação chamou os cristãos a peregrinarem a Roma, cidade onde foram martirizados, em nome da fé cristã, os apóstolos Pedro e Paulo. A História da Igreja nos lembra as atitudes heróicas desses Apóstolos, e Roma como o lugar onde anunciaram o Evangelho e testemunharam a fé. No ano de 1300, a Igreja celebrou o primeiro Jubileu da História.

A princípio, o Ano Jubilar ou Ano Santo deveria ser celebrado a cada 100 anos. A História da Igreja relata que o papa Clemente VI reduziu o período para 50 anos, o papa Urbano VI reduziu para 33 anos (compreendendo o tempo da vida de Cristo) e o papa Paulo II reduziu para 25 anos. O limite de tempo quer simplesmente ser um ponto de referência onde os papas perceberam que deveria haver um intervalo menor entre as celebrações, para que uma pessoa pudesse celebrar vários Jubileus.

O papa João Paulo II dedicou 3 anos preparatórios para o grande evento. O ano de 1997 foi dedicado a Jesus Cristo. O ano de 1998 foi dedicado ao Espírito Santo. O ano de 1999 foi dedicado ao Pai. A História precisa o tempo para que o evento seja celebrado com festa. Lembra-nos São Paulo “... quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu filho...” (Gal 4,4). O papa quis uma preparação anterior para que o ano 2000 fosse marcado como um tempo de conversão e de graça.

No dia 29 de novembro de 1998, no primeiro Domingo do Advento, o papa João Paulo II nos ofereceu um documento orientando o porquê do Ano Santo e como podemos celebrá-lo. O documento é a Bula de Proclamação do Grande Jubileu do Ano 2000 com o título “O Ministério da Encarnação”. O documento nos diz que “... o Grande Jubileu... tenha início na noite de Natal de 1999... e se prolongará até... dia da Epifania de nosso Senhor Jesus Cristo, a 06 de janeiro de 2001”.

Na noite de Natal de 1999, houve a abertura da Porta Santa, isto é, simbolicamente derruba-se uma porta de tijolos construída na Basílica de São Pedro, marcando, assim, o início do Ano Santo e a nossa inteira conversão ao Cristo Ressuscitado. Devemos quebrar nossas amarras e nosso orgulho, eliminar nossos pecados e entrarmos em comunhão com Deus e os outros. A primeira vez que houve a abertura da Porta Santa foi em 1423 na Basílica do Santíssimo Salvador de Latrão, evocando a passagem do Evangelho “Eu sou a porta” (João 10,7). A abertura da Porta Santa não significa simplesmente entrar na Basílica, mas é lembrar que Jesus é a Porta que nos conduz ao Pai. Jesus Cristo é o único Salvador, Redentor e Mediador (cf 1 Tim 2,5-6).

Durante o Grande Jubileu do Ano 2000, ano declarado Santo pelo Papa para o mundo inteiro, há três sinais importantes: a peregrinação (romaria), a Porta Santa e as indulgências.

A peregrinação (romaria) lembra a nossa condição de peregrinos. Todos somos romeiros e romeiras. Caminhamos, guiados por Jesus e vivificados pelo Espírito Santo, para a casa do Pai Celeste. Expressamos na romaria a nossa vida, que é permanente peregrinação. De todo romeiro ou peregrino pede-se vigilância, oração, sacrifício.

A Porta Santa lembra-nos Jesus, a Porta pela qual todos devem passar: “Eu sou a porta. Quem entrar por mim será salvo” (João 10,9). Passar pela porta santa significa para o cristão confessar que Jesus Cristo é o Senhor, revigorando nele a fé, para se viver a vida nova que Jesus nos trouxe.

A indulgência, que é a remissão da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa, manifesta a plenitude da misericórdia do Pai Celeste, que vem ao encontro de todos com o seu imenso amor expresso, sobretudo, no perdão de nossas faltas.

Para ganhar a graça do Grande Jubileu é preciso visitar o Santuário designado pela Diocese. Essas visitas devem constar de três grandes sinais: devem ter o caráter de peregrinação; passar pela porta santa, que será a porta principal dessa igreja, e ganhar a indulgência plenária, uma vez ao dia, tendo-se devidamente confessado, comungado e rezado na intenção do Santo Padre, o Papa, ao menos o “Pai Nosso” e o “Creio”.

A confissão deve ser individual e íntegra e ser feita freqüentemente. A Eucaristia, necessária para a indulgência, é conveniente que tenha lugar no mesmo dia em que se cumprem as obras prescritas.

Que a Virgem Maria e todos os Santos obtenham para os fiéis abundantes graças do nosso generoso Deus, Amém.

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