26 de novembro de
2002
Discurso do Papa João Paulo II
aos Bispos dos Regionais Sul III e IV do Brasil em visita "Ad Limina
Apostolorum"
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CARTA
APOSTÓLICA DE SUA SANTIDADE JOÃO PAULO II
«DIVINI AMORIS SCIENTIA»
Fonte: Jornal L'Osservatore Romano
Santa Teresa
do Menino Jesus e da Santa Face é proclamada Doutora da Igreja
1. A CIÊNCIA DO AMOR DIVINO, que o Pai das misericórdias efunde
mediante Jesus Cristo no Espírito Santo, é um dom concedido aos pequeninos
e aos humildes, para que conheçam e proclamem os segredos do Reino,
escondidos aos entendidos e aos sábios: por isso Jesus exultou no Espírito
Santo, dando louvor ao Pai, que assim dispôs (cf. Lc 10, 21-22; Mt 11,
25-26). Alegra-se também a Mãe Igreja ao constatar como, ao longo do
decurso da história, o Senhor continua a revelar-Se aos pequeninos e
aos humildes, habilitando os Seus eleitos, por meio do Espírito, o Qual
«tudo penetra até às profundezas de Deus» (1 Cor 2, 10), a falarem das
graças «que Deus nos concedeu... não com palavras doutas, de sabedoria
humana, mas com aquelas que o Espírito ensina e que exprimem as coisas
espirituais» (1 Cor 2, 12-13). Deste modo o Espírito Santo guia a Igreja
para a verdade inteira, provê-a de diversos dons, enriquece-a com os
seus frutos, rejuvenesce-a com a força do Evangelho e torna-a capaz
de perscrutar os sinais dos tempos, para responder sempre melhor à vontade
de Deus (cf. Lumen gentium, 4 e 12; Gaudium et spes, 4). Entre os pequeninos,
aos quais foram manifestados duma maneira muito especial os segredos
do Reino, resplandece Teresa do Menino Jesus e da Santa Face, monja
professa da Ordem das Carmelitas Descalças, cujo centenário do ingresso
na pátria celeste é celebrado neste ano. Durante a sua vida, Teresa
descobriu «luzes novas, significados ocultos e misteriosos» (Manuscrito
A, 83 v) e recebeu do Mestre divino aquela «ciência do amor», que depois
manifestou com particular originalidade nos seus escritos (cf. Manuscrito
B, 1 r). Essa ciência é a expressão luminosa do seu conhecimento do
mistério do Reino e da sua experiência pessoal da graça. Esta pode ser
considerada como um particular carisma de sabedoria evangélica que Teresa,
como outros Santos e Mestres da fé, hauriu na oração (cf. Manuscrito
C, 36 r).
2. Rápido, universal e constante foi o acolhimento do exemplo
da sua vida e da sua doutrina evangélica no nosso século. Quase à imitação
da sua precoce maturação espiritual, a sua santidade foi reconhecida
pela Igreja no espaço de poucos anos. Com efeito, a 10 de Junho de 1914
Pio X assinava o decreto de introdução da causa de beatificação; a 14
de Agosto de 1921 Bento XV declarava a heroicidade das virtudes da Serva
de Deus, pronunciando nessa ocasião um discurso sobre a via da infância
espiritual; e Pio XI proclamava-a Beata a 29 de Abril de 1923. Pouco
mais tarde, no dia 17 de Maio de 1925, o mesmo Papa diante de uma imensa
multidão, canonizava-a na Basílica de São Pedro, pondo em evidência
o esplendor das suas virtudes, assim como a originalidade da sua doutrina;
e dois anos depois, a 14 de Dezembro de 1927, acolhendo de muitos
Bispos missionários, proclamava-a, juntamente com São Francisco Xavier,
Padroeira das missões.
A partir desses reconhecimentos, a irradiação espiritual de Teresa do
Menino Jesus cresceu na Igrejae dilatou-se no mundo inteiro. Muitos
institutos de vida consagrada e movimentos eclesiais, especialmente
nas jovens Igrejas, escolheram-na como padroeira e mestra, inspirando-se
na sua doutrina espiritual. A sua mensagem, muitas vezes sintetizada
na chamada «pequena via», que não é senão a via evangélica da santidade
para todos, foi objecto de estudo por parte de teólogos e cultores da
espiritualidade. Foram erguidos e dedicados ao Senhor, sob o patrocínio
da Santa de Lisieux, catedrais, basílicas, santuários e igrejas em todo
o orbe. O seu culto é celebrado pela Igreja Católica nos diversos ritos
do Oriente e do Ocidente. Muitos fiéis puderam experimentar a força
da sua intercessão. Muitos, chamados ao ministério sacerdotal ou à vida
consagrada, especialmente nas missões e no claustro, atribuem a graça
divina da vocação à sua intercessão e ao seu exemplo.
3. Os Pastores da Igreja, a começar pelos meus predecessores,
os Sumos Pontífices deste século, que propuseram a sua santidade como
exemplo para todos, puseram também em relevo que Teresa é mestra de
vida espiritual, mediante uma doutrina, ao mesmo tempo simples e profunda,
que ela bebeu nas fontes do Evangelho sob a guia do Mestre divino e,
depois, comunicou aos irmãos e irmãs na Igreja com vastíssima eficácia
(cf. Manuscrito B, 2 v - 3 r).
Esta doutrina espiritual foi-nos transmitida sobretudo pela sua autobiografia
que, tirada dos três manuscritos por ela redigidos nos últimos anos
da sua vida, e publicada um ano depois da sua morte, com o título Histoire
d'une ame (Lisieux 1898), suscitou um extraordinário interesse até aos
nossos dias. Esta autobiografia, traduzida juntamente com os seus outros
escritos em cerca de cinquenta línguas, tornou Teresa conhecida em todas
as regiões do mundo, mesmo fora da Igreja católica. A um século de distância
da sua morte, Teresa do Menino Jesus continua a ser reconhecida como
uma das grandes mestras de vida espiritual do nosso tempo.
4. Não é para admirar, por isso, que tenham sido apresentados
muitos pedidos à Sé Apostólica, a fim de que lhe fosse atribuído o título
de Doutora da Igreja universal. Há alguns anos, e de modo especial ao
aproximar-se a jubilosa celebração do primeiro centenário da sua morte,
esses pedidos chegaram cada vez mais numerosos, também da parte de Conferências
Episcopais; além disso, foram realizados Congressos de estudo e inúmeras
são as publicações que ressaltam como Teresa do Menino Jesus possui
uma extraordinária sabedoria e ajuda, com a sua doutrina, tantos homens
e mulheres de todas as condições a conhecerem e a amarem Jesus Cristo
e o seu Evangelho. À luz destes dados, decidi fazer com que se estudasse
atentamente se a Santa de Lisieux possuía os requisitos para lhe poder
ser atribuído o título de Doutora da Igreja universal.
5.
É-me grato, neste contexto, recordar brevemente alguns momentos da vida
de Teresa do Menino Jesus. Ela nasce em Alençon, na França, a 2 de Janeiro
de 1873. É baptizada dois dias mais tarde na igreja de Notre-Dame, recebendo
os nomes de Maria Francisca Teresa. Os seus pais são Louis Martin e
Zélie Guérin, dos quais reconheci recentemente a heroicidade das virtudes.
Depois da morte da mãe, ocorrida a 28 de Agosto de 1877, Teresa transfere-se
com toda a família para a cidade de Lisieux onde, circundada pelo afecto
do pai e das irmãs, recebe uma formação ao mesmo tempo exigente e repleta
de ternura.
Por volta do final de 1879 aproximase pela primeira vez do sacramento
da penitência. No dia de Pentecostes de 1883 tem a singular graça da
cura de uma grave enfermidade, pela intercessão de Nossa Senhora das
Vitórias. Educada pelas Beneditinas de Lisieux, recebe a primeira Comunhão
a 8 de Maio
de 1884, depois de uma intensa preparação, coroada por uma singular
experiência da graça da
união íntima com Jesus. Poucas
semanas mais tarde, no dia 14 de Junho do mesmo ano, recebe o sacramento
da Crisma, com
viva consciência daquilo que comporta o dom do Espírito Santo na pessoal
participação na graça
do Pentecostes. No Natal de 1886 vive uma experiência espiritual muito
profunda, que qualifica
como «completa conversão». Graças a ela, supera a fragilidade emotiva
consequente à perda
da mãe e inicia «uma corrida de gigante» na via da perfeição (cf. Manuscrito
A, 44 v - 45 v). Teresa
deseja abraçar a vida contemplativa, como as suas irmãs Paulina e Maria,
no Carmelo de Lisieux,
mas é impedida devido à sua jovem idade. Por ocasião de uma peregrinação
na Itália, depois
de ter visitado a Casa Santa de Loreto e os lugares da Cidade eterna,
na audiência concedida pelo
Papa aos fiéis da diocese de Lisieux, no dia 20 de Novembro de 1887,
com filial audácia pede a
Leão XIII a permissão de entrar no Carmelo com 15 anos de idade.
No dia 9 de Abril
de 1888 entra no Carmelo de Lisieux, onde recebe o hábito da Ordem da
Virgem a
10 de Janeiro do ano seguinte, e emite a sua profissão religiosa no
dia 8 de Setembro de 1890, festa
da Natividade da Virgem Maria. Empreende
no Carmelo o caminho da perfeição traçado pela Madre Fundadora, Teresa
de Jesus, com
autêntico fervor e fidelidade, no cumprimento dos diversos ofícios comunitários
que lhe são confiados.
Iluminada pela Palavra de Deus, provada de modo particular pela doença
do seu amadíssimo
pai, Louis Martin, que morre a 29 de Julho de 1894, Teresa encaminha-se
para a santidade,
insistindo na centralidade do amor. Descobre e comunica às noviças,
confiadas aos seus cuidados,
a pequena via da infância espiritual, em cujo progresso ela penetra
sempre mais no mistério da
Igreja e, atraída pelo amor de Cristo, sente crescer em si a vocação
apostólica e missionária, que a
leva a atrair consigo todos ao encontro com o Esposo divino.
No dia 9 de Junho
de 1895, na festividade da Santíssima Trindade, oferece-se vítima de
holocausto ao
Amor misericordioso de Deus. A 3 de Abril do ano seguinte, na noite
entre a Quinta-Feira e a Sexta-Feira
Santa, tem uma primeira manifestação da doença, que a levará à morte.
Teresa acolhe-a como
a misteriosa visita do Esposo divino. Ao mesmo tempo entra na prova
da fé, que durará até à sua
morte. Tendo piorado a sua saúde, a 8 de Julho de 1897 é transferida
para a enfermaria. As suas irmãs
e outras religiosas recolhem as suas palavras, enquanto os sofrimentos
e as provas, suportados com
paciência, se intensificam até culminarem com a morte, na tarde de 30
de Setembro de 1897. «Eu
não morro, entro na vida», tinha escrito a um seu irmão espiritual,
Padre Bellière (Cartas 244). As
suas últimas palavras «Meu Deus, eu Te amo» são o sigilo da sua existência.
6. Teresa do Menino
Jesus deixou-nos escritos que justamente lhe mereceram a qualificação
de mestra
de vida espiritual. A sua obra principal continua a ser a narração da
sua vida nos três manuscritos
autobiográficos (Manuscritos autobiográficos A, B e C), publicados antes
com o título,que bem depressa se tornou célebre, de História de uma
alma. No
Manuscrito A, redigido a pedido da irmã Inês de Jesus, então Priora
do mosteiro, e a ela entregue
a 21 de Janeiro de 1896, Teresa descreve as etapas da sua experiência
religiosa: os primeiros
anos da infância, especialmente o evento da sua primeira Comunhão e
da Crisma, a adolescência,
até ao ingresso no Carmelo e à sua primeira profissão de votos.
O Manuscrito B,
redigido durante o retiro espiritual do mesmo ano a pedido da sua irmã,
Maria do Sagrado
Coração, contém algumas das páginas mais belas, mais conhecidas e citadas
da Santa de Lisieux.
Nelas se manifesta a plena maturidade da Santa, que fala da sua vocação
na Igreja, Esposa de
Cristo e Mãe das almas. O
Manuscrito C, escrito no mês de Junho e nos primeiros dias de Julho
de 1897, a poucos meses da sua
morte, e dedicado à Priora Maria de Gonzaga, que lho tinha pedido, completa
as recordações do
Manuscrito A sobre a vida no Carmelo. Estas páginas revelam a sabedoria
sobrenatural da autora.
Deste período final da sua vida, Teresa traça algumas experiências altíssimas.
Dedica páginas comoventes
à prova da fé: uma graça de purificação que a imerge numa longa e dolorosa
noite escura,
que se ilumina pela sua confiança no amor misericordioso e paterno de
Deus. Mais uma vez, e
sem se repetir, Teresa faz brilhar a cintilante luz do Evangelho.
Encontramos aqui
as páginas mais belas por ela dedicadas ao confiante abandono nas mãos
de Deus,
à unidade entre amor de Deus e amor do próximo, à sua vocação missionária
na Igreja.Nestes três manuscritos diversos, que coincidem numa unidade
temática e numa progressiva descrição
da sua vida e do seu caminho espiritual, Teresa entregou-nos uma autobiografia
original que
é a história da sua alma. Dela transparece como foi a sua existência,
na qual Deus ofereceu uma precisa mensagem ao mundo, indicando uma via
evangélica, a «pequena via», que todos podem percorrer,
porque todos são chamados à santidade.Nas 266 Cartas que conservamos,
enviadas aos familiares, às religiosas, aos «irmãos» missionários,Teresa
comunica a sua sabedoria, desenvolvendo um ensinamento que constitui,
de facto, um profundo
exercício de direcção espiritual das almas. Fazem
parte dos seus escritos também 54 Poesias, algumas das quais de grande
dimensão teológica e
espiritual, inspiradas na Sagrada Escritura. Entre estas merecem uma
menção especial Viver de Amor!...
(P 17) e Porque te amo, ó Maria! (P 54), síntese original do caminho
da Virgem Maria segundo
o Evangelho. Devem ser acrescentadas a esta produção 8 Recreações piedosas:
composições poéticas
e teatrais, idealizadas e representadas pela Santa para a sua comunidade,
por ocasião
de algumas festas, segundo a tradição do Carmelo. Entre os outros escritos
deve-se recordar
uma série de 21 Orações. Nem se pode esquecer a écloga das suas palavras,
pronunciadas durante
os últimos meses de vida. Essas palavras, de que se conservam várias
redacções, são conhecidas
como Novissima verba, e também com o título de Últimos Colóquios.
7. Do estudo dos
escritos de Santa Teresa do Menino Jesus e da ressonância que tiveram
na Igreja, podem-se
colher os aspectos salientes da «eminente doutrina», que constitui o
elemento fundamental sobre
o qual se baseia a atribuição do título de Doutora da Igreja.
Deles resulta, antes
de tudo, a existência de um particular carisma de sabedoria. Esta jovem
Carmelita, de facto,
sem uma especial preparação teológica, mas iluminada pela luz do Evangelho,
sente-se instruída
pelo Mestre divino que, como ela diz, é «o Doutor dos Doutores» (Manuscrito
A, 83 v),
do Qual haure os «ensinamentos divinos» (Manuscrito B, 1 r). Sente que
se realizaram nela as palavras
da Escritura: «Se alguém é pequeno venha a Mim...; a misericórdia é
concedida aos pequenos»
(Manuscrito B, 1 v; cf. Pr 9, 4 e Sb 6, 6) e sabe que foi instruída
na ciência do amor, escondida
aos sábios e aos entendidos, que o divino Mestre Se dignou revelar-lhe,
como aos pequeninos
(Manuscrito A, 49 r; cf. Lc 10, 21-22). Pio
XI, que considerou Teresa de Lisieux como «Estrela do seu pontificado»,
não hesitou em afirmar na
homilia do dia da sua Canonização, a 17 de Maio do ano de 1925: «...
eidem Spiritus veritatis illa aperuit
ac patefecit, quae solet a sapientibus et prudentibus abscondere et
revelare parvulis; siquidem haec
- teste proximo decessore nostro - tanta valuit supernarum rerum scientia,
ut certam salutis viam ceteris
indicaret» (AAS 17 [1925] pág. 213). O
seu ensinamento não é só conforme à Escritura e à fé católica, mas sobressai
(«eminet») pela profundidade
e síntese sapiencial alcançada. A sua doutrina é ao mesmo tempo uma
confissão da fé
da Igreja, uma experiência do mistério cristão e uma via à santidade.Teresa
oferece uma síntese amadurecida da espiritualidade cristã: une a teologia
e a vida espiritual,exprime-se com vigor e autoridade, com grande capacidade
de persuasão e de comunicação, como demonstram
o acolhimento e a difusão da sua mensagem no Povo de Deus. O ensinamento
de Teresa exprime com coerência e une num conjunto harmonioso os dogmas
da fé cristã,
como doutrina de verdade e experiência de vida. A respeito disso, não
se deve esquecer que a
inteligência do depósito da fé, transmitido pelos Apóstolos, como ensina
o Concílio Vaticano II, progride
na Igreja sob a assistência do Espírito Santo: «com efeito, progride
a percepção tanto das coisas
como das palavras transmitidas, quer mercê da contemplação e estudo
dos crentes, que as meditam
no seu coração (cf. Lc 2, 19 e 51), quer mercê da íntima inteligência
que experimentam das coisas
espirituais, quer mercê da pregação daqueles que, com a sucessão do
episcopado, recebem o carisma
da verdade» (Dei Verbum, 8). Nos
escritos de Teresa de Lisieux não encontramos talvez, como noutros Doutores,
uma apresentação
cientificamente elaborada das coisas de Deus, mas podemos vislumbrar
um esclarecido testemunho
da fé que, enquanto acolhe com amor confiante a condescendência misericordiosa
de Deus e
a salvação em Cristo, revela o mistério e a santidade da Igreja.
Com razão, portanto,
pode-se reconhecer na Santa de Lisieux o carisma de Doutora da Igreja,
querpelo dom do Espírito Santo que ela recebeu para viver e exprimir
a sua experiência de fé, quer pela particular
inteligência do mistério de Cristo. Nela convergem os dons da lei nova,
isto é, a graça do Espírito
Santo que Se manifesta na fé viva operante por meio da caridade (cf.
S. Tomás de Aquino, Summa
Theol. I-II, q. 106, art. 1; q. 108, art. 1). Podemos
aplicar a Teresa de Lisieux, quanto teve ocasião de dizer o meu Predecessor
Paulo VI a respeito
de outra jovem Santa, Doutora da Igreja, Catarina de Sena: «O que mais
impressiona na Santa
é a sabedoria infusa, isto é, a lúcida, profunda e inebriante assimilação
das verdades divinas e dos
mistérios da fé [...]: uma assimilação favorecida, sim, por dotes naturais
singularíssimos, mas evidentemente
prodigiosa, devida a um carisma de sabedoria do Espírito Santo» (AAS
62 [1970], pág.
675).
8.
Com a sua peculiar doutrina e o seu estilo inconfundível, Teresa aparece
como uma autêntica mestra da fé e da vida cristã. Através dos seus escritos,
como através das afirmações dos Santos Padres,
passa aquela linfa vivificante da tradição católica cujas riquezas,
como afirma ainda o Vaticano
II, «entram na prática e na vida da Igreja crente e orante» (Dei Verbum,
8).A doutrina de Teresa de Lisieux, se aceite no seu género literário,
correspondente à sua educação e à
sua cultura, e se medida com as particulares circunstâncias da sua época,
aparece numa providencial
unidade com a mais genuína tradição da Igreja, quer pela confissão da
fé católica quer pela
promoção da mais autêntica vida espiritual, proposta a todos os fiéis
numa linguagem viva e acessível. Ela
fez resplandecer no nosso tempo o fascínio do Evangelho; teve a missão
de fazer conhecer e amar
a Igreja, Corpo místico de Cristo; ajudou a curar as almas dos rigores
e dos temores da doutrina
jansenista, inclinada a sublinhar mais a justiça de Deus do que a sua
misericórdia divina. Contemplou
e adorou na misericórdia de Deus todas as perfeições divinas, porque
«até mesmo a justiça
de Deus (e talvez mais do que qualquer outra perfeição) me parece revestida
de amor» (Manuscrito
A, 83 v). Deste modo, tornou-se um ícone vivo daquele Deus que, segundo
a oração da
Igreja, «mostra o Seu poder sobretudo no perdão e na misericórdia» (cf.
Missal Romano, Oração
do XXVI Domingo do Tempo Comum). Ainda
que Teresa não apresente um verdadeiro e próprio corpo doutrinal, contudo
particulares fulgores
de doutrina derivam dos seus escritos que, como por um carisma do Espírito
Santo, captam
o centro mesmo da mensagem da revelação numa visão original e inédita,
apresentando um ensinamento
qualitativamente eminente. O
núcleo da sua mensagem, com efeito, é o próprio mistério de Deus Amor,
de Deus Trindade, infinitamente
perfeito em Si mesmo. Se a genuína experiência espiritual cristã deve
coincidir com as verdades
reveladas, nas quais Deus Se comunica a Si mesmo e dá a conhecer o mistério
da Sua vontade
(cf. Dei Verbum, 2), é necessário afirmar que Teresa fez experiência
da revelação divina, chegando
a contemplar as realidades fundamentais da nossa fé, unidas no mistério
da vida trinitária. No
ápice, como fonte e termo, o amor misericordioso das três Pessoas divinas,
como ela o exprime, especialmente
no seu Acto de oferta ao Amor misericordioso. Na base, da parte do sujeito,
está a experiência
de ser filho adoptivo do Pai em Jesus: esse é o sentido mais autêntico
da infânciaespiritual, isto é, a experiência da filiação divina sob
a moção do Espírito Santo. Na base ainda e diante
de nós, está o próximo, os outros, para cuja salvação devemos colaborar
com e em Jesus, com
o Seu mesmo amor misericordioso. Mediante a infância espiritual experimenta-se
que tudo vem de Deus, a Ele retorna e n'Elepermanece, para a salvação
de todos, num mistério de amor misericordioso. Essa é a mensagem doutrinal
ensinada e vivida por esta Santa. Assim
como para os Santos da Igreja de todos os tempos, também para ela, na
sua experiência espiritual,
centro e plenitude da revelação é Cristo. Teresa conheceu a Jesus, amou-O
e fez com que fosse
amado com a paixão de uma esposa. Ela penetrou nos mistérios da Sua
infância, nas palavras do
seu Evangelho, na paixão do Servo sofredor, esculpida no seu Rosto santo,
no esplendor da Sua existência
gloriosa, na Sua presença eucarística. Cantou todas as expressões da
divina caridade de Cristo,
como são propostas pelo Evangelho (cf. PN 24, Jésus, mon Bien-Aimé,
rappelle-toi!).Teresa foi iluminada de maneira particular sobre a realidade
do Corpo místico de Cristo, sobre a variedade
dos seus carismas, dons do Espírito Santo, sobre a força eminente da
caridade, que é como
que o próprio coração da Igreja, na qual ela encontrou a sua vocação
de contemplativa e de missionária
(cf. Manuscrito B, 2 r - 3 v).Finalmente, entre os capítulos mais originais
da sua ciência espiritual devese recordar a sábia exploração,
que Teresa desenvolveu, do mistério e do caminho da Virgem Maria, chegando
aresultados muito próximos da doutrina do Concílio Vaticano II no cap.
VIII da Constituição Lumengentium e de quanto eu mesmo propus na minha
Encíclica Redemptoris Mater, de 25 de Março de 1987.
9. A principal fonte da sua experiência espiritual e do seu ensinamento
é a Palavra de Deus, no
Antigo e no Novo Testamento. Ela mesma o confessa de modo especial,
pondo em relevo o seu
apaixonado amor pelo Evangelho (cf.Manuscrito A, 83 v). Nos seus escritos
contam-se mais de mil citações
bíblicas: mais de quatrocentas do Antigo e mais de seiscentas do Novo
Testamento.
Apesar da preparação inadequada e da falta de instrumentos para o estudo
e a interpretação dos livros
sagrados, Teresa imergiu-se na meditação da Palavra de Deus com uma
fé e uma vivacidade singulares.
Sob o influxo do Espírito conseguiu, para si e para os outros, um profundo
conhecimento da revelação. Com
a sua concentração amorosa na Escritura - teria querido conhecer até
o hebraico e o grego para
compreender melhor o espírito e a letra dos livros sagrados - fez ver
a importância que as fontes
bíblicas têm na vida espiritual, pôs em evidência a originalidade e
o vigor do Evangelho, cultivou
com sobriedade a exegese espiritual da Palavra de Deus, tanto do Antigo
como do Novo Testamento.
Descobriu assim tesouros escondidos, apropriando-se de palavras e episódios,
às vezes não
sem audácia sobrenatural como quando, ao ler os textos de Paulo (cf.
1 Cor 12, 13), intuiu a sua
vocação ao amor (cf. Manuscrito B, 3 r - 3 v). Iluminada pela Palavra
revelada, Teresa escreveu
páginas geniais sobre a unidade entre o amor de Deus e o amor do próximo
(cf. Manuscrito
C, 11 v - 19 r) e identificou-se com a oração de Jesus na Última Ceia,
como expressão da
sua intercessão para a salvação de todos (cf. Manuscrito C, 34 r - 35
r). A sua
doutrina coincide, como já se disse, com o ensinamento da Igreja.
Desde quando era
criança, foi educada pelos familiares para a participação na oração
e no culto litúrgico.
Em preparação para a sua primeira confissão, para a primeira Comunhão
e para o sacramento
da Confirmação, demonstrou um amor extraordinário pelas verdades da
fé, e aprendeu o Catecismo
quase palavra por palavra (cf. Manuscrito A, 37 r - 37 v). No fim da
sua vida escreveu com
o próprio sangue o Símbolo dos Apóstolos, como expressão da sua união
de espírito, sem reservas,
à profissão de fé. Além
de com palavras da Escritura e com a doutrina da Igreja, Teresa nutriuse
desde quando jovem com
o ensinamento da Imitação de Cristo que, como ela mesma confessa, sabia
quase de cor (cf. Manuscrito
A, 47 r). Foram determinantes para a realização da sua vocação carmelitana
os textos espirituais
da Madre Fundadora, Teresa de Jesus, especialmente os que expõem o sentido
contemplativo e
eclesial do carisma do Carmelo teresiano (cf. Manuscrito C, 33 v). Mas
de modo muito
especial Teresa nutriu-se com a doutrina mística de São João da Cruz,
que foi o seu verdadeiro
mestre espiritual (cf. Manuscrito A, 83 r). Portanto, não é para maravilhar
se na escola destes
dois Santos, posteriormente declarados Doutores da Igreja, também ela,
óptima discípula, se tenha
tornado Mestra de vida espiritual. 10.
A doutrina espiritual de Teresa de Lisieux contribuiu para a difusão
do Reino de Deus. Com
o seu exemplo de santidade, de perfeita fidelidade à Mãe Igreja, em
plena comunhão com a Sé de
Pedro, assim como com as particulares graças por ela suplicadas para
muitos irmãos e irmãs missionários,
prestou um particular serviço à renovada proclamação e experiência do
Evangelho de Cristo
e à extensão da fé católica em todas as nações da terra.Não é preciso
que nos detenhemos muito sobre a universalidade da doutrina teresiana
e sobre o amplo
acolhimento da sua mensagem durante o século que nos separa da sua morte:
isto está bem documentado
nos estudos feitos em vista da atribuição do título de Doutora da Igreja
a esta Santa. Importância
particular, a respeito disso, reveste o facto que o próprio Magistério
da Igreja não só reconheceu
a santidade de Teresa, mas pôs também em evidência a sua sabedoria e
a sua doutrina. Já
Pio X disse a respeito dela que era «a maior Santa dos tempos modernos».
Acolhendo com alegria
a primeira edição italiana da História de uma alma, ele exaltou os frutos
que se colhem da espiritualidade
teresiana. Bento XV, por ocasião da proclamação da heroicidade das virtudes
da Serva
de Deus, ilustrou o caminho da infância espiritual e louvou a ciência
das realidades divinas, concedida
por Deus a Teresa, para ensinar aos outros as vias da salvação (cf.
AAS 13 [1921] 449-452).
Pio XI, por ocasião tanto da sua beatificação como da canonização, quis
expor e recomendar
a doutrina da Santa, ressaltando a particular iluminação divina (Discorsi
di Pio XI, vol. I,
Turim 1959, pág. 91) e qualificando-a como mestra de vida (cf.AAS 17
[1925] pp. 211-214). Pio XII,
quando foi consagrada a Basílica de Lisieux em 1954, afirmou entre outras
coisas que Teresa tinha
penetrado, com a sua doutrina, no coração mesmo do Evangelho (cf. AAS
46 [1954] pp. 404408).
O Cardeal Angelo Roncalli, futuro Papa João XXIII, visitou diversas
vezes Lisieux, especialmente
quando era Núncio em Paris. Durante o seu pontificado manifestou em
várias circunstâncias
a sua devoção pela Santa e ilustrou as relações entre a doutrina da
Santa de Ávila e da sua
filha, Teresa de Lisieux (Discorsi, Messaggi, Colloqui, vol. II [19591960]
pp. 771-772). Várias
vezes, durante a celebração do Concílio Vaticano II, os Padres evocaram
o seu exemplo e a sua
doutrina. Paulo VI, no centenário do nascimento da Santa, enviava no
dia 2 de Janeiro de 1973 uma
Carta ao Bispo de Bayeux e Lisieux, na qual exaltava o exemplo de Teresa
na busca de Deus, a propunha
como mestra da oração e da esperança teologal, modelo de comunhão com
a Igreja, indicando
o estudo da sua doutrina aos mestres, aos educadores, aos pastores e
aos próprios teólogos
(cf. AAS 65 [1973] pp. 12-15). Eu
mesmo, em várias circunstâncias, tive a alegria de me referir à figura
e à doutrina da Santa, de modo
especial por ocasião da inesquecível visita a Lisieux, a 2 de Junho
de 1980, quando quis recordar
a todos: «De Teresa de Lisieux, pode-se dizer com convicção que o Espírito
de Deus permitiu
ao seu coração revelar directamente, aos homens do nosso tempo, o mistério
fundamental, a realidade
do Evangelho [...]. O ôpequeno caminho" é o caminho da ôsanta infância".
Neste caminho, há
alguma coisa de único, um génio de Santa Teresa de Lisieux. Há ao mesmo
tempo a confirmação
e a renovação da verdade mais fundamental e a mais universal. Que verdade
da mensagem evangélica
é, com efeito, mais fundamental e mais universal do que esta: Deus é
nosso Pai
e nós somos Seus filhos?» (L'Osserv. Rom., ed. port. de 15 de Junho
de 1980, pág. 16). Estas
simples referências a uma ininterrupta série de testemunhos dos Papas
deste século sobre a santidade
e a doutrina de Santa Teresa do Menino Jesus e sobre a difusão universal
da sua mensagem,
exprimem claramente quanto a Igreja acolheu, nos seus pastores e nos
seus fiéis, a doutrina
espiritual desta jovem Santa. Sinal de acolhimento eclesial do ensinamento
da Santa é o recurso à sua doutrina em muitos documentos
do Magistério ordinário da Igreja, de modo especial quando se fala da
vocação contemplativa
e missionária, da confiança em Deus justo e misericordioso, da alegria
cristã, da vocação
à santidade. É testemunho disto a presença da sua doutrina no recente
Catecismo da Igreja
Católica (nn. 127, 826, 956, 1011, 2011, 2558). Aquela que tanto gostou
de aprender no catecismo
as verdades da fé, mereceu ser incluída entre as testemunhas autorizadas
da doutrina católica.
Teresa possui uma
universalidade singular. A sua pessoa e a mensagem evangélica da «pequena
via» da confiança
e da infância espiritual encontraram e continuam a encontrar um acolhimento
surpreendente, que
transpôs todos os confins. A
influência da sua mensagem compreende, antes de tudo, homens e mulheres
cuja santidade ou heroicidade
das virtudes a própria Igreja reconheceu, pastores da Igreja, cultores
da teologia e da espiritualidade,
sacerdotes e seminaristas, religiosos e religiosas, movimentos eclesiais
e comunidades novas,
homens e mulheres de todas as condições e de todos os continentes. A
todos Teresa traz a sua
confirmação pessoal que o mistério cristão, do qual ela se tornou testemunha
e apóstola fazendo-se
na oração, como ela se exprime com audácia, «apóstola dos apóstolos»
(Manuscrito A,56 r), deve ser tomado à letra, com o maior realismo possível,
porque tem um valor universal no tempo
e no espaço. A força da sua mensagem está na ilustração concreta de
como todas aspromessas de Jesus encontram plena actuação no crente,
que sabe acolher com confiança na própria vida
a presença salvífica do Redentor.
11. Todas estas razões são testemunho claro da actualidade da doutrina
da Santa de Lisieux e da particular
incidência da sua mensagem sobre os homens e as mulheres do nosso século.
Concorrem, além
disso, algumas circunstâncias que tornam ainda mais significativa a
sua designação como
Mestra para a Igreja no nosso tempo. Antes
de tudo, Teresa é uma mulher que, ao aproximar-se do Evangelho, soube
colher riquezas escondidas
com aquela consistência e profunda ressonância vital e sapiencial, que
é própria do génio feminino.
Ela emerge, pela sua universalidade, na plêiade das mulheres santas
que resplandecem pela sabedoria
do Evangelho. Teresa
é, depois, uma contemplativa. No
escondimento do seu Carmelo viveu a grande aventura da experiência cristã,
até conhecer largura, o comprimento, a altura e a profundidade
do amor de Cristo (cf. Ef 3, 18-19). Deus quis que
não permanecessem escondidos os Seus segredos, mas habilitou Teresa
a proclamar os segredos
do Rei (cf. Manuscrito C, 2 v). Com a sua vida, Teresa oferece um testemunho
e uma ilustração
teológica da beleza da vida contemplativa, como total dedicação a Cristo,
Esposo da Igreja,
e como afirmação viva da primazia de Deus sobre todas as coisas. A sua
é uma vida escondida, que possui uma arcana fecundidade
para a dilatação do Evangelho e impregna a Igreja e o
mundo com o bom odor de Cristo (cf. Letras 169, 2 v). Teresa de Lisieux,
por fim, é uma jovem. Atingiu a maturidade da santidade em plena juventude
(cf. Manuscrito
C, 4 r). Desse modo, ela propõe-se como Mestra de vida evangélica, particularmenteeficaz
ao iluminar os caminhos dos jovens, aos quais compete ser protagonistas
e testemunhas do Evangelho
junto das novas gerações.Teresa do Menino Jesus é não só a mais jovem
Doutora da Igreja, mas também a mais próxima de nós
no tempo, como que a sublinhar a continuidade com que o Espírito do
Senhor envia à Igreja os seus
mensageiros, homens e mulheres, como mestres e testemunhas da fé. Com
efeito, quaisquer que sejam
as variações, que se possam constatar no curso da história e não obstante
as repercussões que elas
costumam ter na vida e no pensamento das pessoas de cada época, não
devemos perder de vista
a continuidade que une entre si os Doutores da Igreja: eles continuam,
em qualquer contexto histórico,
testemunhas do Evangelho que não muda e, com a luz e a força que lhes
vêm do Espírito, tornam-se seus mensageiros voltando a anunciá-lo na
sua pureza aos contemporâneos. Teresa é Mestra
para o nosso tempo, sedento de palavras vivas e essenciais, de testemunhos
heróicos e críveis.
Por isso ela é amada e acolhida também por irmãos e irmãs das outras
Comunidades cristãs e
até por quem nem sequer é cristão.
12. Neste ano, em que se celebra o Centenário da gloriosa morte de Teresa
do Menino Jesus e da Santa Face, enquanto nos preparamos para a celebração
do Grande Jubileu do Ano 2000, depois de
ter recebido numerosos e autorizados pedidos, especialmente da parte
de muitas Conferências Episcopais
do mundo inteiro, e depois de ter acolhido o pedido oficial, ou Supplex
Libellus, que me foi
dirigido em data de 8 de Março de 1997 pelo Bispo de Bayeux e Lisieux,
assim como da parte do
Prepósito-Geral da Ordem dos Carmelitas Descalços da Bem-aventurada
Virgem Maria do Monte
Carmelo e da parte do Postulador-Geral da mesma Ordem, decidi confiar
à Congregação para
as Causas dos Santos, competente na matéria, «praehabito voto Congregationis
de Doctrina Fidei
ad eminentem doctrinam quod attinet» (Const. Apost. Pastor bonus, 73),
o peculiar estudo da causa
para a atribuição do Doutoramento a esta Santa. Recolhida a necessária
documentação, as duas mencionadas Congregações enfrentaram a questão
nas respectivas
Consultas: a da Congregação para a Doutrina da Fé, a 5 de Maio de 1997,
no quese refere à «eminente doutrina», e a da Congregação para as Causas
dos Santos, a 29 de Maio do mesmo
ano, para examinar a especial «Positio». No dia 17 de Junho sucessivo,
os Cardeais e os Bispos
membros dessas Congregações, seguindo um modo de proceder por mim aprovado
para a ocasião,
reuniram-se numa Sessão Interdicasterial plenária e discutiram a Causa,
exprimindo unanimemente
um parecer favorável à concessão do título de Doutora da Igreja universal
a Santa Teresa
do Menino Jesus e da Santa Face. Esse parecer foi-me notificado pessoalmente
pelo Senhor Cardeal
Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, e pelo
Pró-Prefeito da Congregação
para as Causas dos Santos, D. Alberto Bovone, Arcebispo Titular de Cesarea
in Numidia.
Em consideração disto, no dia 24 de Agosto passado, no momento da oração
do «Angelus», na presença
de centenas de Bispos e diante de uma imensa multidão de jovens do mundo
inteiro, reunida
em Paris para a XII Jornada Mundial da Juventude, eu quis pessoalmente
anunciar a intenção de
proclamar Teresa do Menino Jesus e da Santa Face Doutora da Igreja universal,
por ocasião da celebração
do Dia Mundial das Missões (em Roma). Hoje, 19 de Outubro de 1997, na
Praça de São Pedro, repleta de fiéis provenientes de todas aspartes
do mundo, estando presentes numerosos Cardeais, Arcebispos e Bispos,
durante a solenecelebração eucarística proclamei Doutora da Igreja universal
Teresa do Menino Jesus e da SantaFace, com estas palavras: Vindo ao
encontro dos desejos de um grande número de Irmãos noEpiscopado e de
muitíssimos fiéis do mundo inteiro, ouvido o parecer da Congregação
para asCausas dos Santos e obtido o voto da Congregação para a Doutrina
da Fé naquilo que concerne
à eminente doutrina, com conhecimento certo e ponderada deliberação,
em virtude da
plena autoridade apostólica, declaramos Santa Teresa do Menino Jesus
e da Santa Face, virgem,
Doutora da Igreja universal. No nome do Pai e do Filho e do Espírito
Santo.Tendo realizado isto no modo devido, estabelecemos que esta Carta
Apostólica seja religiosamente acolhida
e tenha pleno efeito, tanto agora como no futuro: além disso, seja considerado
como julgado e
definido legitimamente, e seja nulo e sem fundamento quanto de diverso
a respeito disto possa ser atentado
por alguém, qualquer que seja a autoridade, de modo consciente ou por
ignorância Dado em Roma, junto de São Pedro, sob o sigilo do anel do
Pescador, no dia 19 do mês de Outubro
do ano do Senhor 1997, vigésimo de Pontificado.