INTERAÇÃO 
   Agradecimentos &
   Testemunhos
   Cartão Virtual
   Espaço Aberto
   Fale Conosco
   Peça sua Oração
   Vela Virtual
   Ver Cartão
   Viagens
CANAIS
   Entrevistas
   Eventos
   Fotos & Imagens
   Indique este Site
   Links
   Santos &
   Orações do Dia
   Sites Úteis
CONTEÚDO
   Arte Sacra
   Artigos
   Bíblia
   Deus Pai
   Espírito Santo
   Glossário
   Igreja
   Jesus Cristo
   Jubileu 2000
   Maria
   Orações
   Outras Religiões
   RCC
   Santos
   Terceiro Milênio
CAMPANHAS
   Pe. Eugenio Maria
   Pe. Roberto
 

I N T R O D U Ç Ã O À LEITURA DE CONFISSÕES DE SANTO AGOSTINHO

Mauro Araujo de Sousa

“Será, talvez, pelo fato de nada do que existe

sem Vós, que todas as coisas Vos contêm? E

assim, se existo, que motivo pode haver para

Vos pedir que venhais a mim, já que não

existiria se em mim não habitásseis?”

            Tratar de Santo Agostinho (354-430) em sua obra Confissões é abordar uma forma religiosa de pensar, uma filosofia cristã, como o próprio denominou seu trabalho. Além disso, essa obra é uma autobiografia em que o autor contrasta sua vida de pecador com a graça divina, mas o faz com preocupações filosóficas existenciais, cuidando de não esquecer do “pathos” humano que lhe era forte. Agostinho, ou mais precisamente Aurelius Augustinus, converteu-se ao cristianismo quando tinha trinta e dois anos de idade. Em seus escritos, ele leva muito em consideração a questão da graça, pois essa fora sua experiência de busca de sentido para a sua vida. Acreditou que o caminho das Sagradas Escrituras e da fé lhe foram abertos através de um chamado divino. A partir de então, o professor de retórica de Tagaste, província da Numídia, atual Argélia, estaria convertido pelas palavras do apóstolo Paulo expressas na leitura que fora conclamado a realizar por um voz que o guiava no momento da conversão. Mônica, sua mãe, certamente foi a responsável por sua mudança, pois, desde a infância do filho, muito rezava para que ele entrasse para o caminho do cristianismo. A verdade é que grandes foram as experiências do converso no campo dos estudos filosóficos, além de seu contato com a perspectiva maniqueísta de explicação religiosa antes da adentrada ao mundo cristão, o que significa que ele sempre preocupara-se com a questão do bem e do mal, por exemplo. Afora e antes de sua vida religiosa, sua existência fora também dedicada aos prazeres, principalmente ao sexual. Teve muitas amantes, porém em especial amara muito uma mulher, com quem teve um filho chamado Adeodato, o qual viera a falecer na adolescência.

            O caso é que Agostinho acabou por sustentar duas famílias, porque perdera seu pai aos vinte anos. Muito o auxiliou nisso sua cadeira de retórica em Cartago e uma dada herança, pela primeira, acabou se tornando um excelente professor e pôde levar sua experiência para outros lugares. Certamente, por durante longo tempo, ateve-se às preocupações com a mulher amada, pois sabia que teria que esperar muito para ficar com ela, pois eram de estratos sociais que não permitiam uma união pela lei. Após tanto sofrimento passional e nas questões da fé, o contato com o bispo de Milão, Ambrósio, bastante o auxiliaria e seria determinante na sua futura carreira eclesiástica. Sem a sua mãe, que morrera, e sem o seu filho e, agora, querendo estender seu amor a todos que abraçassem a causa da Igreja, dedicou-se à fundação de uma comunidade monástica. Mas, o bispo Valério de Hipona, na Argélia, tinha planos para ele e recebera o endosso dos fiéis. Agostinho tornara-se vigário e, mais tarde, seria bispo da mesma cidade, Hipona, e sucessor de Valério. Nas Confissões, ele revelou-se, pela própria experiência de vida, um ótimo conselheiro tanto para questões íntimas e psicológicas quanto para questões filosóficas e teológicas. Outras obras assumiram em suas letras o espírito de luta do bispo de Hipona para sustentar o credo cristão católico. Foram elas: De Trinitate, Contra os Acadêmicos, Solilóquios, Do Livre-Arbítrio, De Magistro, Espírito e Letra, A Cidade de Deus e as Retratações, em geral. Agostinho, de fato, conseguiu influenciar Idade Média adentro e fez parte do que os historiadores da Filosofia denominaram de Patrística, a filosofia dos padres da Igreja. Desta filosofia, originar-se-á mais tarde a escolástica, com São Tomás de Aquino como principal interlocutor. A Patrística representa a consolidação da Igreja na formulação de suas doutrinas para se opor às chamadas heresias, ao paganismo, que lhe colocavam em perigo enquanto Instituição. Na realidade, é uma apologia que sintetiza a filosofia grega clássica com a religião cristã e foi este o trabalho de Agostinho, legado que deixou à sustentação da Igreja Católica. Ele buscara a razão para fundamentar a fé e, através da fé, sustentara a religião revelada. Tal foi a Patrística, um esforço de conciliação das ditas revelações com as idéias filosóficas. Eis o objeto desse pensador cristão que balizou, com seu pensamento, boa parte do espírito medieval católico e que, mesmo em dias contemporâneos a nós, exerce uma enorme fascínio não só pela espiritualidade, mas também pelas reflexões filosóficas e pelas experiências tão próximas da humanidade mesmo em contextos tão diferentes, porque certas vivências são marcantes a ponto de extrapolarem o tempo ou de retornarem sem um fim, numa espécie de movimento cíclico, apesar de em Agostinho o tratamento ser de cunho escatológico, visando o final glorioso do cristianismo.

            “Intellige ut credas, crede ut inteligas”, é necessário compreender para crer e crer para compreender é a tradução. Do ponto de vista lógico, não deixa de ser uma tautologia, porém mostra a síntese entre fé e razão realizada pelo bispo de Hipona. Claro que, como é notável, os sentidos são relegados a um segundo plano, talvez pela superação do Santo no que tange às suas experiências corporais, por exemplo, e, sem dúvida, pela sua aproximação com o platonismo e neoplatonismo. Por outro viés, em Civitas Dei, Cidade de Deus, e no pólo dual, a dos homens, o aspecto racional se faz tão forte a ponto de antecipar o laudo cartesiano do “Penso, logo existo!”, pois assim diz o filho de Mônica: “Se eu me engano, eu sou, pois aquele que não é não pode ser enganado”. Logicamente é a execração da dúvida pela razão. Entretanto, o dualismo platônico permaneceria muito forte em seus pensamentos, afinal o ser pensante não se mesclaria com a materialidade do seu próprio corpo. Tal concepção já é conhecida através do Diálogo Alcibíades, em que Platão é enfático ao afirmar o que é o homem, ou seja, uma alma que se serve de um corpo. A matéria seria inferior à alma, superior. Portanto, eis a capacidade da alma em transcender a materialidade corporal. Além disso, as sensações corpóreas são muito volúveis e o conhecimento eterno depende do imutável, o qual se atinge pela alma. E como a alma atinge essa imutabilidade, símbolo da perfeição divina? Ela é capaz de transcender-se no contato com Deus e, nisso, dar-se-ia a revelação da verdade eterna. Por isso tudo, a alma é mais próxima de Deus que o corpo. É nítida a influência da leitura platônica absorvida por Agostinho.

            Mas, como é possível o imperfeito conhecer o Perfeito? O ser humano é uma centelha dessa perfeição e, assim, basta desenvolver-se pela fé. O restante vem pela iluminação divina, famosa doutrina criada pelo filósofo patrístico em pauta nessas reflexões. Contudo, diferentemente de Platão, a alma não sofre uma teoria da reminiscência, essa lembrança de uma vida anterior junto ao Mundo Perfeito da Idéias. Segundo Agostinho, a alma não se recorda de um passado perfeito, mas é a própria revelação divina que ilumina o presente e essa luz eterna da razão; e, provinda de Deus, é que possibilita o conhecimento das verdades eternas. Desse modo é que a inteligência humana se torna apta a atingir a virtude do conhecer de uma ordem divina. Tudo aquilo que se conhece por verdadeiro é dado por Deus. Essa é a teoria da iluminação divina, tão forte em Santo Agostinho. Mas, há que se ter um cuidado quanto a isto, porque a própria luz não é vista, entretanto ilumina as idéias, o espírito, o que já se faz diferente com relação a Platão, no qual o contato direto com a luz é possível. Uma outra forma, porém, de contemplar essa luz é observar o sol através de condições místicas. Seria estar olhando para um símbolo, cuja representação é a luz de seu Criador. Volta-se, nesse último caso, a algumas elaborações platônicas, com a diferença de o contato ser indireto em Agostinho. Interessante, todavia, é notar que em termos de sentir Deus dentro si, possibilita um estreitamento entre o humano e Deus, como está na citação em destaque ao início deste escrito. Em todo caso, é forte, pois, a influência das leituras que o bispo de Hipona realizou acerca desse clássico grego, mesmo em sua versão latina, já que ficara privado do domínio em bom grau da língua grega, pois se recusava a aprender a língua grega desde a infância. Tivera acesso aos gregos através de traduções latinas, apesar do seu esforço, quando adulto, para aprender as letras originais de Platão. Isso, contudo, não impossibilitou sua empreita, mas dificultou-a um pouco.

            O que seria a alma, na verdade? Um receptáculo da luz divina e, ao mesmo tempo, a abertura do ser humano para Deus, pois a experiência da eternidade acontece nela. Dessa forma, Agostinho internaliza o divino no humano e dá-se a hierofania, essa manifestação do Sagrado. É pela mística que dá-se a união do homem com Deus e, além disso, todo conhecimento de valores, artísticos ou de criação e os científicos emanariam de Deus também. É a presença do Inefável no ser humano e de maneira sempre plena, afinal trata-se da definição de Deus como “Aquele que é”. Assim, se caracteriza a essência e o sentido da vida humana e de tudo que a envolve, menos o pecado. Pois, se o divino é uno, segundo influência de Plotino em Agostinho, não carrega o mal. Também o bispo de Hipona se afastara do maniqueísmo ao entender o mal não como outro ser poderoso. O mal passa a ser a privação do bem. O mal está fora da idéia de ser, está como não-ser e, dessa forma, não compete com o bem como no maniqueísmo. O filho de Mônica supera, em tal ponto, o aspecto que os maniqueus imprimiram em sua formação anterior à sua dedicação ao cristianismo. Só existe, pois, um princípio poderoso: Deus, e o monoteísmo fica justificado. Deus é o único ser supremo e, também, infinitamente bom pela sua misericórdia. É o Agostinho cristão embasando as doutrinas da fé católica.

            Quem seria responsável pelo pecado? Como pode o ser humano pecar, se ele recebe a luz divina? É que ele precisa estar aberto a ela, isto é, Santo Agostinho justifica aqui a teoria do livre-arbítrio. Na antropologia agostiniana, o homem está condenado e somente é salvo pela graça divina. Deus criou o homem livre e dotado de vontade, portanto, quando este se afasta do ser e caminha para o não-ser, aproxima-se do mal e comete os pecados. O próprio ser humano é responsável pelos seus pecados. Pelo pecado, o homem transgride a lei divina, pois feito para ater-se mais à alma, prende-se ao corpo, à matéria, caindo na ignorância e invertendo os valores da existência. Então, como tratar de salvação para quem, por livre escolha, opta por afastar-se do Ser? Como dito, o afastamento dá-se por ignorância, mas Deus, em sua infinita bondade, concede a graça da salvação. É a predestinação agostiniana, pois o Santo baseara-se em sua própria experiência do chamado divino para sua conversão. O poder de salvar não é do homem, é de Deus. Ele é quem salva. A tarefa do homem é abrir-se a Deus. É a graça divina que dirige o ser humano a fazer bom uso do seu livre-arbítrio. Porém, na teoria agostiniana, a salvação não é para todos, há os eleitos. Nisso, Agostinho combateu a tese do monge Pelágio, que enfatizava a salvação pelo livre-arbítrio, dando força ao homem. Porém, o bispo de Hipona elege sua vivência da própria conversão para elencar os motivos da insuficiência humana na questão da salvação. A graça e a liberdade não devem excluir-se, mas completarem-se, pois são, a segunda, um dom, e a primeira, um privilégio divino. A realidade, contudo, mostra que o dualismo platônico se fez presente mais uma vez em Agostinho e ele não conseguiu conciliar a Cidade de Deus com a dos homens. Assim também, de um lado, foi inevitável a concorrência dos seres humanos em condenados e eleitos e essa polêmica atravessaria a Idade Média e adentraria à Moderna. Apesar de todos os seus esforços contra o maniqueísmo, encontrara em Platão a dualidade da qual não conseguiria separar-se.

 
DOUTRINA
• Deus Pai
• Jesus Cristo
• Espírito Santo
• Maria
• Igreja
• Bíblia
APOIO ESPIRITUAL
• Orações
• Peça sua Oração
• Velas Virtuais
CARMELITAS


Carmelitas mensageiras do Espírito Santo

PALAVRA DA IGREJA



• Palavra   do Papa



Medjugorje
• Cartas às Famílias
• Igreja/Documentos

INDIQUE ESTE SITE A UM AMIGO
Seu Nome:

Seu e-mail:

Nome do amigo:

e-mail do amigo:


COPYRIGHT©2001 A Reprodução de qualquer parte do conteúdo deste site é proibida. Conheça nossa política de privacidade