Ensinar
é preciso, porque o coração do missionário transborda de felicidade e
das coisas de Deus. Estimular a revelação do outro também é necessário,
para que nossa busca se torne mais apaixonada. O missionário é sempre
um discípulo em busca do tesouro e do rosto de Deus. O
missionário é pessoa de diálogo. Através de sua vida, aprende e ensina.
Diálogo não é monólogo nem método de conquista do outro. É o processo
de dar e receber, dizer e escutar, ensinar e aprender. Há momentos em
que a escuta é mais fundamental e há momentos em que a palavra deve ser
dita. Para dizer a palavra certa no momento certo é necessário que esta
seja dita a partir do horizonte do outro, dentro do mundo das suas significações
e de sua cosmovisao. É uma palavra que se faz gestação de uma vida nova
e não uma articulação de vocábulos sem sentido. É uma palavra que se faz
carne na morada da vida do outro: “E a Palavra se fez carne e habitou
entre nós” (Jo 1,14). Uma
das mais belas experiências dialógicas acontece ainda hoje nos Círculos
de Cultura de alfabetização de adultos. A gestação do novo vem surgindo
da relação dialógica entre monitores e alfabetizandos, onde, através da
pedagogia da pergunta, o novo saber brota. É um saber que busca a verdade
como criação e transformação do mundo. O mestre é aquele que participa
na gestação deste mundo novo, palavra geradora e realidade transformadora. Ensinar e aprender, portanto, são duas polaridades permanentes que acompanham a vida do missionário. É comum escutar os missionários dizerem: “Eu fui evangelizar e fiquei evangelizado”. O envio à terra e à morada do outro é sempre revestido da ação do Espírito de Deus, o único protagonista da missão. É o Espírito que impulsiona a todos a procurar o verdadeiro rosto de Deus, no tecido das culturas e no coração das pessoas, e incentiva a colaborar na construção do seu Reino. Todos, evangelizadores e evangelizandos, encontram-se no mesmo caminho e são solidários na mesma busca da vida em plenitude. Texto de Giorgio Paleari Revista Mundo e Missão - Maio 2000 – Ano 7 No 42 |
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