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Caridade e salvação
Caridade
e salvação Apontamentos da dogmática para um debate do tema
Frei Osmar Cavaca Caridade e amor são palavras praticamente‘sinônimas nas Escrituras. No entanto, precisamos estar atentos, pois no uso histórico as palavras podem ir se desgastando. Assim, na história cristã, "caridade" esteve quase sempre associada a gestos, às vezes até de um paternalismo assistencial que se mostrou incapaz de chegar às causas da verdadeira pobreza. "Amor", por sua vez, é hoje freqüentemente um termo ambíguo, chegando mesmo a confundir-se com erotismo ou com expressões de egoísmo. Nesta reflexão quero fazer uso do único significado de "amor-caridade" que a Bíblia nos permite conceber: agápe1, entendido como amor de entrega, de doação de si, de comunhão. É, como veremos, esse amor que define Deus, e no qual Deus deseja que a vida humana se defina também. Refletindo essa dupla identidade, divina e humana, no amor, parto do princípio que afirma o ser humano como ser teologal, estruturalmente referido a Deus, e que o amor é justamente a "pedra-de-toque", ou a força unitiva que faz do homem um ser seduzido por Deus, e do divino, um Deus "em busca do homem". Tomo como ponto de partida... CARIDADE, SAÚDE E CIDADANIA (Pe. Christian de Paul de Barchifontaine)
Na área da saúde, a caridade, representada sobretudo pela Igreja, desenvolveu, na sociedade, um papel importante durante muitos anos, através das Santas Casas, de ambulatórios, hospitais e outras instituições de saúde mantidos por Congregações Religiosas e Dioceses. Hoje, o Evangelho da caridade na área da saúde passa pela Pastoral da Saúde. Segundo as Diretrizes de ação da Pastoral da Saúde da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em consonância com o Guia da Pastoral da Saúde para a América Latina e o Caribe do CELAM / DEPAS (Conselho Episcopal Latino Americano / Departamento de Pastoral Social), a Pastoral da Saúde é a ação evangelizadora de todo o povo de Deus comprometido em promover, preservar, defender, cuidar e celebrar a vida, tornando presente no mundo da saúde a ação libertadora de Jesus, nas seguintes dimensões: 1. Solidária: vivência e presença samaritana junto aos doentes e sofredores nas instituições de saúde, na família e comunidade (portadores do vírus HIV, portadores de deficiências, drogados...). Visa atender a pessoa integralmente, nas dimensões física, psíquica, social e espiritual. 2. Comunitária: visa à promoção e... A CARIDADE E A ÉTICA DA VIDA Côn. Dr. José Adriano 1 - Antropologia: caridade e identidade do cristão O homem é a criatura que, pelo fato de ser aquilo que é, se preocupa com sua existência. Heidegger afirmava que em nenhum período, por número e variedade, as noções antropológicas têm se igualado àquelas de que hoje dispomos1 . De fato, em nenhum período, o homem se tornou objeto de tantas questões quanto no nosso tempo. Há, pois, uma simultaneidade de interesse e de ignorância a respeito do homem. A problemática sobre o homem amadurece, historicamente, quando a ordem social se torna instável e quando a essa estabilidade soma-se a estabilidade dos valores éticos. A crise energética, a ameaça nuclear, a ecologia, os limites do desenvolvimento e as ideologias colocam a sociedade em confronto consigo mesma, com uma tremenda perda de identidade da pessoa, enquanto ser social. É evidente que essa situação cultural e social influi profundamente no cristianismo, à medida que os cristãos são pessoas do seu tempo, compartilhando do ambiente em que vivem. Os cristãos, organizados em comunidades, ao procurar solução para os graves problemas humanos... A Caridade na História da Filosofia Pe. Dr. Edelcio Serafim Ottaviani Introdução Definir a caridade em termos filosóficos é tarefa complexa. Não podemos ter a pretensão de englobar em poucas páginas um assunto tão denso que praticamente coincide com o tempo da formação do pensamento ocidental. Como diria Nietzsche e Foucault, se trata sobretudo de uma pesquisa eminentemente genealógica que requer um levantamento dos escritos de todos os filósofos que tratam deste tema ao longo da História da Filosofia. Mas como isso é trabalho para quase uma vida, restringir-me-ei à contribuição de alguns filósofos que procuraram defini-la como sentimento ou mais particularmente, como atitude que ligam os seres-humanos entre si. Sentimento e Atitude que tanto podem propiciar a valorização mútua - reconhecendo-se sujeitos de vontade e necessidades e que possuem um valor em si e por si - quanto o depreciamento da condição humana - quando alguém só passa a ter valor ou estima na medida em que é para o outro, ou seja, enquanto simples objeto satisfazendo os interesses e desejos do outro. Esta noção transcende o que normalmente lhe atribui o senso comum: a atitude de assistência ou beneficência, através de uma... A DIMENSÃO ANTROPOLÓGICA DA CARIDADE Prof. Dr. Renold J. Blank "A caridade se dirige em primeiro lugar ao homem, e por causa disso contém por natureza uma dimensão antropológica". Com essa afirmação, poderíamos encerrar a discussão antes de começá-la, porque quem é o ser humano sabemos e, portanto, conhecemos também a resposta à pergunta pela dimensão antropológica da caridade: - ver no ser humano o meu próximo; - ajudá-lo, quando está em dificuldades; - realizar obras de caridade, pelas quais se revela meu amor por ele na mesma medida que a mim mesmo. Os cristãos conhecem a fórmula que durante séculos acalmou suas consciências de boas obras e pelo número impressionante dos empreendimentos caritativos, começando com hospitais e... CELEBRAR E FAZER O BEM - A DIALÉTIcA DA SANTIDADE Uma leitura da Dinâmica da Caridade na Literatura Patrística Pe. Dr. Antônio Sagrado Bogaz Pressupostos A relação entre a ação litúrgica e a caridade na literatura patrística é muito fecunda. A veracidade sacramental e litúrgica é determinada não por ritos exteriores, mas pela reta intencionalidade e coerência entre intenção e prática. Colhemos o exemplo na relação de Jesus com o templo e sua crítica aos ritualismos exteriores. Nos tempos dos mártires, na Igreja primitiva, há a exigência imperativa de uma prática litúrgica que leve à prática do bem. A vida litúrgica deve inspirar a transformação e fecundar a verdadeira Igreja de Jesus Cristo na construção contínua do Reino de Deus1. A literatura patrística é particularmente útil e necessária para devolver à pregação, à reflexão e à ritualidade cristã o hálito profético que sua inspiração bíblica exige2. Muitos textos patrísticos vão falar da importância da caridade com o próximo e da partilha dos bens. Os Padres da Igreja primitiva mostram que as celebrações geram práticas concretas de ação comunitária. A esmola e a partilha são atitudes que... SEGUIMENTO DE JESUS Uma abordagem a partir da cristologia de Jon Sobrino Irmã Dra. Ivanise Bombonatto A situação de extrema pobreza em que vive grande parte dos seres humanos, a gritante desigualdade social1 , a cultura da indiferença em relação aos pobres2 , a mudança de paradigmas3 , as rápidas transformações sócio-culturais e político-econômicas, características do cenário atual, trazem consigo um imperativo: a necessidade de repensar, constantemente, a fé cristã a partir dessa realidade e à luz do seu evento central: Jesus de Nazaré. Esta tarefa, complexa e exigente, de repensar a fé cristã num mundo desigual e em constantes transformações recoloca, no centro da reflexão cristológica, a questão da continuidade da prática de Jesus através do seu seguimento que está na origem da experiência fundante do cristianismo4 e expressa as dimensões essenciais da existência cristã5 , mas que, por muito tempo, foi relegada ao âmbito da teologia espiritual6 . A cristologia da libertação, na expressão do teólogo Jon Sobrino7 , seu representante mais significativo, busca recuperar a espessura teológica e o significado revelador da vida terrena de Jesus com o objetivo de... Decidido a defender o oprimido (Ex 2,11-15c) Dr. Matthias Grenzer 1. Introdução A narração do ferimento (mortal) de um egípcio (Ex 2,11-15c), por parte de Moisés, é um texto que preocupa muitos leitores, principalmente em vista do uso de força física pelo protagonista da história. Pensando na necessidade de defender o mais fraco numa sociedade opressora e escravista, quais as perspectivas teológico-éticas desse texto bíblico?1. Para compreender melhor a cena de Ex 2,11-15c é bom lembrar, por um instante, o que foi contado antes. O livro do Êxodo inicia com a chegada da família de Jacó no Egito e a história da prosperidade dela. Um pequeno grupo de setenta pessoas transforma-se num povo numeroso (Ex 1,1-7). Mais tarde, o destino desses imigrantes muda completamente. Em razão das sábias medidas do faraó, os hebreus são oprimidos e obrigados a duros trabalhos. Dentre estes, constroem as cidades armazéns de Pitom e Ramsés (Ex 1,8-14). Quem se solidariza, como leitor, com o mais fraco sente, a partir de agora, angústia frente ao destino dos hebreus. Começa, então, um ciclo de narrações que destacam várias tentativas de resistência e oposição ao regime faraônico. A história das parteiras hebréias, Sefra e Fuá (Ex 1,15-22), e a narração da princesa egípcia, da irmã e da mãe de Moisés (Ex 2,1-10) realçam mulheres que agem com esperteza e coragem, opondo-se às ordens e ao poder mortal do faraó, defendendo a vida de crianças inocentes. O pequeno Moisés sobrevive graças à... Resenha do livro: "Do terror de Isaac ao Abbá de Jesus – por uma nova imagem de Deus", de Andrés Torres Queiruga São Paulo, Paulinas, 2001 O livro ora apresentado inaugura a coleção Questões em Debate. Seu Autor já dispensa apresentações ao nosso público. De fato, desde a edição brasileira de sua teologia da revelação1, a obra de Andrés Torres Queiruga vem sendo paulatina e sistematicamente publicada e estudada entre nós. Monografias nos cursos de graduação e dissertações de mestrado dedicadas a seu pensamento, multiplicam-se2. O presente trabalho sai no Brasil duplamente valorizado. Primeiro, porque o próprio Autor aceitou acompanhar passo a passo a tradução. E depois, porque... Dr. Afonso Maria Ligorio Soares |
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