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A Contrição Perfeita (Hugo Ferreira)
A contrição (arrependimento) perfeita não dispensa
a confissão dos pecados mortais, porém, obtém
imediatamente de Deus o perdão desses pecados já antes de estes
serem confessados. É necessário que essa contrição perfeita esteja unida
ao "propósito" de se confessar, assim que seja possível. "Dessa verdade, vemos uma concretização nos dez
leprosos que Nosso Senhor enviara aos sacerdotes (Lc 17,14), e que ficaram
livres da lepra antes de lá chegarem". (Catecismo Romano, II, V,
34) - (O Catecismo da Igreja Católica traz 27 citações ou referências
ao antigo Catecismo Romano). A expressão contrição "perfeita" não significa
uma total intensidade do arrependimento e sim o "tipo" do
arrependimento. Com efeito, há duas espécies de contrição: a imperfeita,
também chamada de "atrição", pela qual a pessoa se arrepende
por medo do castigo, por medo do Inferno. O Papa João Paulo II ensina
que essa contrição é válida para a confissão, mas somente alcança o
perdão no momento de se receber o sacramento da confissão. A "contrição perfeita" é quando nos arrependemos
por ter magoado a um Deus tão bom. No antigo "ato de contrição",
"Senhor meu Jesus Cristo"
estão elencados as duas contrições ou arrependimentos: "Pesa-me,
Senhor, por ter perdido o Céu e merecido o inferno" (imperfeita),
mas também, "pesa-me, Senhor, por vos ter ofendido" (perfeita). A contrição perfeita obtém o imediato perdão dos pecados,
mesmo mortais, mas não o perdão do castigo que esses pecados acarretam
neste mundo ou no Purgatório (contudo, o perdão do castigo eterno, no
inferno, foi obtido). Normalmente o perdão desses outros castigos é obtido
pela instituição das indulgências na Igreja. Isto está contido no poder
de "perdoar os pecados" concedido pelo Senhor à Sua Igreja
(Jo 20,23). Contudo,
se a contrição for "perfeita" também na intensidade, (caso
raríssimo), acarreta o perdão desses outros castigos, mesmo sem a indulgência
da Igreja (refere-se o caso de uma pessoa que foi se confessar e, admirada
por ser a penitência tão pequena comparada com seus pecados tão grandes,
"morreu de amor", tal a intensidade do seu arrependimento
e foi "direto" para o Céu). Mas, normalmente, a contrição é necessária para se
ganhar indulgências, o estado de graça é indispensável para tanto e
a legislação da Igreja sobre as indulgências usa esta expressão: "ao
menos, com o coração contrito". Como se disse,
o Papa João Paulo II declarou que a contrição imperfeita é suficiente,
no momento do Sacramento da confissão. É importante essa declaração
porque, para algumas pessoas, a contrição perfeita é mais difícil de
alcançar do que a imperfeita. Eis as palavras do Santo Padre: "Como é conhecido, para se aproximar do Sacramento
da Penitência é suficiente a atrição,
ou seja, um arrependimento imperfeito, mais devido ao temor do que
ao amor; mas, no âmbito do sacramento, sob a ação da graça que recebe,
o penitente "ex attrito fit contritus" (de atrito se torna
contrito); de tal modo que a Penitência, de fato produz como efeito
em quem se aproxima dela bem disposto a conversão no amor." (Exortação Apostólica "Reconciliação e Penitência" 31,III, com
a nota 185, do tridentino. O documento, infelizmente, está esgotado,
mas possuo o texto em espanhol que posso enviar, como anexo, no seu
e-mail). Mas o mais importante é a gente não permanecer em pecado
mortal nem um instante, cultivando o hábito da contrição perfeita "por
ter ofendido um Amigo, mais do que por medo dos castigos que o pecado
comporta. É quando consideramos o pecado como
'um desprezo ou negligência da amizade pessoal entre Deus e o
homem e uma ofensa contra Deus, ofensa que jamais pode ser avaliada
na justa medida, afinal como a recusa por um coração ingrato do amor
de Deus que nos é oferecido em Cristo, uma vez que Cristo chamou aos
seus discípulos amigos e não mais servos.' (“ Indulgentiarum Doctrina"
3, de Paulo VI - João Paulo II designa este documento como "insigne
monumento do Magistério" - Está incluído no "Manual das Indulgências",
fácil de encontrar). Estas citações eu as estou tirando do meu livro "Coração
Indulgentíssimo de Jesus", editado pela Vozes e que, geralmente
se encontra nas livrarias católicas. É um comentário do "Manual
das Indulgências", o livro oficial da Igreja Católica. Outras publicações
sobre as Indulgências: O próprio "Manual", editado pela 'Paulus'
- indispensável! - "26 questões sobre as Indulgências" da
Editora Ave-Maria" - muito claro e traz no seu bojo a íntegra do
documento “Incarnationis Misterius" de João Paulo II, sobre as
indulgências do Jubileu; e "O
que são as indulgências" (Cléofas/Loyola f. (0xx12) 552-6566). É
doutrina da Igreja: A partir do momento em que se recobra o estado de
graça por um ato de contrição perfeita, já se podem lucrar indulgências
parciais, requerendo, porém, a plenária, o Sacramento da Confissão. E, recobrado assim o estado de graça, as nossas boas
ações passam a ter mérito para o Céu, para a Eternidade e o merecimento
das ações anteriores ao pecado mortal é recuperado. (Mas, para comungar,
a Igreja exige a prévia absolvição sacramental). Texto elaborado por Hugo Ferreira e-mail apostoladohugo@ig.com.br |
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