Considerando que Jesus Cristo é plenamente Deus, que nasceu
possuidor de duas naturezas e duas vontades, sendo Maria mãe de Deus
- porque em Jesus essas duas naturezas não se dissociam - podemos igualmente
dizer que Deus morreu na cruz?
Sim, é correto dizer que Deus morreu na cruz pelo resgate de Suas criaturas!
Mas devemos entender corretamente - para não cairmos no erro de pensar
e ensinar que Deus deixou de existir ou foi diminuido na Sua Glória
- que a natureza humana de Cristo pertence propiamente à pessoa divina
do Filho de Deus que a assumiu. Tudo que Jesus Cristo é, e nela faz,
pertence ao "uno da Trindade" -Catecismo # 470.
Foi Deus quem assumiu a condição humana .O Cristo é um engendramento
de Deus, ele não é um ser criado. Deus assumiu a forma humana para levantar
a punição que Ele mesmo havia imposto à humanidade após o pecado original
cometido por Adão.Deus se une à natureza humana para regenerá-la. Aquele
que não conhecia o pecado se fez maldição na cruz para retirar o pecado
do mundo.
A Segunda Pessoa da Trindade assumiu a natureza humana de maneira que
tudo o que ocorre a Jesus ( como nascer, sofrer, morrer, etc) se atribui
a Sua pessoa que é divina. Há uma verdadeira união entre as três pessoas
da Trindade e uma união hipostática na Segunda-Pessoa da Trindade que
é consubstancial ao Pai. Desse modo ensina o Catecismo católico - a
doutrina oficial da Igreja: "tudo na humanidade de Jesus Cristo deve
ser atribuído a sua pessoa divina como a seu próprio sujeito,não somente
os milagres mas também os sofrimentos ,e mesmo a morte " - Catecismo
# 468.
Exemplo dessa definição: Jesus nasce de Maria, portanto Deus nasceu
de Maria. Por isso Maria Santíssima é Mãe de Deus. Sabemos que Deus
existe eternamente, e não começou a existir há dois mil . E sabemos
que seu Verbo existe desde antes da fundação do mundo. Não obstante
,há 2000 anos, Deus assumiu a forma humana.
Sendo a pessoa de Jesus Cristo sempre divina, Deus morreu na Cruz
,por nós !
"Oh Cristo Deus, que por sua morte derrota a morte !" (Catecismo # 469)
Devemos entender que qunado dizemos que alguém nos deixou ,morreu,não
queremos dizer que a pessoa deixou de existir, mas sim que chegou ao
término a sua vida terrestre.
O erro está em comparar o fato de morrer ,com deixar de existir.Deus
nunca deixou de existir,não obstante,submeteu-Se, como Segunda Pessoa
da Trindade, ao processo da encarnação,morte e ressurreição. Algo que
constitui o cerne da fé cristã,uma Verdade revelada,um mistério da fé
e consequntemente um mistério da salvação - para o alivio da nossa pena.Conforme
as profecias.
Ele, como sacerdote e oferta, assumiu de modo vicário, a morte que pendia
sobre a humanidade apartada de Deus pela queda do homem primevo, Adão.
Somente Deus poderia suportar esse julgamento e vencer o aniquilamento.
Fazendo de um ritual até então finito e natural um gesto infinito e
de alcance universal, como decorrência de Sua onipotência ! Ao invés
de punir a humanidade, Deus resgatou a humanidade "na" e "como" Segunda
Pessoa da Trindade que é, desse modo, a porta da Salvação.
Somente Deus poderia operar o nosso resgate dessa forma. Não há crueldade
nem malignidade na oblação vicária, porque ela foi realizada sobre quem
podia suportá-la e para o resgate de todos. Demonstrando o caráter transitório
da morte e o poder de Deus sobre ela.
Massacrado o Cristo na cruz, Deus assume as chagas e as dores do mundo.
O Cristo é aquele que resgata e regenera a humanidade decaída pelo pecado
original. Morreu Deus na cruz,para que a morte fosse derrotada! Para
que ganhássemos a vida eterna! Para a vida, finalmente, jorrar e jorrar
em abudância santificando os homens e seus afazeres no mundo!
Everton N. Jobim - Cientista Político e Professor de Antropologia
Social pela PUC/RJ e UFRJ/MN
(Topo)