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Martiri


Todos os Santos

 

Todos nós temos admiração, veneração por algum santo ou santa. As devoções aos Santos correspondem a um anseio de nosso povo. Independente da classe social ou cultura, o povo brasileiro é profundamente religioso e acredita nos seus Santos e desde cedo aprende a cultua-los!

Santo é assim um batizado, homem, mulher, criança, que viveu bem sua vida cristã e se tornou modelo a ser imitado e um protetor a ser invocado.

O Culto aos Santos, de modo particular à Virgem Maria, não quer ser uma negação da mediação universal de Cristo. Houve e às vezes há exageros no culto, quando se desconhece o verdadeiro sentido teológico e a história da devoção aos santos. Quando bem entendido no seu real contexto, o culto aos santos ajuda e esclarece ainda mais o Mistério de Cristo, pois a comunidade louva e agradece a bondade de Deus, que nos é dada por Cristo, e se atualiza por alguns de seus membros e se faz presente na Igreja.

Muitas vezes o Culto aos Santos vem revestido de mistério, magia e até ocultismo. Muitos confundem os mistérios cristãos e os confundem com as devoções aos santos.

A fé popular é muito situada no tempo, em certos momentos da vida. Esse sentimento é expresso numa linguagem que supera o racionalismo e se serve de imagens, tradições e ritos que  se praticam aos santos. A fé é algo que invade e envolve a pessoa toda, revelando sua situação sócio-familiar e se expressando em lugares e santuários. Essa dimensão global da fé popular revela a dimensão antropológica e cósmica que deveria aparecer nas celebrações litúrgicas que infelizmente muitas vezes deixam muito a desejar pela ausência de espaço para uma oração existencial mais real e concreta.

Nosso povo tem ainda uma sensibilidade enorme para as peregrinações, romarias e expressões comunitárias de fé. Esses anseios vêm substituir a dimensão comunitária que muitas vezes não aparece nas orações litúrgicas.

Geralmente, o culto aos santos deixa extravasar os sentimentos mais íntimos  da nossa população. São momentos e datas que durante o ano ajudam nosso povo a compreender melhor sua ligação com Deus, despertam o sentimento comunitário e o ajudam a enfrentar situações reais de sua vida. As celebrações corretas desses santos e padroeiros podem ser momentos privilegiados de evangelização, catequese e conversão.

Não podemos destruir esses anseios ou acabar com a cultura popular, correndo o risco de dar margens à alienação, e busca de outras religiões que correspondam ao anseio do inconsciente coletivo religioso. Compete a toda  a comunidade cristã, especialmente aos presbíteros e outros ministérios, esclarecer, purificar, levando o povo a uma maior compreensão e participação do Mistério de Cristo.

A piedade popular e a religiosidade devem ser respeitadas e valorizadas. Não podem ser elementos de alienação do momento histórico nem ocasiões para aumentar o sentimento do misticismo e fuga para o mundo do além. O culto aos santos deve ser uma ocasião propícia para uma maior evangelização do que é a história da salvação, vendo e analisando como os santos realizaram sua vocação, sendo modelos de decisão e de opção de vida. As festas populares podem ser momentos de catequese, esclarecendo a vida e o exemplo que os santos deram no seu momento histórico, sendo modelos de comunhão e participação. As celebrações religiosas devem ser sobretudo momentos de atualização do que é ser Igreja hoje, vivendo nas nossas comunidades a comunhão e participação, lutando por uma      sociedade mais justa, fraterna e verdadeira.

Texto elaborado por Pe. Antônio Carlos Oliveira Souza – C.Ss.R.


Dia dos Mortos

Hoje é dia de saudades, tristeza e muita reflexão! Tristeza pela recordação dos entes queridos, parentes, amigos e antepassados. Saudades pela ausência, lembranças dos que ‘nos deixaram. É dia de ir ao cemitério, pensar, rezar e se recordar dos que nos são caros.

Para nós cristãos, a celebração do Dia dos Mortos é momento de muita reflexão sobre o sentido da vida e a certeza da Ressurreição! A morte não é o fim mas o início de uma nova vida diferente além do tempo e do espaço! Eis a alegria dos discípulos de Jesus! A vida definitiva se inicia após a morte.

O ser humano é profundamente enraizado no cosmos. É um microcosmos, síntese do universo, faz parte do mundo material. Temos necessidades básicas, nascemos, crescemos, definhamos! É a nossa realidade corpórea!

Mas o ser humano vive numa sociedade! Ele nasce e cresce numa família, possui valores, crenças, opções que lhe vem pela cultura. Nenhum ser humano é uma ilha. Dependemos dos outros para amar e ser amado, vencer e conviver no dia a dia!

O ser humano, homem e mulher, tem uma dimensão transcendente. Ele possui um élan espiritual que o faz buscar no Eterno a esperança de viver!

A Sabedoria Divina nos ensina que a vida dos justos está nas mãos de Deus e nenhum mal os atingirá (Sl 3,1). A morte e o desaparecimento da vida corporal, material não é o fim de tudo! Existe algo que permanece! A vida espiritual vai além do tempo, do espaço e das culturas!

Para quem acreditar, a morte física é apenas o início de algo mais profundo. A graça e a misericórdia de Deus são a certeza da perenidade da Vida!

A esperança não decepciona! Jesus morreu é verdade mas Ele ressuscitou! Quem nele acredita, morrerá um dia mas vai viver para sempre! Na casa do Pai, há muitas moradas! Jesus nos antecipou e nos espera para o encontro definitivo. Es

a é a Vontade do Pai: “toda pessoa que vê o Filho e nele acredita tem a vida eterna” (Jô,6,40).

Eis a nossa ESPERANÇA e ALEGRIA! Celebrar o Dia dos Mortos é acreditar na Ressurreição!

Nós viveremos para sempre! Vamos vencer as barreiras do tempo, do espaço, nossas limitações físicas e sociais!

Para quem acreditar em JESUS CRISTO, MORTO e RESSUSCITADO, a morte não assusta!  A fé nos dá esperança! A esperança não decepciona e nos faz viver o Hoje, sem temer o Futuro!

Dia dos Mortos é Dia de Esperança, Oração e Comunhão com os ideais de Jesus: “Eu sou a Ressurreição e a Vida. Aquele que crer em mim, ainda que tenha morrido, viverá. Todo aquele que crê em mim, não morrerá para sempre. (Jô 11,25)

Texto elaborado por Pe. Antônio Carlos Oliveira Souza – C.Ss.R.

 

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