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“Vinde
a mim todos os que estiverem sobrecarregados e eu os aliviarei”.
Estamos
nos aproximando do dia 1º de novembro, data em que a Igreja celebra
a festa de “todos os santos”. Porque existe esta festa? Qual é o seu
significado para nós e para toda a Igreja? Trata-se na verdade de uma solenidade de muita importância, pois nela homenageamos todos aqueles homens e mulheres que viveram a vida de santidade pedida por Cristo, mas de forma anônima, sem serem conhecidos. A Igreja celebra nesse dia, os santos desconhecidos, aqueles que tiveram apenas a Deus por testemunha de suas obras e orações a favor dos necessitados. Quantas pessoas no silencio de suas vidas, no anonimato do cotidiano, não se sacrificam rezam e trabalham por uma sociedade mais cristã, pedindo graças e intercedendo pelos homens? Quantas pessoas se tornam verdadeiros heróis da santidade sem que o mundo deles se de conta? Pois
bem, na festa de “todos os santos” a Igreja não pretende lembrar somente
dos santos conhecidos e oficialmente canonizados, mas de todos aqueles
que estão nos céus, de todos aqueles que só Deus conhece a santidade.
A Igreja nesse dia comemora todos os homens e mulheres que
já alcançaram a glória eterna e por isso mesmo intercedem por
nós a todo o momento. Nós
cristãos católicos temos o direito e quase o dever de pedir a esses
bem aventurados que nos ajudem na nossa vida cotidiana. Temos o dever
de pensar nessas santas almas que deram grande testemunho de ação
evangélica, embora muitas vezes no total desconhecimento publico. Essa
festa, já muito antiga, foi instituída no século VIII. Nessa solenidade
a Igreja nos da a oportunidade de cantarmos juntos com todos os bem
aventurados, as alegrias dos céus, a qual nos também estamos destinados.
Isto é muito importante. Nossa casa definitiva não é neste mundo!
Aqui temos apenas uma existência passageira. Estamos destinados à
glória perfeita com Deus, com seus anjos e santos. Nós
também podemos ser santos. Quando trabalhamos com ânimo no dia-a-dia.
Quando suportamos com espírito forte as dores e os problemas de nossa
vida, entregando tudo às mãos da providencia divina. Quando rezamos
com amor e devoção de forma regular e cotidiana. É necessário que
peçamos a Deus o dom da santidade! Podemos fazer isso pedindo primeiro
a graça das virtudes chamadas “teologais”
que são. A Fé, a Esperança e a Caridade. Sim, pois nossa Fé tem de
ser firme e bem construída. Depois a graça da Esperança, que nos faz
desejar as coisas dos céus. Finalmente devemos ter o Amor, aquele
grande amor pelas coisas de Deus, por Cristo por Maria e por extensão
pelos homens. Outras
virtudes nos virão, se rezarmos sempre com grande fervor. As virtudes
da Fortaleza, que nos faz suportar as dores desse mundo com firmeza
e sem desanimo. A virtude da Justiça, tão necessária no mundo de hoje.
A virtude da Prudência, que nos faz agir na hora certa depois de pensarmos
com cuidado cada situação da vida. A
festa de “todos os santos” é uma excelente oportunidade para refletirmos
no fim último de cada um de nós. Somos cidadãos destinados a uma cidade eterna, o reino dos céus.
Devemos caminhar por esta vida com a certeza de que Deus, por sua
infinita misericórdia há de nos acolher em sua “casa celeste” onde
já estão “uma grande multidão, que ninguém pode contar, de todas as
nações, tribos e povos e línguas” como nos explica o Apóstolo
João em seu livro do apocalipse. (Apoc 7,9). Como
nos ensina o padre Francisco Fernández Claraval, “no Céu espera-nos a Virgem, para
estender-nos a mão e levarmos à presença de seu Filho e de tantos
seres queridos que ali nos aguardam”.
Bibliografia – “Falar com Deus” de Francisco Fernández-Claraval
Editora Quadrante São
Paulo 1992 Finados - Significado do Dia De Finados
“Eu vim como luz ao mundo; assim todo aquele que crer em mim não ficará nas trevas”. (Jo 12,46) A Igreja comemora no próximo dia 2 de novembro a “Festa dos fiéis defuntos”, mais conhecida como “Dia de Finados”. É uma festa onde lembramos todos aqueles irmãos falecidos e que se purificam no purgatório antes de entrar definitivamente no Céu. Todas as missas e as orações desse dia são em sufrágio dessas almas benditas, que terminaram sua caminhada pela terra. Meditemos juntos, o maravilhoso mistério desse dia. Um dos mais belos Dogmas da Igreja é o da “Comunhão dos Santos”. São Tomás de Aquino em seu livro “Exposição sobre o Credo” nos ensina: “Assim como no corpo natural a atividade de um membro se subordina ao bem estar de todo o corpo, também no corpo espiritual que é a Igreja, acontece o mesmo. E porque todos os fiéis são um só corpo, o bem de um comunica-se ao outro”. Dessa maneira entendemos que os que estão no Céu, na feliz morada com Deus para sempre, os que se purificam no purgatório, e nós, que ainda caminhamos pelas estradas deste mundo, formamos um só corpo. A Igreja é uma só. Tanto a Igreja Militante (que somos nós, que lutamos no nosso dia-dia), como a Igreja Padecente (os que estão no purgatório), e os que já alcançaram a glória definitiva, pertencemos a um único corpo, “O Corpo Místico de Cristo”. Por esse motivo, podemos e devemos rezar pelos que partiram, pois nossas orações são eficazes para ajuda-los a mais rapidamente chegarem à casa definitiva do Pai. É isso que significa a “Festa dos fiéis defuntos”. Verdade que todos os dias a Igreja se recorda dos que morreram, mas, no dia 2 de novembro, o faz de maneira especial. O mesmo São Tomás de Aquino nos lembra que: “Os bens de Cristo são comunicados a todos os cristãos, como a energia da cabeça é comunicada a todos os membros. Essa comunicação é realizada pelos sacramentos da Igreja, nos quais opera a virtude da paixão de Cristo, de modo a conferir a graça da remissão dos pecados”. Essa unidade de todos os fiéis, vivos ou mortos é uma maravilhosa graça que Deus nos deu. Não estamos sós! Os que partiram desse mundo também não se encontram desligados para sempre dos vínculos de amor que os unia a todos os seus. Ao contrário! Sabemos que estamos todos solidários uns aos outros, que a morte não tem a palavra definitiva, que o amor continua mesmo após a morte. Isto é a comunhão dos santos. Formamos uma única família em Cristo, os bens que fazemos podem ser comunicados a outro irmão necessitado, esteja ele nesta ou na outra vida. A recordação dos fiéis defuntos nos projeta para o futuro. Nossa fé fala-nos de Esperança, a grande palavra chave nesse dia. Trata-se do anseio que todo homem tem de ter a verdadeira felicidade, a felicidade duradoura, sem máculas e sem fim. Essa felicidade só se pode dar no encontro definitivo com Deus, que é a essência do Amor e do Belo. Todo homem procura o Belo, a Verdade, a Pureza. Pertence à natureza humana procurar o que há de melhor para si e para os que amam. Pois bem, a festa de hoje está a nos recordar dessa realidade. A missão de Jesus, revelada nos Evangelhos, é de dar a vida eterna a todos os que crêem em seu nome. Ora, a vida eterna já começa aqui neste mundo com a vivencia da fé, do amor a Deus e a todos os irmãos. Mas tem sua palavra definitiva nesse encontro pessoal, definitivo com o Deus, depois da morte, nas eternas luzes. É necessário entretanto estarmos atentos. Um dos principais inimigos de nossa caminhada para a vida eterna é o materialismo. Infelizmente vivemos num mundo onde o materialismo e a indiferença religiosa ganhou grandes espaços. São os meios de comunicação social, como a televisão, as propagandas nos rádios, jornais e revistas que excita o homem a viver como se Deus não existisse! Assim pecamos, por “pensamentos, palavras, atos e omissões”, colocando em risco nosso encontro com Deus, que é a única fonte de real felicidade. A comemoração do dia de finados tem portanto esse outro aspecto. Nos lembrar que não somos somente matéria, que não temos uma vida sem alma! Não. Existe um Deus que nos quer acolher com os braços abertos. Existe um Cristo Jesus, que por sua paixão, morte e ressurreição nos chama para seu reino de alegrias sem fim. Mas é necessário darmos o nosso sim! É necessário aceitarmos Nosso Senhor Jesus Cristo como nosso único salvador, ele, que é “O Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6). Procedendo dessa forma, faremos parte dos que viverão a vida nova em Cristo. É necessário dizer que a esperança humana decorre de uma Revelação do próprio Deus e não é fruto de vagas reflexões filosóficas! Quem acolhe pelo Batismo e pela vida dos sacramentos da Igreja, Jesus, em seu coração, sabe que cada dia é motivo para se viver como Cristo nos ensinou, e assim, alcançarmos um dia a glória eterna. Mesmo que tenhamos que passar pela purificação do purgatório, será na verdade um grande dia de alegria e júbilo, pois sabemos que nós, e nossos entes queridos, que já partiram deste mundo estamos firmemente nas mãos de Deus. É necessário rezarmos sempre pelos que já partiram desta vida. É necessário pedirmos pelas intercessões dos santos, por nós mesmos e pelos nossos queridos antes já falecidos. A Igreja nos oferece nesse dia da comemoração dos fiéis defuntos, uma oportunidade maravilhosa para nos juntarmos a todos os nossos irmãos, vivos e mortos numa grande unidade de orações e agradecimento pelo dom da vida eterna. Texto
elaborado por Ivan Rojas
Editora Quadrante – 1996 – volume 7
“Exposição sobre o Credo” – Santo Tomás de Aquino
Edições Loyola – 1992 |
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