Igreja - Instituição
Deus, no seu plano de amor, quis se
comunicar com a humanidade. Através de pessoas e acontecimentos
Ele foi gradativamente revelando a Si mesmo (quem Ele
é) e o seu plano para nós. Essa Revelação não
visava só um conhecimento intelectual , mas também
existencial, vivo : conhecer a Deus para entrar em comunhão
(união íntima e real) com Ele. Essa comunhão deveria
envolver também os homens entre si.
Por isso, Deus escolheu o povo de Israel
para ser o Seu Povo no meio da humanidade . No seu meio realizou
prodígios, sinais da sua benevolência. Por meio deste Povo,
descendente de Abraão, o homem que por primeiro acreditou,
a salvação chegaria a todos os povos da terra.Como um pai
ou uma mãe que pouco a pouco ensina o seu filho, assim
Deus fez com o povo de Israel. Através de Moisés, dos Juízes
e dos Profetas, Ele formou, conduziu e instruiu o Seu
Povo.
Tudo isso era a preparação para a sua plena
Revelação: o momento em que não mais um mensageiro, mas o
próprio Filho de Deus feito homem viria viver no meio dos
homens. As promessas se tornariam realidade: toda a humanidade
(e não mais um povo apenas), todas as pessoas (e não mais
uma única raça), poderiam receber, em Jesus Cristo , o poder
de se tornarem filhos de Deus.
Este Novo Povo de Deus é a Igreja (do grego
«Ekklesía», que quer dizer «povo convocado»).
Muitos pensam na Igreja como um grupo social,
de pessoas reunidas com determinada finalidade, como qualquer
outro tipo de fenômeno associativo. Assim, uma comunidade
cristã seria algo como um grupo de amigos, um clube ou uma
associação beneficente. Tal visão às vezes se reflete na afirmação:
«A Igreja somos nós!». Não é verdade! A Igreja somos nós convocados,
reunidos por Cristo e unidos a Ele! Como? Por um vínculo,
uma ligação espiritual, mas real: a vida da graça, que é a
própria vida de Deus em nós . Vínculo espiritual que se traduz
em estruturas e compromissos concretos. Quando entramos nesta
comunhão? No momento do Batismo: pelo poder de Deus , através
do sinal da água e das palavras transmitidas pelo próprio
Cristo, nós somos regenerados ( isto é, gerados de novo),
nascemos para esta vida que nunca mais terá fim.
E
assim, podemos dizer com o Apóstolo Paulo , «já não sou eu
que vivo, mas é Cristo que vive em mim»! Sim: Cristo vive
na sua Igreja! Em nós e através de nós vai se
realizando no mundo o plano de Salvação: pelo anúncio da Palavra
de Deus, pela celebração dos Sacramentos que tornam presente
e realizam a salvação, pelo testemunho de vida e pela ação
de cada um de nós.Em nós e através de todos nós unidos num
mesmo Corpo, que é a Igreja, unidos à cabeça desse Corpo que
é Cristo, que nos conduz através dos Apóstolos e de seus sucessores
(os Bispos em comunhão com o Papa, sucessor de Pedro). Em
nós e através de nós: mas sempre pelo poder do Espírito de
Deus.
Assim, a Igreja tem como Cabeça Cristo,
no coração dos seus filhos habita o Espírito Santo, tem como
lei o Amor, sua missão é ser «sal da terra» e caminhar em
direção ao Reino.
Autor:
Pe. Roberto
E-mail:
peroberto@religiaocatolica.com.br
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Pedro - O 1º. Papa
Sabemos, pelo testemunho dos Apóstolos,
que a Igreja de Cristo é “Una, Santa, Católica e Apostólica”.
Ela nasceu no dia de “Pentecostes”, quando
o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos como “Línguas de
Fogo”(Atos 2,1 ss).
Assim os Apóstolos receberam os dons do
Espírito, os dons de Deus. Pode-se dizer que a partir desse
momento nasceu a Igreja de Cristo.
Todos os Apóstolos presentes são, portanto,
os “Príncipes da Igreja”, isto é, os primeiros Bispos.
De todos, entretanto, Pedro era o primeiro,
o principal, o “Chefe do Colégio dos Apóstolos”.
O próprio Cristo assim o quis, como vemos
nas seguintes passagens evangélicas: “E Eu te declaro,
tu és Pedro (que significa pedra) e sobre essa pedra
edificarei minha Igreja” (Mt 13,18).
Mais adiante, no Evangelho de Lucas,
Cristo diz: “Simão Pedro, eis que satanás vos reclamou
para Vos peneirar como o trigo. Mas Eu roguei ao Pai para
que a tua confiança não se desfaleça. E tu, uma vez convertido,
confirma teus irmãos na fé” (Lc 22,31).
Pedro foi colocado, portanto, como o
“Príncipe dos Apóstolos”.
Nessa condição, Pedro foi o primeiro
Bispo da cidade de Antioquia, que ficava onde hoje é a Turquia.
Mais tarde, foi Bispo de Roma por aproximadamente 32 anos.
Pedro foi, portanto, o primeiro Papa, pois Roma era considerada
a cidade mais importante da época.
Pedro, como dissemos, ficou 32 anos à
frente da Igreja, como Bispo de Roma e primeiro Papa. No ano
67 de nossa era, foi martirizado juntamente com Paulo, na
mesma cidade, pelo imperador Nero.
Sua sepultura e seus restos mortais encontram-se
exatamente abaixo do altar-mor da Basílica de São Pedro, em
Roma.
São Pedro é chamado de “Pai da Igreja
visível” por ter sido o primeiro Papa da História da Igreja.
Autor:
Ivan Rojas
E-mail:
ivan@religiaocatolica.com.br
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Os Papas do Século XX
O
nosso século conheceu o trabalho apostólico e pastoral de
nove papas, todos firmes propagadores da fé, da conversão
e da fidelidade a Cristo e à Igreja, cujo trabalho é o de
“confirmar seus irmãos na fé”. (Lc 22,31 e ss). Os papas
são testemunhas vivas dos apóstolos e sucessores de São Pedro,
o primeiro papa.
Leão
XIII (1878-1903)
O
primeiro papa do nosso século foi Leão XIII (1878-1903), eleito,
na verdade, no século XIX e que, cruzando o limiar de nosso
século atual, veio a falecer em 1903.
Seu
nome de Batismo era Gioacchino Vincenzo de Pecci. Nasceu em
2 de março de 1810, junto a Anagni. Foi ordenado padre em
1837 e desempenhou, entre outras funções, as de núncio em
Bruxelas e bispo na Perúgia. Em 1853 tornou-se cardeal. Tinha
grande conhecimento dos problemas trazidos pela industrialização
e pela forma parlamentar de governo. Era um homem muito afável
e de grande formação intelectual. Leão XIII foi o grande
papa das encíclicas sociais. Foi o autor do primeiro texto
social da Igreja, a encíclica “Rerum Novarum”, que fala sobre
a relação entre capital e trabalho. Leão XIII suportou com
grande firmeza as lutas desencadeadas contra a Igreja pelo
Estado italiano recém unificado. Morreu com 93 anos,
em 20 de julho de 1903. Foi, com certeza, uns dos mais importantes
papas do começo do nosso século, e sua forte personalidade
se estendeu por todo o século XX.
Pio X (1903-1914)
Após
a morte de Leão XIII, foi eleito o grande Papa Pio X (1903-1914).
Pio
X foi o Papa que estabeleceu as diretrizes do novo Código
de Direito Canônico. Sua santidade, manifestada pela sua alta
espiritualidade, foi reconhecida pelo seu sucessor Pio XII,
que o canonizou.
Seu
nome de Batismo era Giuseppe Sarto e foi filho de um pequeno
agricultor. Nasceu em Veneza em 2 de junho de 1835.Depois
de atuar como capelão e pároco foi cônego de Treviso em 1875.
Em 1884 foi ordenado bispo e assumiu o pastoreio em
Mântua. Em 1893 foi nomeado Patriarca de Veneza e feito cardeal.
Ali promoveu a reforma da diocese, na qual desejava servir
como cura de almas. Também como papa, promoveu diversas reformas
no seio da Igreja. Assim, por exemplo, estabeleceu as
diretrizes do novo Código de Direito Canônico, reformulou
a música sacra, o breviário e introduziu a comunhão para crianças
de 7 anos ou mais.
Reorganizou
também o Tribunal Eclesiástico, a conhecida “Rota Romana”.
Pio X lutou bastante contra o chamado “modernismo” dentro
da Igreja. Ficou conhecido como o Papa da Eucaristia. Em agosto
de 1914 conclamou os povos para um período de vigília e orações
pela ameaça da guerra que rondava a Europa. Após sua morte,
ocorrida em 20 de agosto de 1914, começo da Primeira Guerra,
foi substituído pelo Papa Bento XV.
Bento
XV (1914-1922).
Bento
XV foi o papa da primeira guerra mundial. Lutou firmemente
contra o pavoroso conflito, escrevendo cartas aos dirigentes
dos países beligerantes, onde enfatizava a opção pacífica
do conflito, através do diálogo. Seu nome de batismo era Giacomo
Marchese della Chiesa. Nasceu em 21 de novembro de 1854, em
Gênova, e foi ordenado padre em 1878. Exerceu importantes
funções no serviço diplomático pontifício. A partir de 1907,
foi arcebispo de Bolonha. Foi feito cardeal no mesmo ano de
sua eleição papal, em 1914. Levou em frente a elaboração do
Código de Direito Canônico, iniciada pelo seu antecessor Pio
X. Bento XV formulou um grande sistema de ajuda aos combatentes,
para mitigar os efeitos da guerra, como troca de feridos,
acolhimento e ajuda aos prisioneiros de guerra, fornecimento
de alimentos etc. Formulou insistentes pedidos de paralisação
das hostilidades, que suscitaram importantes debates na comunidade
internacional, porém, sem resultados práticos, infelizmente.
O grande pontífice morreu em 22 de janeiro de 1922, após oferecer
sua vida pela paz do mundo. Bento XV obteve reconhecimento
internacional como o Papa da Justiça e da Paz. Após seu falecimento,
subiu ao trono de São Pedro o Papa Pio XI.
Pio XI (1922-1939)
Pio
XI foi eleito no conclave em 6 de fevereiro 1922, e reinou
até sua morte, ocorrida no dia 10 de fevereiro de 1939. Foi
o papa que fez o famoso acordo de Latrão com o governo italiano,
onde este reconheceu a independência do Estado do Vaticano.
Lutou muito contra os regimes totalitários, como o comunismo
e fez diversas críticas ao fascismo, tanto italiano como alemão.
Foi o grande inspirador da “Ação Católica”, que congregava
jovens e adultos, para a grande tarefa de evangelização em
todo o mundo. Seu nome de batismo era Achille Ratti. Nasceu
em 31 de maio de 1857, em Desio, próximo de Monza.
Achille
Ratti foi professor no seminário sacerdotal de Milão. Em 1907,
tornou-se prefeito da Biblioteca Ambrosiana e, em 1914, prefeito
da Biblioteca do Vaticano. Foi ainda visitador apostólico
na Polônia em 1918 e, em 1919, foi núncio nesse país.
Em 1921, tornou-se arcebispo de Milão e cardeal. Como papa
teve, entre um de seus principais objetivos, o de curar as
terríveis feridas abertas pela primeira guerra. Escreveu diversas
encíclicas, como sobre o matrimônio cristão, (Casti Conubii),
e sobre as questões sociais de sua época, (Quadragésimo Anno).
Pio XI fez diversas beatificações e canonizações, como as
de Tereza do Menino Jesus, Pedro Canísio, Dom Bosco, Cura
d’Ars, entre outros. Seus últimos dias foram de tristeza pela
sombria proximidade de um novo conflito europeu.
Pio XI sofreu muito com a perseguição da Igreja feita pelo
governo da Alemanha. Após sua morte, foi substituído pelo
Papa Pio XII, que era, até então, seu secretário de Estado.
Pio XII (1939-1958)
Seu
nome de batismo era Eugenio Pacelli. Nasceu a 2 de março de
1876, em Roma. Foi ordenado bispo no dia 13 de maio de 1917,
no mesmo dia da famosa aparição de Nossa Senhora de Fátima,
em Portugal. Foi núncio apostólico em Munique e, em 1920,
núncio em Berlim. Seu lema era: “A paz é obra da justiça”.A
partir de 1932 foi secretário de Estado de Pio XI, até sua
eleição como papa em março de 1939. O Papa Pio XII teve um
grande e profundo pontificado. Percebendo a aproximação da
guerra, escreveu cartas aos grandes mandatários das nações
européias, insistindo numa solução pacífica para os conflitos
daquele momento. Às vésperas do conflito, em agosto de 1939,
Pio XII insistiu publicamente pela paz, chamando todos os
povos a uma tomada de consciência sobre o verdadeiro caráter
da guerra.
Durante
o conflito, o papa continuou fazendo diversos apelos à paz.
Procurou manter Roma longe do conflito e deu asilo a mais
de 5000 judeus em diversos conventos, mosteiros e no próprio
vaticano. Em1942, fez a consagração do mundo ao Imaculado
Coração de Maria. Na verdade, Pio XII foi um papa profundamente
devoto de Maria Santíssima.
Proclamou,
no ano de 1950, o Dogma da assunção de Maria aos céus em corpo
e alma.
Homem
de muita comunicação, utilizou-se do rádio para a difusão
da fé e da cultura cristã. São muito conhecidas as suas “rádio-mensagens”
sobre os problemas do mundo atual. Pio XII fez 33 canonizações,
entre as quais a de Pio X. Morreu em 9 de outubro de 1958.
Seu pontificado foi um dos grandes períodos da Igreja no século
XX.
João XXIII (1958-1963)
O
Papa João XXIII foi eleito dia 28 de outubro de 1958, já com
a idade de 77 anos. Esteve à frente da Igreja por apenas 5
anos. Seu nome era Angelo Giuseppe Roncalli e nasceu em Sotto
il Monte, de uma pobre e numerosa família. Foi ordenado sacerdote
em 1904, no mesmo ano em que se doutorou em teologia. Foi
professor de História da Igreja e Patrística no Seminário
de Bérgamo. Serviu como soldado, no corpo de saúde, na primeira
guerra mundial e depois como capelão militar. Foi ainda visitador
apostólico na Bulgária quando foi ordenado bispo e, em seguida,
na Grécia e na Turquia. A partir de 1944, foi núncio na França.
A partir de 1951, foi também observador na UNESCO, em Paris.
Em 1953, tornou-se Patriarca de Veneza e, em seguida, cardeal.
Sua principal tarefa como papa foi a convocação do Concílio
Vaticano II, realizado por ele e por seu sucessor, o Papa
Paulo VI. O concílio se reuniu de 1962 a 1965, em Roma. Também
deu as primeiras instruções para a elaboração do novo Código
de Direito Canônico, terminado e promulgado pelo atual pontífice
João Paulo II. Ficou conhecido por sua grande simpatia e sua
abertura para com os grandes temas da atualidade no mundo.
Morreu em 3 de junho 1963, sendo substituído pelo Papa Paulo
VI.
Paulo VI (1963-1978)
Paulo
VI foi o papa que conduziu a maior parte do Concílio Vaticano
II, que terminou em 1965. Giovanni Batista Montini nasceu
em Bréscia, em 26 de setembro de 1897, e foi ordenado sacerdote
em 1920, ingressando no serviço diplomático da Santa Sé. Em
1923, encontrava-se na nunciatura de Varsóvia e, em 1924,
exerceu funções no secretariado de Estado. No ano de 1937,
tornou-se subsecretário de Estado, com o que passou a ser
um íntimo colaborador de Pio XII. No dia 1º de novembro de
1954, foi nomeado arcebispo de Milão e, no primeiro consistório
de João XXIII, foi feito cardeal. Foi eleito Papa Paulo VI
em 30 de junho de 1963 e como pontífice, desenvolveu uma grande
atividade, conduzindo o concílio Vaticano II. Fez inúmeras
encíclicas e diversas reformas no seio da cúria romana. Em
1968, para coibir abusos no seio da Igreja pós-conciliar,
elaborou o chamado “Credo do povo de Deus”.
Paulo
VI foi o primeiro papa a viajar pelo mundo. Visitou Jerusalém
em 1964. Foi à Fátima em 1967 e compareceu ao Congresso Eucarístico
de Bogotá em 1968. Antes havia ido a Bombaim, Índia, no ano
de 1964.
Visitou
a sede das Nações Unidas, em Nova York, onde fez importantes
intervenções e discursos. Após longa doença, o Papa Paulo
VI morreu em 6 de agosto de 1978.
João
Paulo I (1978-1978)
O
Papa João Paulo I foi o papa de mais breve governo na Igreja
dos últimos séculos.
Ficou
conhecido como o “Papa do Sorriso”, pois tinha sempre um sorriso
cativante e animador. Governou a Igreja por apenas um mês.
Seu nome de batismo era Albino Luciani, e foi eleito papa
em 26 de agosto de 1978. Albino Luciani nasceu em Canale d’Agordo,
em 17 de outubro 1912. De origem pobre, teve que suportar
muitas privações pessoais, pois seu pai era um simples trabalhador.
Luciani foi ordenado sacerdote em 1935 e após dois anos de
docente e cura de almas em Belluno, foi ordenado Bispo de
Vittorio Veneto em 1958.
No
ano de 1969 foi nomeado Patriarca de Veneza e, em 1973, foi
feito cardeal. Não teve tempo de escrever encíclicas ou qualquer
outro documento pontifício, mas fez algumas importantes intervenções
verbais.
Sua
morte súbita foi um grande choque para todos os católicos
e todos os homens de boa vontade do mundo.
João
Paulo II (1978-....)
O
atual Pontífice Romano é o primeiro papa não italiano, desde
Alexandre VI, que era espanhol. Nasceu em Wadowice, na Polônia,
em 18 de maio de 1920. Foi ordenado sacerdote em 1946, e trabalhou
como padre comum em Cracóvia, onde há uma Universidade na
qual continuou seus estudos. Em 1958 tornou-se bispo e, em
1964, arcebispo de Cracóvia. No conclave de 16 de outubro
de 1978, foi eleito papa. João Paulo II foi o papa que mais
viagens fez ao exterior, conhecendo dezenas de países. Elaborou
um conjunto muito grande de encíclicas e outros documentos
pontifícios. Foi também o primeiro papa a visitar o Brasil,
o que já fez por três vezes. Ajudou na queda dos regimes comunistas
do leste europeu, começando pela própria Polônia. Elaborou
o novo Código de Direito Canônico e o novo Catecismo de adultos
da Igreja Católica. Sofreu um violento atentado na praça de
S. Pedro em 1981, que quase lhe custou a vida. É um grande
devoto de Maria Santíssima e grande incentivador de sua devoção.
Há mais de 21 anos à frente do Magistério Romano, o Papa João
Paulo II é o Pontífice que mais tempo ficou como chefe da
Igreja neste presente século. Entre suas encíclicas mais conhecidas
destacam-se: “Veritatis Esplendor”, sobre a verdade da Revelação,
(1992); “Redemptor hominis”, (1979), sobre o Nosso Divino
Salvador; “Familiares Consortios”, (1980), sobre a família
e o casamento cristão, entre outras. Nosso atual pontífice
é um grande dom de Deus para a Igreja deste fim de século.
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Os
Grandes Concílios Ecumênicos.
A
Igreja Católica, desde seu nascimento no dia de Pentecostes,
realizou periodicamente grandes encontros reunindo todos os
Bispos do mundo. Esses encontros são chamados de “Concílios
Ecumênicos”, e têm como objetivo, discutir, deliberar e promulgar
textos fundamentais para o desenvolvimento da Doutrina Católica,
tendo sempre como referência a Bíblia Sagrada e a Tradição
do Magistério Romano.
Ao
longo desses vinte séculos de cristianismo, houve vinte e
um Concílios Ecumênicos, sendo o primeiro o Concílio de Jerusalém,
com a presença de todos os Apóstolos, sob a presidência de
São Pedro, o primeiro Papa; e o último, o Concilio Vaticano
II, realizado no Vaticano sob a presidência dos Papas João
XXIII e Paulo VI. Esse Concílio teve a duração de três anos
(1962-1965).
Falaremos
agora sobre os principais Concílios Ecumênicos.
Concílio
de Jerusalém
O
primeiro Concílio reuniu-se em Jerusalém por volta do ano
60, na presença dos Apóstolos, presidido por São Pedro.
É
narrado no Livro dos “Atos dos Apóstolos”, a partir do capítulo
quinze.
Esse
Concílio decidiu, entre outras coisas, que era necessário
levar a “Boa Nova” da Salvação a todos os homens, sem se fazer
distinção entre judeus e gentios. Também decidiu a não necessidade
da circuncisão, bastando apenas o Batismo cristão.
Segundo
a Tradição, é nesse Concílio que se elaborou o “Credo” que
se recita nas missas, após a homilia do sacerdote.
Concílio
de Nicéia
Após
o Concílio de Jerusalém, reuniu-se no ano 325 na cidade de
Nicéia, um novo Concílio Ecumênico de capital importância
para o mundo cristão.Esse Concílio ficou conhecido como “Concílio
de Nicéia”.
Foi
convocado e presidido pelo Papa São Silvestre I, e discutiu,
entre outros temas, a questão da Trindade de Deus, definindo-a
como Dogma de fé. Elaborou um novo “Credo”, onde claramente
proclama a crença no Deus “Uno e Trino”.
Concílio
de Constantinopla
No
início do cristianismo, muitas heresias perturbaram o mundo
católico. Mesmo após o Concílio de Nicéia, em 325, as polêmicas
em torno da questão da Trindade de Deus continuavam, principalmente
difundidas por um bispo de nome “Ario”, que afirmava que a
Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, isto é, o Filho, era
“menor” do que o “Pai”.
Por
esse motivo, um novo Concílio foi chamado em 381 pelo Papa
Dâmaso I, reunindo-se na cidade de Constantinopla.Esse Concílio
debruçou-se mais uma vez sobre a questão da Trindade, aumentando
e melhorando as definições do Concílio anterior e promulgando
o “Credo Niceno-Constantinopolitano”, que é rezado até hoje
nas missas mais solenes, sendo o Credo Oficial da Igreja.
Com esse Concílio, a questão da Trindade de Deus ficou definitivamente
estabelecida.
Concílio
de Trento
Após
diversos Concílios de importância variável, reuniu-se na cidade
de Trento, ao norte da Itália, um grande Concílio Ecumênico
entre os anos de 1550-1560, sob a presidência do Papa São
Pio V.
Foi
o mais importante Concilio da era moderna, pois enfrentou
diversas questões de importância capital, como a questão da
transubstanciação de Cristo na Eucaristia, o verdadeiro significado
da missa, a questão do sacerdócio católico, os Sacramentos
da Igreja, entre outras questões de grande relevância, todas
elas negadas pelo protestantismo.
Esse
Concílio renovou o Missal católico, bem como todos os manuais
de ritos sacramentais.
Após
esse Concílio, a Igreja passou mais de 300 anos sem necessidade
de Concílios gerais até o século XIX.
Concílio
Vaticano I
Reuniu-se
no Vaticano sob a presidência do Papa Pio IX, entre os anos
de 1868-1871.
Esse
Concílio tratou de diversas questões gerais e definiu a Infalibidade
Pontifícia em assuntos relacionados à Fé e à Moral,
exclusivamente. Na verdade, o Concilio Vaticano I não terminou
oficialmente.
Foi
interrompido por diversas questões políticas, como a guerra
pela unificação da Itália, a guerra entre a Prússia (Alemanha)
e a França, entre outras questões.
Um
novo Concílio só seria reunido no século XX.
Concílio
Vaticano II
O
último Concílio Ecumênico reuniu-se entre os anos de 1962
e 1965 no próprio Vaticano, sob a presidência dos Papas João
XXIII e Paulo VI.
Esse
Concílio foi eminentemente um “Concílio Pastoral”, isto é,
não definiu Dogmas ou novos pontos doutrinários, mas propôs
novas formas de Evangelizacão, bem como atualizou o rito da
missa, que passou a ser rezada não mais em latin mas
em língua vernácula, para a maior participação
dos fiéis católicos.
Desde
então, não houve novos Concílios Gerais na Igreja de Cristo.
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Conceito
de Salvação no Antigo e Novo testamento
O
conceito de “Salvação Eterna” variou bastante no decurso dos
tempos. Podemos perceber essa realidade estudando os Textos
Sagrados, que são verdadeiramente a “História da Salvação”
oferecida a todos os homens.
Os
Hebreus não tinham, a princípio, uma clara noção de “vida
pós morte” e, consequentemente, esse conceito para eles não
se apresentava. Como vemos no Livro de Gênesis, por exemplo,
o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó é antes de tudo um Deus
que abençoa seus filhos dando-lhes vida longa, saúde e prosperidade,
conceitos estes ligados a essa vida material. No horizonte
do Antigo Testamento, as bênçãos de Deus são para este mundo,
o mundo material.
Entretanto,
com o aparecimento dos grandes profetas, como Isaías, Ezequiel,
Daniel e outros, começam a surgir as primeiras especulações
a respeito da vida do além.
É
nessa época que surge também o conceito de “Ressurreição”.
O profeta Daniel, por exemplo, nos diz: “E muitos dos que
agora dormem no pó acordarão, uns para a vida eterna e
outros para o opróbrio, para o horror eterno”(Dn 12,2).
Também em Ezequiel lemos algo parecido quando nos diz que
: “Os ossos secos se cobriram de carne e nervos. Profetizei
de acordo como me ordenou, o espírito penetrou-os e eles viveram,
firmando-se sobre os seus pés como um imenso exército” (Ez
37, 10).
Aqui
aparecem, pois, claras visões sobre a ressurreição dos
mortos. Ainda no ambiente do Antigo Testamento, tal questão
é abordada no Sl 16,10; 49,16; Jó 19,25; entre outros.
No
tempo do surgimento de Jesus Cristo, anunciado por João Batista,
a noção da ressurreição dos mortos já estava estabelecida
como conceito bastante comum, tanto da parte do povo como
da parte das autoridades judaicas, embora os “saduceus”, pequeno
mas influente grupo de judeus de Jerusalém, a negasse.
Jesus,
porém, nos atesta em inúmeras passagens a existência da vida
pós morte bem como a da ressurreição dos mortos. Assim, por
exemplo, no Evangelho de Mateus lemos: “e irão estes para
o castigo eterno, enquanto os justos irão para a vida eterna”
(Mt 25,46).
Também
em João temos: “Vós perscrutais as Escrituras, porque julgais
ter nelas a vida eterna; ora, as escrituras dão testemunho
de mim” (Jo 5,39). E adiante: “Eu sou o caminho, a verdade
e a vida” (Jô 14,16). De forma geral, todo o Novo Testamento
é um hino de louvor e glória a Deus pela vida eterna, a vida
sobrenatural, veja por exemplo: 2Tm 2,18; Mt 25,32; At 2,36
etc.
Sabemos
que a verdadeira vida não é esta, cuja imagem desaparece,
mas sim a vida do espírito cuja imagem não desaparece. Este
é o verdadeiro conceito de Salvação. A Salvação é a vida sobrenatural,
a vida eterna que é oferecida a todos por Deus, através de
Jesus Cristo. A Salvação é viver junto com Deus, na felicidade
perfeita e sem mácula, é viver a vida do próprio Deus, no
seio mesmo da Divindade.
Este
é, como nos ensinava Santo Inácio de Loyola, o objetivo maior
da vida de todos os homens: conhecer, amar e servir a Deus.
E, conseqüentemente, viver com ele e com todos os justos,
por toda a eternidade.
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