Nossa
Senhora Aparecida -Uma aparição silenciosa
“Quem
é essa que surge como a aurora,
bela
como a lua,
brilhante
como o sol,
temível
como um exército em ordem de batalha?”.
(Cânt. 6, 10)
Em
8 de setembro de 1904, a pequena imagem da Virgem, encontrada por
pescadores no vale do Paraíba cerca de 200 anos antes, foi coroada
e proclamada Rainha e Mãe Nossa Senhora Aparecida.
No
dia 31 de maio de 1931, Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi consagrada
como a Padroeira do Brasil, diante de mais de 1 milhão de fiéis reunidos
no Rio de Janeiro.
Uma
longa história
O
culto a Nossa Senhora da Conceição nasceu, no Brasil, no século XVII,
com a consagração de Portugal e suas colônias à Virgem Maria. Até
então, cultuava-se a tradição latino-americana de Nossa Senhora de
Guadalupe, mas, com a restauração portuguesa após o domínio espanhol,
que durou de 1580 a 1640, Portugal tratou de “descastelhanizar” suas
colônias e o nome de Nossa Senhora foi mudado de Guadalupe para Conceição.
Algumas décadas mais tarde, quando foi encontrada uma pequena imagem
da Virgem, Nossa Senhora da Conceição passou a ser cultuada como Nossa
Senhora da Conceição Aparecida.
A
pesca milagrosa
No
final do século XVII, o vale do rio Paraíba fazia parte do roteiro
na circulação entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Em função
do ciclo do ouro, o comércio entre os povoados da região era intenso,
a população aumentava significativamente e a metrópole viu-se obrigada
a tomar providências quanto à administração regional. Para tanto,
foi nomeado um governador que ficaria sediado na região onde hoje
se localiza a cidade de Guaratinguetá. Foi, então, organizada uma
recepção para o novo governador, com a ajuda da população local, incluindo
os pescadores, que ficaram encarregados de colaborar na alimentação
dos convidados.
Entre
os pescadores estavam Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe
Pedroso. Percorreram o rio Paraíba, sem pescar peixe algum, até que
João Alves lançando sua rede, retirou o corpo, sem cabeça, de uma
imagem de Nossa Senhora. Recolheu-a, lançou a rede novamente e encontrou
a cabeça da pequena imagem. Guardou o achado dentro de um pano e continuou
a pescaria.
A
partir desse momento, os três pescadores, que até então nada haviam
pescado, foram surpreendidos por uma enorme quantidade de peixes.
O
relato data de 1745, mas o mais provável é que o fato tenha ocorrido
em outubro de 1717.
Forma-se
um grupo de oração e multiplicam-se os prodígios
Filipe
Pedroso colou a cabeça ao corpo e conservou a imagem consigo durante
9 anos. Deu-a depois a seu filho, Athanazio Pedroso, que lhe construiu
um oratório onde todos os sábados a vizinhança se reunia para as preces.
A partir de então, as famílias começaram a chamar a santa de Nossa
Senhora da Conceição Aparecida, já que ela havia aparecido no rio.
Durante
uma dessas reuniões de oração, as velas se apagaram sem motivo e uma
das pessoas presentes se levantou para reacendê-las. Ao chegar perto,
entretanto, para espanto e admiração de todos, as velas se iluminaram
sozinhas. Esse é considerado o primeiro prodígio realizado por Nossa
Senhora Aparecida.
Outro
caso foi o do escravo fugitivo que, ao ser reconduzido ao dono, rezou
diante da imagem e durante a oração caiu-lhe a corrente que tinha
ao pescoço. O escravo foi libertado por seu patrão, que ficou tocado
pelo milagre.
Como
o oratório se encontrava em local de passagem, esses prodígios logo
se espalharam por toda a região, trazendo um número crescente de fiéis.
A capelinha de Itaguassu se tornou pequena e já não comportava tantos
devotos! Em 1743, foi dirigida uma petição ao bispo do Rio de Janeiro,
para que se construísse uma capela com o título de Nossa Senhora da
Conceição Aparecida. E assim, a imagem foi transportada para o morro
dos Coqueiros, onde nasceria o povoado e o santuário de Aparecida.
A
libertação das dores, da escravidão e da fome
No
caso de Nossa Senhora Aparecida, não nos deparamos com uma aparição
como a que ocorreu em Fátima ou em Lourdes, por exemplo. Entretanto,
a maneira como apareceu no rio, entre pescadores pobres, bem como
os prodígios realizados, lembram uma aparição silenciosa na qual a
Virgem “fala e se expressa”sem necessidade de pronunciar uma só palavra.
Os prodígios realizados mostraram claramente que Nossa Senhora ali
estava para proteger e ajudar os pobres e os oprimidos.
De
Oratório a Santuário
A
Capela de Aparecida fez parte da paróquia de Guaratinguetá até o ano
de 1893, quando o bispo de São Paulo lhe conferiu o título de Episcopal
Santuário de Nossa Senhora Aparecida.
Devido
à sua fragilidade, foi preciso restaurar várias vezes a imagem e limitar
suas saídas do santuário. Em 1970 um acontecimento chocou o Brasil,
quando um homem derrubou a imagem de cima do pedestal em que se encontrava,
fazendo com que se partisse em 165 pedaços! Graças ao trabalho dos
restauradores, os brasileiros puderam rever a imagem íntegra e reconduzi-la
com grande festa ao santuário, em 19 de agosto de 1978.
O
Santuário de Nossa Senhora Aparecida é o maior centro de peregrinações
do nosso País. Nele, a Virgem Maria é venerada pelo povo brasileiro.
Sob sua proteção, os fiéis “peregrinos da fé” se refugiam suplicantes
em todos os perigos e necessidades. E Nossa Senhora Aparecida, atenta
aos pedidos que lhe são dirigidos, por sua intercessão está sempre
pronta a alcançar-nos as graças e a salvação.
Consagração
a Nossa Senhora Aparecida
Ó
Maria Santíssima, que em vossa imagem milagrosa de
Aparecida
espalhais inúmeros benefícios sobre todo o Brasil,
eu,
........................... ,embora indigno de pertencer ao número
de vossos
servos,
mas cheio do desejo de participar dos benefícios de vossa
misericórdia,
prostrado a vossos pés, consagro-vos meu
entendimento,
para que sempre pense no amor que mereceis;
consagro-vos
minha língua, para que sempre vos louve e
propague
vossa devoção; consagro-vos o meu coração, para que,
depois
de Deus, vos ame sobre todas as coisas.
Recebei-nos,
ó Rainha incomparável, no ditoso número de vossos
servos;
acolhei-nos debaixo de vossa proteção; socorrei-nos em
todas
nossas necessidades espirituais e temporais, sobretudo
na
hora de nossa morte. Abençoai-nos, ó mãe celestial, e com
vossa
poderosa intercessão fortalecei-nos em nossa fraqueza, a
fim
de que, servindo-vos fielmente nesta vida, possamos louvar
-vos,
amar-vos e dar-vos graças no Céu, por toda a eternidade.
Assim
seja
Graças
demos à Senhora!
Graças
demos à Senhora,
que
por Deus foi escolhida
para
ser a Mãe de Cristo,
a
Senhora Aparecida.
Virgem
Santa, Virgem bela,
Mãe
amável, Mãe querida.
Amparai-nos,
socorrei-nos,
ó
Senhora Aparecida.
Nos
momentos de perigo,
que
são tantos nesta vida,
confiantes
recorramos,
ó
Senhora Aparecida.
Protegei
a Santa Igreja,
nossa
mestra, nossa guia.
Protegei
a nossa Pátria,
ó
Senhora Aparecida.
Texto
elaborado por Sílvia Bruno Securato
Email:
silvia@religiaocatolica.com.br
Bibliografia