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O que é vocação? Difícil encontrar uma resposta? Eu confesso que nunca ouvi uma explicação que me convencesse, que tirasse minhas dúvidas. Para mim sempre foi uma angústia ouvir ou falar sobre vocação. Já ouvimos varias palestras sobre o tema, mas para muitas pessoas o seu significado e a sua importância ainda não estão claros. Fazemos testes vocacionais e, mesmo assim, nos “encontramos perdidos”. Temos medo de tomar decisões porque, afinal de contas, não podemos errar em nossa vocação, certo? O que é vocação? A palavra tem um sentido muito amplo. Em termos profissionais, esta é uma pergunta que todos os jovens tentam responder, para si mesmos, quando estão cursando o 2° grau ou quando já estão na faculdade. É uma pergunta que um grande amigo meu, profissional de marketing que, aos 45 anos de idade, ainda não tinha encontrado a resposta. Muitas pessoas confundem vocação com vida religiosa. Outras, partem para o casamento, mas não têm vocação para a paternidade. A origem da palavra é latina - vocatione (substantivo) – e significa chamado, escolha, tendência, disposição, talento, aptidão. Ou Vocare (verbo) que significa chamar. Na teoria é fácil entendê-la, mas na prática... Eu nunca pensei que um dia seria jornalista e trabalharia na televisão. Pasmem, eu queria ser dentista! Ao prestar vestibular para odontologia eu não tinha bons resultados nas provas de biologia, até que desisti. Aos poucos fui descobrindo meus talentos e percebendo que tinha facilidade para escrever. Então, decidi fazer jornalismo, já aos 27 anos. É muito difícil para um jovem decidir que carreira irá seguir quando termina o colegial, aos 17 ou 18 anos de idade. Falta conhecimento, maturidade, experiência. Minha vontade era casar aos 22 ou 23 anos, o que só aconteceu aos 31, graças a Deus, bem maduro! E assim acontece com todos nós. Cada um tem a sua historia. Então, afinal de contas, como podemos definir vocação? Hoje, aos 34 anos de idade, acho que encontrei a definição que tanto procurava. Ela vem de Aristóteles, filosofo grego que viveu do ano 384 a 322 aC: “onde uma necessidade do mundo e os seus talentos se cruzarem, aí está sua vocação”. Eu não tenho dúvidas de que Aristóteles estava inspiradíssimo quando filosofou sobre esse tema. Essa definição muda muita coisa e faz envergar a vocação sob um outro prisma: o de que nós não temos uma vocação pronta, definitiva. A vocação não é simplesmente uma escolha. Temos, sim, talentos aptidões e habilidades que vão direcionar a determinada missão ou atividade e nós nos encaixaremos, ou não, onde houver necessidade. Tentar descobrir nossa vocação sem antes conhecer nossas aptidões, nossos dons naturais, é “atirar no escuro”. É prestar vestibular para Odontologia (área da Biologia) tendo aptidões para Jornalismo (área de Humanas). Um médico sem vocação é terrível. Um médico sem vocação é um desastre. Um padre sem vocação é terrível. Um jornalista sem vocação é um “analfabeto”. Um pai ou uma mãe sem vocação é como uma árvore seca. E por aí vai... Não existe uma fórmula pronta do tipo, faça isso e você será feliz. Temos que nos conhecer, pelo menos buscar nos conhecer. Nossos dons, estão em nós, óbvio. Mas, porque será que nós buscamos o que está fora, o que está na moda, o que dá dinheiro, o que dá destaque? Às vezes nossos talentos são mais simples do que de outras pessoas, mas não podemos nos sentir menores. Temos talentos que os outros não tem e vice-versa. Cada um é cada um. No dia em que eu estiver diante de Deus, vou apresentar a Ele a minha vida e não a vida de outra pessoa. Eu vou mostrar a Deus o que fiz com os meus talentos, e não com os talentos do outro. Pense bem, se começássemos a viver o que Aristóteles nos sugere, talvez nossa vida se tornasse melhor e nossa vocação mais completa. Precisamos estar atentos às necessidades do mundo à nossa volta. Sempre haverá uma lacuna a ser preenchida, onde nossas habilidades poderão ser usadas com possibilidade de ganhos. Utilizando a sábia definição de Aristóteles chegamos à seguinte fórmula: necessidade + talento = oportunidade. Por isso devemos amadurecer nossos talentos, estar sempre atualizados na medida do possível, não importa qual o nosso trabalho. Já pensou? De repente, surge uma oportunidade e nós não estamos prontos! Quer um exemplo? Bill Gates. Ele percebeu uma necessidade no mundo da informática e estava apto para desenvolver um projeto. Deu no que deu. Todos os computadores usam um produto que ele desenvolveu: o Windows. Não quero dizer que todos nós temos que ser ricos e famosos como Bill Gates. Não í isso que importa. O importante é a realização pessoal. O importante é ser feliz aonde estivermos. Por outro lado, somos chamados a participar de uma comunidade colocando nossos dons à disposição de todos. Precisamos uns dos outros. E, quanto maior for o nosso envolvimento, maiores são as chances de surgir uma oportunidade. Envolva-se e fique atento! |
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