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NO ANGELUS DESTE DOMINGO, JPII INDICA AOS HOMENS, O CAMINHO DA MODÉSTIA E DA HUMILDADE Cidade do Vaticano, 02 set (RV) - Após a pausa para as férias de verão, as atividades começam a ser lentamente retomadas em todo o hemisfério Norte: volta ao trabalho, abertura do novo ano letivo e retorno às habituais atividades sociais. Momento propício para que o homem se recorde dos valores que devem nortear a sua vida. JPII não deixou escapar essa oportunidade e, na reflexão que antecedeu a oração mariana do Angelus, esta manhã, em Castelgandolfo, convidou os fiéis a percorrerem o caminho da modéstia e de humildade, porque _ sublinhou _ no Reino dos Céus, são os modestos e os humildes que serão premiados, e não os inescrupulosos e os prepotentes. Modéstia e humildade: palavras que assumem, hoje em dia, um caráter de "desuso" _ refletiu o Pontífice _ sobretudo no contexto da mentalidade atual, na qual, freqüentemente, prevalecem a falta de escrúpulos e a prepotência. "A mentalidade do mundo, de fato _ disse o Papa _ impele a emergir, a abrir caminho a qualquer custo, até mesmo com a esperteza e a falta de escrúpulos, em busca da auto-afirmação e dos interesses próprios. No Reino de Deus são premiadas a modéstia e a humildade. Ao contrário, no contexto terreno, não raramente, levam a melhor, a total ausência de escrúpulos e a prepotência. As conseqüências disso estão à vista de todos: rivalidades, arbitrariedades e frustrações." "A palavra do Senhor _ prosseguiu o Santo Padre _ ajuda a ver as coisas a partir de uma justa perspectiva, que é a da eternidade." O próprio Jesus _ considerou JPII _ "percorreu com coerência os caminhos da humildade" e realizou a exortação do antigo e sábio Livro do Eclesiástico... " Filho, realiza teus trabalhos com mansidão e serás mais amado que o homem que dá presentes. Quanto mais fores grande, tanto mais te humilhes, e assim encontrarás graça diante do Senhor." "Com essas palavras _ ilustrou JPII _ ele quis dizer aos homens de todos os tempos, que a superficialidade e a falta de escrúpulos, ainda que obtenham algum sucesso imediato, não constroem o verdadeiro bem do homem e da sociedade. O Reino de Deus, de fato, é preparado de maneira eficaz, por pessoas que realizam a própria atividade de modo sério e honesto, que 'não se deixam levar pelo gosto das grandezas' _ precisou o Papa, citando a Carta aos Romanos _ 'mas sim se afeiçoam às coisas modestas'." Concluindo,
JPII recordou a iminente festa do nascimento de Maria _ no próximo sábado,
8 de setembro _ ocasião propícia para se rezar à Virgem _ convidou _ "para
que toda atividade, profissional ou doméstica, possa realizar-se num clima
de autêntica humanidade, graças à humilde e efetiva contribuição de cada
um". (AF) O Senhor é criador do mundo e protege o seu povo1. O Cântico de louvor que acabamos de proclamar (cf. Jdt 16, 1-17) é atribuído a Judite, uma heroína que se tornou o orgulho de todas as mulheres de Israel, porque a ela coube exprimir o poder libertador de Deus num momento dramático da vida do seu povo. Deste seu cântico, a liturgia das Laudes faz-nos recitar apenas alguns versículos. Eles convidam a fazer festa, cantando em sintonia de vozes, tocando timbales e címbalos, para louvar o Senhor que "põe fim às guerras" (v. 2). Esta última expressão, que define o verdadeiro rosto de Deus que ama a paz, introduz-nos no contexto em que nasceu o hino. Trata-se de uma vitória alcançada pelos Israelitas de maneira totalmente surpreendente, por obra de Deus que intervém para os subtrair à perspectiva de uma derrota iminente e total. 2. O Autor sagrado reconstrói este acontecimento alguns séculos mais tarde, a fim de oferecer aos irmãos e irmãs na fé, tentados pelo desencorajamento numa situação difícil, um exemplo que os possa animar. Desta forma, recorre ao que acontecera em Israel quando Nabucodonosor, irritado com a indisponibilidade deste povo perante os seus projectos de expansão e as suas pretensões idolátricas, enviara o general Holofernes com a tarefa bem definida de o dominar e aniquilar. Ninguém devia resistir a ele, que reivindicava as honras de um deus. E o seu general, compartilhando a sua presunção, desprezara a admoestação, que também ele recebera, de não atacar Israel, porque seria como ofender o próprio Deus. Em última análise, o Autor sagrado deseja recordar precisamente este princípio, para confirmar os crentes do seu tempo na fidelidade ao Deus da Aliança: é preciso ter confiança em Deus. O verdadeiro inimigo que Israel deve temer não são os poderosos desta terra, mas a infidelidade ao Senhor. Ela priva-o da protecção de Deus e torna-o vulnerável. Ao contrário, quando é fiel o povo pode contar com a própria força de Deus, "magnífico no seu poder e invencível" (cf. v. 13). 3. Este princípio é maravilhosamente ilustrado por toda a história de Judite. O cenário é o da terra de Israel já invadida pelos inimigos. Do cântico emerge a dramaticidade deste momento: "O assírio veio das montanhas do norte com a multidão dos seus guerreiros. A sua multidão secava as torrentes, e a sua cavalaria cobria os vales" (v. 5). A arrogância efémera do inimigo é realçada com sarcasmo: "Ele jurara incendiar o meu país, e passar ao fio de espada a minha juventude, e roubar os meus filhos, e levar as minhas filhas para o cativeiro" (v. 6). A situação descrita pelas palavras de Judite é parecida com outras vividas por Israel, nas quais a salvação chegara quando parecia que já não havia caminhos de salvação. Não acontecera assim também a salvação do Êxodo, na passagem prodigiosa através do Mar Vermelho? Também agora o assédio por parte de um exército numeroso e poderoso tira qualquer esperança. Mas tudo isto só evidencia o poder de Deus, que se manifesta como um protector invencível do seu povo.
A figura de Judite tornar-se-á depois o arquétipo que permitirá não só à tradição hebraica, mas também à cristã, realçar a predilecção de Deus por tudo o que é considerado frágil e débil, mas que precisamente por isso é escolhido para manifestar o poder divino. Ela é uma figura exemplar também para exprimir a vocação e a missão da mulher, chamada à igualdade com o homem, de acordo com as suas características específicas, a desempenhar um papel significativo no desígnio de Deus. Algumas expressões do livro de Judite serão adoptadas, de modo mais ou menos integral, pela tradição cristã, que verá na heroína hebraica uma das prefigurações de Maria. Não se sente talvez um eco dos tons de Judite quando, no Magnificat, Maria canta: "Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes" (Lc 1, 52)? Por conseguinte, compreende-se como a tradição litúrgica, familiar aos cristãos quer do Oriente quer do Ocidente, gosta de atribuir à Mãe de Jesus expressões que se referem a Judite, como as seguintes: "Tu és a glória de Jerusalém, tu és a alegria de Israel, tu és a honra do nosso povo" (Jdt 15, 9). 5. Partindo da experiência
da vitória, o cântico de Judite concluiu-se com um convite a elevar a
Deus um cântico novo, reconhecendo-o "grande e glorioso". Ao
mesmo tempo, admoestam-se todas as criaturas a permanecerem submetidas
Àquele que com a sua palavra fez todas as coisas e as plasmou com o seu
espírito. Quem pode resistir à voz de Deus? Judite recorda-o com grande
ênfase: perante o Criador e Senhor da história, os fundamentos dos
montes serão abalados e as rochas derreter-se-ão como a cera (cf. Jdt
16, 15). São metáforas eficazes para recordar que todas as coisas
são "nada", face ao poder de Deus. E contudo este cântico de
vitória não quer amedrontar, mas confortar. De facto, Deus oferece o seu
poder invencível em apoio de quantos lhe são fiéis: "Aqueles
que Vos temem serão verdadeiramente grandes aos vossos olhos" (ibid.).
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