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E Eu te declaro: tu és Pedro , e sobre essa pedra edificarei a minha
Igreja” A história da Igreja é toda tomada por grandes personalidades que influenciaram ou mesmo modificaram o curso dos acontecimentos na Igreja e no mundo. Foram Papas que, agraciados por Deus, conseguiram um alto grau de espiritualidade, segundo a ordem de Cristo (Mt 16, 18). Acompanhe a história desses homens de Deus.
O Papa Sisto II foi um dos grandes nomes do mundo antigo. Não se conhece a data de seu nascimento. Subiu ao papado no ano de 257. Conseguiu acabar com diversas heresias. Foi conhecido pela sua piedade e simplicidade pessoal. Durante a perseguição promovida pelo imperador Valeriano defendeu, corajosamente, as funções eclesiásticas de seus subordinados e auxiliares. Morreu mártir. Em 6 de agosto de 258, soldados do imperador invadiram as catacumbas de São Calisto, em Roma. O Papa foi decapitado ali mesmo enquanto rezava a missa!
Outro grande vulto da antiguidade cristã foi a figura de São Leão I, também chamado de Leão Magno. Foi investido como Papa no dia 29 de setembro de 440 e começou imediatamente a lutar contra a heresia do monofisitismo, que considerava que Cristo possuía apenas a natureza divina e não a humana. Outra tarefa considerada importante por Leão foi a consolidação do papado. Também nesse assunto, o Papa conseguiu uma grande vitória. Desenvolveu bastante a doutrina sobre a atuação dos bispos e da importância da comunhão entre estes e o Papa.
Gregório nasceu em Roma, por volta do ano 540, de família nobre. Foi pretor de Roma (uma espécie de primeiro ministro). Depois de dois anos nesse cargo, exonerou-se, transformando sua própria casa num mosteiro beneditino onde levou vida de monge. Destinou sua grande propriedade territorial à construção de mosteiros. Foi legado do Papa em Constantinopla por seis anos, vivendo também na corte imperial com simplicidade monástica. Voltando a Roma, retornou a sua vida monástica. Foi eleito Papa em 3 de setembro de 590, sendo o primeiro membro de ordem religiosa a ocupar a cátedra de São Pedro. Sua maior preocupação eram os pobres. Atribuiu ao papado o título de “Servo dos servos de Deus”, título esse que foi definitivamente incorporado à linguagem papal.
Somente no dia 12 de fevereiro de 1049, Bruno tomou posse da função de papa na Basílica de Latrão. Foram raros os papas que viajaram como Leão IX em função da renovação da Igreja. Essa reforma eclesiástica em muito favoreceu o fortalecimento do papado. Leão IX realizou diversos empreendimentos políticos. Mantinha boas relações com o imperador Henrique III, mas tinha consciência de que aquela dependência que os papas tinham dos imperadores alemães não poderia continuar como estava. Porém Leão teve sérios problemas na Baixa Itália, visto que os normandos ali se haviam fixado. Em 1053 foi enviado um exército papal ao local, mas este foi derrotado na Apúlia. O próprio papa foi feito prisioneiro na localidade de Benevento, onde ficou durante nove meses. Outra obra notável realizada foi em relação à Igreja do Oriente. Desde 1043, quem ocupava a cátedra patriarcal de Constantinopla era Miguel Cerulário, um grande inimigo da Igreja do Ocidente que, por sua vez, aspirava assumir o controle da Igreja oriental. No ano de 1054, o cardeal Umberto, secretário de Leão, integrou uma delegação papal, que seguiu em direção a Constantinopla. Lá, o patriarca proibiu que celebrassem a santa missa, o que foi respondido por eles com a bula de excomunhão, composta por Umberto e depositada na Igreja de Santa Sofia no dia 16 de julho de 1054, perante o clero e o povo. O imperador alemão fez ainda algumas tentativas de reconciliação, mas foram em vão. Este foi o marco da cisão entre as Igrejas oriental e ocidental. Leão IX morreu no dia 19 de abril de 1054 e pouco tempo depois passou a ser venerado como santo.
Seu nome originário era Hidelbrando. Nasceu no ano 1020 e foi criado na França. Depois partiu como monge para Cluny. Exerceu a função de conselheiro de cinco papas e também participou de delegações junto à corte do imperador alemão. Foi eleito papa em 22 de abril de 1073. Isso se deu a pedido do próprio povo após a morte de seu antecessor, ignorando as prerrogativas do rei da Alemanha, que tinha o privilégio de sancionar a decisão dos cardeais. Foi muito atuante nos sínodos quaresmais de 1074 e 1075 na Basílica de Latrão, quando condenou a simonia e o casamento dos sacerdotes, que já haviam sido proibidos, desde meados do século IV, porém ignorados. Da mesma forma, condenou a chamada “investidura leiga”, que permitia aos príncipes investirem os bispos em cargos eclesiais, sem as devidas regras romanas. Os bispos só podem ser investidos pela autorização do Papa. O Papa Gregório exigiu a liberdade da Igreja em relação ao poder dos príncipes, emancipando e fortalecendo o papado e a força dos bispos em relação ao poder temporal. Em sua ação política, seguia a ideologia de Agostinho de Hipona, exposta em “A Cidade de Deus”. Devido a isso, tinha o seguinte discurso: a Pedro, o primeiro Papa, Cristo concedeu não só o poder supremo de árbitro em assuntos espirituais, como também a posição de príncipe supremo dos reinos. Por serem os Papas sucessores de Pedro, eles têm o direito de depor o imperador em caso de necessidade. Tal opinião ocasionaria, certamente, uma série de desentendimentos entre ele e os reis e príncipes alemães, além da questão das investiduras, que deixou o rei Henrique furioso. Em janeiro de 1076, os bispos alemães escreveram uma carta na qual declaravam o Papa deposto. O rei, concordando, escreveu uma carta, que também depunha o Papa Gregório, por isso, a ele, o rei se referia como Hidelbrando, seu nome original. Porém, no sínodo quaresmal, em 1076, decidiu-se que deveria haver um encontro do Papa com o rei. O encontro dos dois se deu em Augsburgo, na Alemanha, onde o rei apareceu com vestimentas de penitência pedindo a absolvição. No dia 28 de janeiro de 1077, o Papa concedeu ao rei a absolvição, dando-lhe a comunhão. Esse tempo de paz foi pequeno, e logo novos conflitos explodiram. Os príncipes alemães, insatisfeitos com a absolvição do rei Henrique, elevaram ao trono, como anti-rei, o seu primo Rodolfo de Rheinfelden. Henrique pediu a ajuda de Gregório sob a ameaça de nomear outro papa. A resposta de Gregório foi excomungar Henrique em março de 1080. Em junho de 1080, Viberto de Ravena foi nomeado como antipapa, com o nome de Clemente III. Em 1088, Henrique conseguiu conquistar Roma, investindo assim o antipapa no Latrão, e este, por sua vez, em 1084, nomeara Henrique como imperador. Gregório se retirou para o castelo de Santo Ângelo, que foi sitiado pelos alemães. Os normandos o socorreram, mas em compensação devastaram a cidade, atraindo, assim, o ódio dos romanos, que acabou atingindo também o próprio Gregório. Morreu exilado, com poucos adeptos, em Salermo, no dia 25 de maio de 1085, dia em que é comemorada a sua memória litúrgica. Embora com vida política atribulada, o Papa Gregório VII foi de uma espiritualidade incontestável. Seus contemporâneos o consideravam um grande profeta e, de fato, ele era. Em seu pontificado, cresceu muito a devoção à Santíssima Virgem e a idéia de sua gloriosa assunção corpórea aos céus ganhou muita difusão. Gregório VII foi um grande reformador da Igreja e sólido defensor da ortodoxia da fé. Foi canonizado em 1606 por Paulo V.
Seu nome de origem era Bernardo Paganelli de Montemagno, discípulo de São Bernardo de Claraval e abade do mosteiro cisterciense romano. Foi nomeado papa no dia 15 de fevereiro de 1145, sucedendo o papa Lúcio II. Logo depois de sua eleição, teve como inimigo Arnoldo de Bréscia, que dizia que Roma não deveria se subjugar ao papa. Devido a tal fato, Eugênio III acabou abandonando a cidade, sendo investido como papa fora de Roma. Em dezembro de 1145, a paz se restabeleceu entre os romanos, que reconheceram a autoridade do papa sobre a cidade, tornando possível sua volta. Porém sua estada foi por pouco tempo, pois em 1147 teve que ir para a França, onde promoveu uma cruzada anunciada por Bernardo de Claraval. Essa cruzada não teve bom resultado, o que provocou revolta contra os dois. Depois disso, Eugênio empenhou-se intensamente pela reforma da Igreja. Em 1152, sob proteção do imperador Frederico I Barba Roxa, o papa pôde voltar a Roma, sob a promessa de que o imperador restabeleceria a ordem no Estado Pontifício. Eugênio, gratificado, resolveu coroar o imperador, porém morreu antes que este chegasse a Roma, no dia 8 de julho de 1153. Foi beatificado por Pio IX no século XIX.
Seu nome de origem era Teobaldo Visconti. Foi arquidiácono de Liége. No momento em que foi eleito papa, em 1º de setembro de 1271, encontrava-se no cumprimento de um voto na Terra Santa, assumindo seu cargo somente em 27 de novembro de 1271, em Roma. No concílio ecumênico de 13 de abril de 1273, Gregório X indicou como objeto de exame a reforma da Igreja, a união com os gregos e o auxílio a Terra Santa. No dia 7 de maio de 1274, foi aberto o décimo quarto concílio ecumênico, o segundo realizado em Lião. Participaram mais de 300 bispos e teólogos, além da presença de uma delegação grega a partir de junho. Em 29 de junho, a leitura do Evangelho foi anunciada em língua latina e grega. No dia 6 de julho de 1274, Gregório anunciou a conclusão da unificação com a Grécia após o imperador grego, Miguel VIII, ter reconhecido o Primado de Roma e a confissão de fé promulgada no concílio de Nicéia. Porém essa união durou pouco, devido à oposição do clero e do povo da Grécia. Nesse mesmo concílio, foi decidida mais uma cruzada, já que uma das aspirações do papa era libertar a Terra Santa. O outro tema, a reforma da Igreja, não foi possível que se examinasse, mas quanto a isso foram expedidos alguns decretos, como o da eleição papal. Até que se efetuasse a eleição, os candidatos deveriam aguardar no conclave, um recinto fechado e sem comunicação alguma com o mundo externo. Além disso, as condições de vida dos cardeais, enquanto estivessem no conclave, seriam mais escassas e não receberiam remuneração. Essa lei prevalece até hoje, em sua essência. Depois do concílio, Gregório se dedicou inteiramente na realização da cruzada. Quase todos os príncipes do Ocidente resolveram participar, inclusive o imperador grego. No entanto, antes que se iniciasse a cruzada, o papa deveria regularizar a situação da Alemanha, que vivia um interregno, ou seja, por prolongado tempo não havia nem rei nem imperador. Por isso, o papa Gregório pediu aos príncipes eleitores alemães que fizessem uma eleição o mais rapidamente possível, senão ele mesmo anunciaria o novo rei alemão. Assim, por unanimidade, elegeram Rodolfo de Habsburgo, no dia 1º de outubro de 1273. Sua coroação pelo papa foi marcada para mais de dois anos depois, no dia 2 de fevereiro de 1276. O imperador e seus cavaleiros receberam a cruz como sinal de sua disponibilidade para a cruzada. Porém, antes que chegasse a data da coroação, o papa Gregório morreu, no dia 10 de janeiro de 1276, em Arezzo. Foi beatificado por Clemente XI, em 1713, e sua memória litúrgica se comemora no mesmo dia de sua morte.
Foi investido em Áquila no dia 29 de agosto. Era um homem profundamente piedoso, porém muito inexperiente para o governo da Igreja. Por isso se submeteu inteiramente ao poder do rei Carlos II de Anjou. Este, atendendo pedidos dos cardeais, impediu que o papa mudasse sua residência para Roma, além de fazer com que revisse as severas normas da eleição papal estabelecidas por Gregório X. Frente a tantos fracassos e sob o poder do rei, Celestino, visando o bem de sua própria alma, resolveu renunciar ao cargo. No dia 10 de dezembro de 1294, o papa expediu uma bula sobre a sua abdicação. Quem colaborou para sua renúncia, como conselheiro, foi Bonifácio VIII, seu sucessor. A dúvida a respeito da regularidade dessa renúncia pairava no ar, portanto Bonifácio, temendo um cisma, decretou a prisão de Celestino, que ficou preso até a data de sua morte, no dia 19 de maio de 1296. Foi canonizado por Clemente V, em 1313.
Seu nome era Nicolau Boccasini. Subiu a Cátedra de Pedro em 22 de outubro de 1303. Homem de profunda vida religiosa, mantinha hábitos de monge. Foi eleito por decisão unânime dos cardeais. Tentou promover sérias reformas no interior da Igreja, pelas quais foi perseguido por parte da nobreza romana. Morreu no exílio em Perúgia a 7 de julho de 1304. Foi beatificado por Bento XI em 1736.
Esforçou-se muito para conservar a pureza de fé lutando severamente contra os hereges. Por isso, Pio V excomungou a rainha Elisabete da Inglaterra e a declarou deposta, sendo esta a última deposição de um monarca feita pelo papa na história. Lutou também contra os turcos que haviam conquistado a ilha de Chipre em 1571, derrotando-os em 7 de outubro de 1571, na famosa batalha de Lepanto. Em agradecimento a tão ilustre vitória, Pio V introduziu a festa do Rosário de Nossa Senhora na Igreja, bem como a festa de Maria Auxiliadora. Morreu no dia 1º de maio de 1572, sendo canonizado em 1712. Sua memória litúrgica se comemora em 30 de abril.
Benedetto Odescalchi foi eleito papa no dia 21 de setembro de 1676, após um conclave de mais de dois meses de duração. Nascera em Como, em 19 de maio de 1611, tornando-se cardeal a partir de 1645. Inocêncio XI é considerado um dos papas mais dignos de seu tempo. Lutou contra a simonia, o molinismo e o nepotismo, além de renegar o absolutismo, atraindo, assim, para si a inimizade do rei francês Luís XIV. Foi o mediador da aliança entre a Polônia e a Áustria, e em Viena, obteve a vitória de Kahlenberge, em 1683. Graças aos investimentos do papa de altas quantias em dinheiro, apoiando as lutas, e a essa vitória, foi possível que se afastasse a ameaça dos turcos ao Ocidente. Morreu no dia 12 de agosto de 1689 e foi logo venerado como santo pelos romanos. Foi beatificado por Pio XII em 1956.
Suas reformas foram múltiplas. Pio X reformulou o Código de Direito Canônico, recomendou a comunhão freqüente e mesmo diária através de um decreto de 20 de dezembro de 1905, que foi completado, em 1910, por um outro sobre a primeira comunhão das crianças com pouca idade. Em 1908, Pio X reformou a cúria reduzindo as congregações e redistribuindo as suas tarefas. Proporcionou melhorias também nos estudos teológicos, fundou o Instituto Bíblico de Roma para ressaltar o significado da Bíblia e também viu que era chegada a hora da reformulação do catecismo, visando o aprimoramento do ensino religioso. Nessa época surgiram as divergências entre o “catolicismo tradicional” e o “modernista”, que desejava a renovação do catolicismo adaptando-o ao espírito da época. Isso entrou em conflito com o magistério da Igreja, que através de um decreto de 3 de julho de 1907, e de 8 de setembro de 1907 pela encíclica “Pascendi dominici gregis”, designou o modernismo como a pior das heresias. Em 1º de setembro de 1910, foi decretado que qualquer candidato a ordens religiosas ou ao sacerdócio católico deveria fazer um juramento antimodernista. Pio X morreu na noite de 19 para 20 de agosto de 1914, vendo a Europa envolvida no conflito da Primeira Guerra Mundial. É visto na história como o papa da liturgia e da eucaristia. Foi canonizado por Pio XII em 1954. Sua memória litúrgica é no dia 21 de agosto. Texto
elaborado por Ivan Rojas Bibliografia
– “Léxico dos Papas” de Pedro
a João Paulo II De Rudolf Ficher-Wolpert Editora Vozes – 1991
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