À
Luz da Trindade irradiamos o Amor Divino
(Artigo gentilmente enviado pelo padre Denílson Aparecido Rossi,
imd)
1) A Descoberta
A descoberta da Trindade é um ato de fé que, no cristianismo, acontece
através das diversas manifestações religiosas populares, litúrgicas
e catequéticas. Essa descoberta se torna mais profunda quando, com a
finalidade de aperfeiçoar a fé, mergulhamos nas ciências sagradas que
nos levam a perscrutar o Símbolo da Fé e a Sagrada Escritura.
Manifestações Religiosas
Um dos primeiros atos religiosos que aprendemos com nossos pais é o
sinal da cruz: em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.Quando
nos reunimos para rezar o terço ou outra atividade de cunho religioso,
sempre iniciamos invocando o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Nas bênçãos de pessoas, casas, edifícios e outras obras, lugares e objetos,
alimentos, etc... o ministro começa e termina o rito invocando o Pai,
o Filho e o Espírito Santo. Nos atos litúrgicos, tais como, celebrações
eucarísticas (missa), celebrações da Palavra, casamentos, batizados...
introduzimos e encerramos os ritos em nome do Pai, do Filho e
do Espírito Santo. A catequese cristã nos ensina que temos um único
Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo. Portanto, estas manifestações
e expressões religiosas nos levam a descobrir que o Deus cristão
é Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo.
Símbolo da Fé
Nós cristãos, ao professarmos nossa fé, dizemos: Creio em Deus Pai todo-poderoso,
criador do céu e da terra. E em Jesus Cristo, seu único Filho, Nosso
Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da virgem
Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado.
Desceu à mansão dos mortos, ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus,
está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a
julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja
católica; na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição
da carne; na vida eterna. Amém.
Assim sendo, o Símbolo da Fé cristã nos leva a descobrir
que cremos num Deus Trindade que é Pai, Filho e Espírito Santo.
Sagrada Escritura
Perscrutando a Sagrada Escritura constatamos também que Deus é Pai,
Filho e Espírito Santo, ou seja, é Trindade:
- é Pai enquanto Criador do mundo (Dt 32,6; Ml 2,10);
- é Filho em Jesus Cristo Redentor (Mt 16,16-17; Mc 14,61-62; Ef 1,7;
Cl 1,13-14);
- é Espírito Santo enquanto nos comunica a Vida (Gn 1,2; 2,7; Ez 37,10).
2) Confusão
Afinal, nosso Deus é Um ou são Três?
Muitos afirmam ser Um. Mas tudo o que já falamos até agora, nos leva
a crer que são Três.
De fato, parece que estamos diante de uma grande confusão.Vamos aumentar
ainda mais a confusão. Um significa solidão. Se Deus for Uno estará
eternamente só. Três significa pluralidade. A pluralidade também é complicada.
Poderíamos facilmente afirmar a existência de divindades, isto é, que
existe mais de um deus. O que equivale dizer que teríamos hierarquias
e diferenças de naturezas divinas.
3) Solução
A divindade cultuada e adorada pelos cristãos é a Trindade. O que constitui
a Trindade é a Unidade e a Comunhão de Amor.
A Unidade
A descoberta de Deus como Trindade leva-nos, necessariamente, a refletir
sobre a unidade.
Quando falamos da triplicidade das Pessoas não pretendemos desvalorizar
a unidade divina, bem como ao afirmarmos a unidade não negamos a distinção
das Pessoas:
- o Pai é Criador;
- o Filho é Redentor;
- o Espírito Santo é Vivificador, Santificador, Consolador, Amor...
É verdade que cada uma das Pessoas divinas possui características próprias.
No entanto, são tão unidas de modo que uma não é sem a outra. A coexistência
na unidade é que constitui à Trindade sua razão de ser.
Alguns textos bíblicos elucidam mais profundamente
esta unidade trinitária: (Dt 6,4; 4,35; 32,39; Mc 12,29; 1Cor 8,4).
O próprio Jesus, ao falar de si, demonstra claramente esta unidade trinitária
(Jo 14,8-20).
Neste sentido, podemos dizer que:
- o Filho é Deus, mas não outro
deus,
- o Espírito Santo é Deus, mas
não outro deus,
- o Pai é Deus, mas não outro
deus.
Pois, pela
unidade de Deus o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo. O
Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo. O Espírito Santo está
todo no Pai e no Filho. Nenhum deles precede o outro na eternidade,
nem o excede na grandeza e nem o supera no poder (Concílio de Florença
em 1442). Devemos dizer também que a essência desta unidade indivisível,
mas distinguível, é o Amor.
Comunhão de Amor
Vimos como a descoberta do Deus Trindade nos levou a refletir sobre
sua unidade. Deste modo, a reflexão da unidade de Deus, Uno e Trino,
se desencadeia em sua comunhão.
A unidade é insuficiente para a compreensão do Deus cristão = Trindade.
A solução, portanto, está na comunhão. A unidade das três Pessoas trinitárias
reside na Comunhão do Amor que há em si mesmas. O Amor de Um, em sua
infinitude, torna-se o Amor do Outro e vice-versa.
Comunhão significa comum-união.
Comunhão só pode haver entre pessoas que se abrem naturalmente umas
às outras, existindo com e pelas outras:
- Eu e o Pai somos um (Jo 10,30);
- ...o Pai está em mim como
eu estou no Pai (Jo 10,38; 14,10-11).
Maior é nosso encanto quando
descobrimos que esta Comum-União de Amor entre as Pessoas da Trindade
se abre convidando as criaturas humanas e o universo inteiro a se inserir
na vida divina (Jo 17,21-26).
Participar da vida divina, isto
é, da Comunhão de Amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo, é a máxima
realização e o fim pleno de todos nós.
Confissão de Amor
Ao professarmos nossa fé com
o Símbolo dos Apóstolos ou com o Símbolo Niceno-constantinopolitano
fazemos uma confissão de Amor e expressamos nossa abertura e desejo
em participarmos desta Comum-União de Amor-Trinitário. O símbolo une
a fé que temos em comum nas Pessoas da Trindade, máxima expressão de
Amor.Vamos constatar esta verdade dando uma olhada no Símbolo Niceno-constantinopolitano
– o Credo - que é mais explícito e mais detalhado:
Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador do céu e da terra,
de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus
Cristo, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos:
Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado,
não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus e se encarnou
pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também
por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado.
Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus,
onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória,
para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio
no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho;
e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas.
Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo
para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a
vida do mundo que há de vir. Amém.
4) Conclusão
A descoberta da Trindade como unidade e comunhão de amor nos proporciona
concluir que o Deus cristão é uma fonte de Ternura. O cristão não pode
ficar, por muito tempo, fora desta fonte. Corre o risco de morrer. Portanto,
viver significa mergulhar na Ternura da Trindade. Só é possível irradiar
o Amor Divino que estiver mergulhado na Trindade Comunhão de Amor.
Para mergulhar profundamente
e encharcar-se da Ternura deste Deus Uno e Trino se faz necessário seguir
os passos de Jesus: esvaziar-se, aniquilar-se, desapropiar-se (Fl 2,1-11).
Caso contrário, quem estiver cheio de si mesmo ficará sempre boiando
na superficialidade
do seu próprio ser.
Texto elaborado por
Pe. Denílson Aparecido Rossi, imd
Cx. P. 16.193 CEP 81.611-970 Curitiba PR
E-mail: denilsonrossi@bol.com.br
Revisão feita por Stefania Contessa Panico