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Vida de Madre
Irmã Maria José do Espírito Santo |
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UM
POUCO DE HISTÓRIA Ir. Maria José do Espírito
Santo (Eudette Rodrigues Santana), nasceu em São Domingos –
Colatina – Estado do Espírito Santo, no dia 11 de março de 1941 e tornou-se
filha de Deus pelo Batismo no dia 24 de junho de 1941 na Igreja de São
Domingos, onde também fez sua Primeira Comunhão no dia 25 de dezembro
de 1948 e no ano de 1950 a sua Crisma. No desejo de seguir a Jesus mais de
perto entrou para o Carmelo de Santa Teresa no Rio de Janeiro, no dia
01 de maio de 1960, e vestiu o hábito religioso da Ordem de Nossa Senhora
do Carmo no dia 02 de fevereiro de 1961. Fez
sua Profissão Solene no dia 20 de julho de 1965. Com
licença especial dada pelo Sr. Cardeal D. Jaime de Barros Câmara tornou-se
Mestra de Noviças no dia 19 de março de 1970, cargo que exerceu e renovou
com a bênção do Sr. Cardeal D. Eugênio de Araújo Sales, que lhe tinha
grande estima. Fundou
o Carmelo de Nazaré – ES em 01 de outubro de 1981, onde foi a primeira
Priora antes das eleições. Foi primeira Conselheira e Mestra de Noviças
após as eleições onde permaneceu dois anos e dez meses. Iniciou a nova
vida em 30 de julho de 1984. Desligou-se
do Carmelo em outubro de 1988, ao terminar sua exclaustração e fez votos
imediatamente nas mãos do Arcebispo Dom Silvestre em 02 de novembro de
1988. Renovou
os seus votos em 14 de dezembro de 1991, junto com as Irmãs que se consagraram
neste dia. Emitiu os votos perpétuos em São Paulo nas mãos de D. Ferrnando,
Bispo de Santo Amaro, no dia 14 de dezembro de 1995, após a aprovação
da Regra de Vida. Não
são os títulos que interessam. Aliás, eles não existem senão para explicar
os fatos. Na simplicidade de vida e na obscuridade em que nascem as pessoas
escolhidas por Deus para suas Obras, já se encontra a resposta para a
pergunta: quem é a Fundadora das Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo?
Rica de nomes: Odete no Batismo,
Eudette no registro civil e Maria José do Espírito Santo no Convento.
Estes três nomes bem definem aquela que hoje aparece como sinal de contradição
em época tão conturbada no mundo e na Igreja. É a unidade na diversidade,
como Deus é Uno na Trindade. Pode parecer uma presunção, mas é uma realidade. Eudette
Rodrigues Santana nasceu em plena Guerra Mundial e na Quaresma. “Flor
da Paixão” e “Guerreira de Deus” poderia ser o seu dístico. Desde criança
afeiçoou-se pela Paixão de Jesus. Em especial, não lê e nem pode ouvir
a Paixão (coroação de espinhos e flagelação de Jesus) sem que as lágrimas
corram de seus olhos. Aos 13 anos teve devoção especial a S. Gema Galgani,
Passionista, pelo mesmo atrativo: a Paixão de Jesus. Seus
pais são, porque ainda estão vivos, o agropecuarista e comerciante aposentado,
depois também político Henrique Rodrigues Santana e Adelina Radaelli Santana,
do lar; ambos de famílias cristãs, mas humildes. Órfão muito cedo, Henrique
cuidou de cinco irmãos e trabalhou até tornar-se independente. Foram avós paternos, Carolino
Rodrigues de Sant’Anna e Coleta Drosdosk ou Drosly, como aparece no registro
da menina. Da avó polonesa, certamente herdou a fé e a piedade, a têmpera
forte e persistente e também a sensibilidade. Os avós maternos foram Benjamin
Fracalossi e Luiza Radaelli, ambos italianos, dos quais pouco se sabe
da origem, por falta de documentação. Italianos do Norte da Itália, região
do Como e Trento. Do lado paterno a avó polonesa
e o avô português, com espanhol e índio...uma bela mistura para forjar
o caráter e a personalidade da menina. Desde criança, parecendo tímida,
era arrojada e sabia muito bem o que queria. Quando aos 15 anos pediu
ao pai para ser Religiosa, este não se admirou, mas comentou: essa falou,
vai, porque é de vontade firme. Eudette
fez sua Primeira Eucaristia na noite de Natal, na Missa do Galo que naquela
época era sempre à meia-noite. Tinha então sete anos e meio, mas já servia
na Igreja com uma liderança sem igual para sua pouca idade. Limpeza, arrumação
dos Altares, festas, coroação de Maria, mas também organizava procissões
de penitência para pedir chuva, rezava o Terço, a Ladainha de Maria e
outras devoções próprias de uma Igreja do interior dos anos quarenta e
cinqüenta. O que mais a admira ainda hoje é que aos 14 e 15 anos, muito
antes do Concílio, já havia o costume de ler em português na Missa e muitas
vezes ela lia em 1955 e 1956 e nos anos seguintes enquanto era Vigário
o Pe. Aureo Kanisque, hoje não mais em uso de ordens. Estudou
no Colégio das Irmãs de Jesus na SSma Eucaristia durante cinco anos, onde
nasceu sua vocação Religiosa e mesmo de Fundadora, pois aos 13 anos, durante
as férias, vestiu uma roupa preta de sua mãe, colocou um véu preto na
cabeça e apresentou-se aos vizinhos
como sendo a Madre Fundadora... Terminou seus estudos em Vitória no Colégio
Sacré-Coeur de Marie, onde lecionou um ano para duas turmas do primário.
Distinguiu-se como aluna recebendo prêmios de aplicação, comportamento,
Religião e dedicação. Duas Congregações esperavam tê-la em suas fileiras,
mas foi fiel ao chamado que sentia para tornar-se Carmelita. Vale a pena dizer que Eudette
correspondia-se com a Madre Priora Maria José de Jesus da qual conserva
três belas cartas. “Aos 16 anos, dizia a Madre, é muito cedo para ingressar
no Carmelo por causa de sua austeridade. Procure estudar mais e aprender
toda sorte de trabalhos manuais. Além disso, não há vaga, pois só podem
morar no Convento 21 religiosas, e no momento são 21, embora quase todas
em idade avançada.” A Madre Maria José de Jesus está hoje em Processo
de Beatificação. O
inesperado aconteceu. A própria Madre Priora veio a falecer justamente
no dia 11 de março de 1959, dia em que Eudette completava 18 anos. No
ano seguinte, ao entrar no Convento de Santa Teresa, ocupou a vaga deixada
pela Me. Maria José de Jesus. Por esse motivo a Me. Priora trocou o nome
de Eudette por Maria José do Espírito Santo, nome religioso que até hoje
conserva. A
DESPEDIDA PROFÉTICA Na
tarde do dia 08 de abril de 1960, antes de viajar para o Rio de Janeiro
a jovem foi despedir-se do seu Pastor e amigo, D. João Batista da Mota
e Albuquerque. Conversaram durante algum tempo sobre o Convento de Santa
Teresa e a dor da família ao despedir-se com um grade sentimento de perda.
D. João consolou a jovem e prometeu que falaria na Rádio durante o Programa
da Ave Maria pedindo a Nossa Senhora das Dores que confortasse a mãe e
toda a família nesta hora de despedida. Com
palavras de exortação o Sr. Arcebispo citou o Evangelho dizendo: “Eis
que vos envio como cordeiro no meio de lobos. Não temais, pequenino rebanho,
pois foi do agrado do meu Pai da-vos o Seu Reino. Eu a envio com minha
bênção de Pastor. Vá preparar-se para no futuro trazer um rebento do Carmelo
para sua terra. Eu a envio como embaixadora e não como embaixatriz, para
rezar pelo meu povo e o meu clero.” A
lembrança destas palavras de D. João marcaram toda a vida de Ir. Maria
José desde os primeiros dias no Carmelo, e forjaram sua personalidade,
tornando-a forte e resistente para vencer tantos obstáculos que encontrou
ao longo de sua caminhada. Eudette entrou no Convento
de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, no dia 01 de maio de 1960, numa Comunidade
com vários membros idosos e enfermos. Ir.
Maria José recebeu o hábito no dia 02 de fevereiro de 1961. Fez a primeira
profissão (votos temporários) no dia 20 de julho de 1962, dia que o Carmelo
celebra o Profeta Elias, profeta do fogo e da presença de Deus que tão
bem se afina com a espiritualidade carmelitana e as tendências da neo-professa.
No mesmo dia em 1965 emitiu os Votos Solenes. Jovem, inteligente, dedicada,
piedosa, dotada em todos os sentidos, na natureza e da graça, cresceu
e progrediu muito a nova Carmelita que dava esperanças para a Comunidade.
Foi nomeada Mestra de Noviças
em 1970, com dispensa de idade e do tempo de profissão, requerida pelo
então Cardeal Câmera do Rio de Janeiro, pois a norma pois a norma não
permitia antes dos 35 anos e ao menos 10 anos da primeira profissão. Exerceu este cargo com muito
amor, e apesar de sua pouca experiência, foi muito feliz na formação,
repetindo o estágio por mais outro período no mesmo Convento Santa Teresa
no Rio de Janeiro e depois, no Carmelo de Nazaré que fundou em Vitória
do Espírito Santo, exerceu por mais de dois anos esta mesma função. Quando iniciou a Fundação das
Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo, abraçou a formação das Noviças
durante vários anos a até hoje é assídua junto às Formadoras, participando
de perto dessa missão. DE EMBAIXADORA A FUNDADORA Um dia, após a Comunhão, ao
conversar com o Hóspede divino sobre o seu desejo de acertar com a Vontade
de Deus, ouviu uma voz interior como em voz humana esta frase: “Primeiro
o Carmelo.” Esta afirmação foi tão forte ao seu espírito que logo toda
dúvida foi dissipada como a fumaça pelo vento, e veio a paz serena ao
seu coração. As dificuldades foram sendo removidas e a fundação do Carmelo
de Nazaré tornou-se realidade um ano após, em 1981. Todas as dificuldades foram
caindo e obtida a Licença dos Superiores locais e de Roma, em poucos meses
– nove precisamente, ficou tudo pronto para partir e fundar o novo Carmelo. Na noite de 30 de setembro
de 1981, a Ir. Maria José deixava o Convento de Santa Teresa com mais
nove companheiras e duas amigas, chegando a Vitória na manhã do dia 01
de outubro, festa de Santa Teresinha do Menino Jesus, cheia de alegria
pelo cumprimento daquilo que considerava uma missão de Deus através do
pedido do Seu Bispo naquela tarde de abril de 1960. Pensava não voltar a sentir
outro apelo como antes, mas durou pouco a sua trégua. Tornou-se muito
conhecida no Carmelo de Nazaré, pois tinha um dom especial para consolar
pessoas marcadas pelo sofrimento e ajudar em casos de depressão, doenças
nervosas, dificuldades familiares e outras. Era grande a afluência das
pessoas para se comunicarem com a Irmã que rezava e aconselhava. Estas
visitas freqüentes começaram a dificultar a vida silenciosa e tranqüila
da comunidade. Aconselhando-se sempre com D. João e outros, finalmente
conseguiu estar com o Padre Geral da Ordem Carmelita, vindo de Roma em
visita ao Brasil, Frei Felipe Saëns di Baranda com muita bondade lhe disse:
A Irmã tem um carisma que é seu e não da comunidade. Carisma é para ser
colocado a serviço e não para enfeite. Se a comunidade não tem o mesmo
carisma e isto dificulta sua vida, peça uma licença e saia para fazer
uma experiência. Se der certo, fique, e se não der certo e vir que não
é isto o que Deus quer de você, volte ao seu Carmelo. O Carmelo é sua
casa, e mais ainda este. Mas vejo que Deus lhe pede o sacrifício de Abraão,
sacrificar o seu próprio filho, o Carmelo que você não só fundou mas idealizou
e sonhou durante toda a sua vida para vê-lo existir.” Com tal força, a
Irmã não duvidou mais e partiu para a realização daquilo que lhe parecia
difícil mas não impossível: fundar um novo ramo do Carmelo, um rebento
que lhe desse oportunidade de viver o seu carisma junto ao povo sofredor. À frente da Fundação do Carmelo
de Nazaré, parecia-lhe impossível abraçar outro tipo de vida, pois entregou-se
com todo amor e dedicação à recente fundação do Carmelo de Nazaré. De
relacionamento fácil e amistoso, dotada de muita perspicácia e penetração,
unindo isso a uma grande firmeza de caráter e exigência na perfeição,
a Irmã sempre foi muito procurada para aconselhamento e abertura do coração.
Isto atraiu muita gente ao Carmelo. Por este motivo procurou abrir
o seu coração com o Pe. Superior Geral da Ordem, foi aconselhada a pedir
uma licença para usar o dom de Deus fora da clausura, uma vez que o fluxo
de pessoas e a procura em grande número para aconselhamento contrariavam
a rigidez do Carmelo. Enfrentando algumas dificuldades,
não temeu os riscos e desafios para dedicar-se à sua nova missão, com
a consciência do dever cumprido com relação à recente Fundação do Carmelo
de Nazaré e à vivência de sua própria vocação. Tranqüila e serena, embora
sofrendo demais a separação, abraçou com ardor apostólico a iniciativa
de formar um novo grupo de religiosas com uma denominação e espírito carmelitano,
mas independente quanto ao governo. Dependendo exclusivamente do Sr. Arcebispo
de Vitória, foi sempre obediente e dócil, nada fazendo sem antes consultar
e dando sempre contas de sua conduta e dos acontecimentos relativos ao
seu trabalho na Comunidade e na Igreja Local, o que prova o grande e organizado
arquivo conservado sempre em duas cópias, bem como os livros de Tombo
e Atas. Foi
assim que, no dia 30 de julho de 1984, acompanhada pela Madre Priora e
as duas companheiras, foi levada pelo próprio Arcebispo até Nova Almeida,
onde nasceu esta família. O
que mais caracteriza sua vida é a confiança absoluta que tem em Deus como
Pai amoroso e providente. Costuma dizer que Deus é escandaloso e satisfaz
todos os seus desejos e até seus caprichos. É impressionante ver como
acontecem as coisas no tocante à parte material. Não tendo nada, nada
falta. Às vezes basta pensar em obter algo, e logo recebe de alguma forma
aquilo que desejou ou precisou para si ou para o bem comum. Basta ver
a casa, hoje com quatro andares, encontrada com ajuda, é verdade, mas
de forma quase que milagrosa. Não mede esforços e ocupa grande
parte do seu tempo para ouvir os sofredores e aconselhá-los nas suas dificuldades.
Daí nasce também o carisma e o espírito do novo grupo que está formando
com o nome de “Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo”. Saindo da clausura, sem experiência pastoral, foi levada por D. Silvestre para Nova Almeida onde a Mitra Arquidiocesana possui uma casa de bom tamanho e localização que facilita a vida de uma comunidade Religiosa. Ali, sem a presença de um Vigário, as coisas estavam todas por fazer. Sem catequese organizada, com uma liderança fraca e pequena, a Irmã se esforçou para fazer o máximo e conseguiu levar de volta o povo para a Igreja. Organizou a Catequese, aumentou as equipes de serviço formando um Conselho com membros de todas as equipes, preparou uma turma boa para Crisma (não havia há mais de 40 anos). Com a ajuda de pessoas influentes
fundou o Clube de mães para ajudar as mães carentes, em especial as mães
solteiras que são muitas à beira mar. Foi um tempo marcante em sua vida,
mas também um tempo de muita provação. EM SÃO JOSÉ DE MARUÍPESentindo a necessidade de buscar um espaço maior para a formação do grupo, o estudo e acompanhamento espiritual, pediu ao Sr. Arcebispo para mudarem para Vitória, a capital do Espírito Santo.Dedicou-se na Igreja local,
com entusiasmo e muito amor, trabalhando na Paróquia São José de Maruípe,
convidada pelo Pe. José Nabais, seu zeloso Pároco. Nesta paróquia, além
de fazer o serviço de secretaria três vezes na semana, somente à tarde,
começou o Grupo de Pastoral Vocacional onde trabalhou com zelo ardoroso
durante três anos. Deste grupo saíram vocacionados para outras Congregações
masculinas, e duas para as Carmelitas Mensageiras. Uma delas perseverou,
a Ir. Maria Aparecida Carvalho de Souza. Ocupou-se a Irmã com outras
equipes para as quais dava e continua a dar palestras e ensinos, sempre
muito proveitoso e apreciado. Para isto sempre procurou aperfeiçoar-se
fazendo cursos programados na Arquidiocese ou fora dela. Como membro do
Conselho paroquial, foi escolhida para representar o conselho no chamado
“Conselho de área” da Grande Vitória, lugar que ocupou durante dois anos,
participando na vida da Igreja, no Grande Conselho. Dedicou-se
também à Formação de Evangelizadores, à Pregação de Retiros e Oficinas
de Oração e Vida. Participou e formou Grupos de Intercessão com atendimento
pessoal dentro e fora da cidade. Desde 1986 participou com assiduidade
dos eventos da CRB Regional e mesmo Nacional. Fez o 1º PRÓ-FOCO, com seis
etapas de 15 dias cada. (Curso para Formadores na Vida Contemplativa,
e muitos outros). Ávida de conhecer sempre mais para dar o melhor, sempre
foi em busca de cursos, Retiros, encontros e levou também as Irmãs da
Comunidade para que recebessem uma sólida formação. Para isto procurou
também atualizar a Biblioteca conseguindo livros novos e formativos. A
comunhão com a Igreja e a participação na sua vida, era a sua grande preocupação,
como boa filha de Santa Teresa de Jesus que preferia morrer do que ir
contra a mínima orientação da Igreja. Certa
de que a Cruz é o melhor sinal para as obras de Deus, a Irmã Maria José
continua intrépida e confiante, esperando tudo só d’Ele que tudo sabe
e que sonda os corações. A aprovação merecida virá certamente. Fiel a
Deus, aos irmãos e à Igreja, ela tem certeza que a aprovação de Deus não
tardará, porque os frutos do trabalho evangelizador são abundantes. Dom
João Batista da Motta e Albuquerque, que dizia ser profética esta nova
fundação, certamente, lá na glória está intercedendo a Deus e esperando
ver raiar o dia em que esta obra chegue a espalhar-se como chuva de bênçãos
sobre toda a terra. UM SONHO REALIZADO O
amor à Igreja era tão grande que fez nascer nela o desejo de ir à Roma
e conhecer o Santo Padre e os lugares santos. Nos meses de Outubro e Novembro
de 1993 viajou para Roma e o Norte da Itália para encontrar parentes que
são vivos, cujos antecessores não migraram para o Brasil. Foi um presente
que do Pai que vendera as terras para ajudar os filhos enquanto está vivo. Em
Roma encontra-se na Anunciatura Apostólica com o Núncio D. Carlo Furno
que fora Núncio Apostólico no Brasil por muitos anos e que possibilitou
à Madre Fundadora um audiência com o Santo Padre. 1995
– fevereiro – A Madre Fundadora viajou para São Paulo a fim de levar a
Bauru - SP uma criança de São Domingos – ES, sua terra natal que deveria
fazer uma cirurgia de Fenda de Palato, num hospital que faria toda a cirurgia
sem despesas. Chovia
torrencialmente e a cortina d’água impedia totalmente a visibilidade da
estrada. Como estavam de carro pararam no acostamento para esperar a chuva
passar. Ao clarear, tornou-se visível uma placa verde indicando a estrada
para Valinhos. Com esta surpresa sentiu desejo de acompanhar a seta e
procurar onde morava Pe. Eduardo Dougherty que conhecia há muitos anos.
Chegou finalmente à Associação do Senhor Jesus e encontrou o Pe. Eduardo
entrando no carro, com viajem para São Paulo. Bondoso
como sempre, Pe. Eduardo sentou-se e disse: “Vou dar-lhe cinco minutos
porque estou de saída.” Em
poucas palavras a Madre abriu-lhe o coração, pois pesava sobre ela a responsabilidade
de encontrar um lugar para continuar a obra. Pe. Eduardo encaminhou-a
para D. Fernando através do Pe. Gilberto Delfina. No mesmo instante telefonou
ao Pe. Gilberto que também é Fundador de um Instituto na Diocese de Santo
Amaro. AS FILHAS FALAM DA MÃE O PERFIL DA MADRE FUNDADORA DEPOIMENTOS
DA COMUNIDADE SANTA TERESA – CONVENTO DO ESPÍRITO SANTO SÃO PAULO
– SP 1.
MADRE = MÃE Como Madre, assume plenamente
sua missão de mãe espiritual. É educadora incansável, formadora, incentivadora,
buscando sempre fazer crescer a capacidade humano-espiritual e individual
de cada uma, permitindo e incentivando as irmãs a estudar, fazendo cursos
religiosos e profissionalizantes. Pessoa equilibrada, que caminha
com os pés no chão, aberta ao novo, porém conservando o fundamental, para
que o nosso crescimento e fidelidade à Igreja, ao Santo Padre e ao Carisma
fundacional seja uma constante da nossa vida. É impressionante a paciência
e o amor com que trata as irmãs enfermas, bem como aquelas que passam
por alguma dificuldade espiritual ou vocacional, sendo presença da misericórdia
de Deus, amando-as, exortando-as e encorajando-as a perseverarem no amor
esponsal a Cristo e a fidelidade à Igreja. É zelosa pelo cultivo e vivência
dos Votos, em especial, a obediência e a pobreza. Lembra-nos que devemos
ser pobres por Cristo, porém preocupa-se sempre de não faltar o necessário
para as Irmãs, promovendo dias de espiritualidade, de lazer e recreação. Consciente da missão que o
Senhor lhe confiou, é fiel em primeiro lugar, dando-nos o exemplo a seguir. 2.
ESPIRITUALIDADE Podemos testemunhar a cada
instante seu ser orante, que transforma tudo em oração. É contemplativa,
vendo e fazendo-nos ver Deus em cada circunstância, o que a leva a ser
constantemente recolhida, mesmo em meio do tumulto de um trânsito turbulento,
numa cidade agitada como São Paulo. Atende a todos que lhe pedem,
numa doação total de si, mesmo que seja uma breve oração. Está sempre atenta às necessidades
espirituais de quem se aproxima dela, sem fazer distinção de pessoa, dando
uma palavra de amor, conforto, bem como uma palavra de sabedoria e de
ciência. Agraciada pelos dons do Espírito
Santo, não os guarda para si, mas coloca-os sem reserva a serviço da Igreja,
da Comunidade, do povo de Deus e da obra que o Senhor lhe confiou – as
Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo. É cheia do Espírito de piedade,
transparecendo sempre seu profundo amor a Jesus Eucarístico, a Santíssima
Trindade, a Nossa Senhora e a São José, bem como outros santos do Carmelo
e da Igreja. 3.
FUNDADORA Sempre dócil à vontade de Deus,
parte como Abraão, na fé, para a terra que o Senhor lhe há de mostrar. Despojada de si, determinada,
mulher de fibra e batalhadora não foge das situações difíceis. Como uma casa construída sobre
a rocha, nada a abala. Por amor a Cristo e sua missão
ela corre, voa, não se detém, sabendo ofertar ao Senhor as incompreensões,
o cansaço, e até as perseguições que nunca faltam no caminho de quem se
coloca a serviço do Senhor. Sem medir esforços, apesar
de todas as responsabilidades que carrega nos ombros, ajuda as irmãs em
todas as tarefas da casa, sem excessão, sempre com determinação e alegria,
advertindo-as e aconselhando-as a fazer tudo com a maior perfeição, por
amor a Cristo, lembrando-nos o que diz nosso Pai São João da Cruz: “Onde
não tem amor, põe amor e colherás amor.” A prova de tudo isto está em
suas mãos calejadas e no coração aberto. No fim do dia ainda se dispõe
a acolher com amor e fé qualquer irmã que se sinta enfraquecida, reanimando
suas forças e trazendo-a novamente junto à cristalina fonte do coração
de Jesus. Fica feliz quando recebe cartas
com pedidos de novas fundações. E cada casa nova que é aberta ela o faz
com um carinho especial como se fosse a primeira, como faz a mãe que espera
um filho. 4.
EVANGELIZADORA Como evangelizadora é incansável,
não mede esforços, tempo, distâncias ou enfermidades. Nada a detém para
que o Evangelho seja levado a todos. Por inúmeras vezes viajou a
outros Estados distantes para pregar retiros e, em várias destas ocasiões
foi com a saúde debilitada (pé engessado, pneumonia, hipertensão, etc). Evangeliza em todos os lugares
onde o Senhor a chama sem fazer distinção ou colocar dificuldades, desde
a favela, a periferia, grandes ou pequenas cidades, grupos de oração,
seminários de vida, encontros de lideranças, vida religiosa, estádios,
ginásios etc, não buscando a quantidade de pessoas ou o nível social.
Coloca o mesmo amor e empenho para que Cristo seja conhecido e amado por
todos. O Senhor tem confirmado seu
trabalho de evangelizadora através de sinais e prodígios que o povo de
Deus testemunha e as conversões que acontecem. Sem perder tempo ainda
evangeliza através dos meios de comunicação: rádio, televisão, livros
e cassetes. Incentiva o trabalho das irmãs na televisão preparando ela mesma assuntos de programas e roupas para a evangelização em teatro. Sua pregação é ardorosa, segura,
baseada na doutrina da Igreja, na Palavra de Deus e nos documentos da
Igreja, assim como os santos do Carmelo e outros fundamentos. Assinado: Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo Convento do Espírito Santo São Paulo – Santo Amaro - 28/10/2000 COMUNIDADE
SÃO JOSÉ (Arquidiocese de CAMPINAS) VALINHOS –
SP 1.
MADRE = MÃE Cuida de cada uma das irmãs
como filhas do coração, não geradas do seu físico, como ela gosta de dizer.
Não exclui ninguém, não distingue uma das outras, mas trata todas com
igual amor. Conhece profundamente cada uma e sabe do que cada uma precisa.
Por mais ocupada que esteja, encontra tempo para dar atenção especial
a cada irmã. Acolhe todas sem olhar cor, situação financeira, escolaridade
etc. Aliás, costuma dizer que tem uma preferência especial pelas negras... É capaz de defender cada filha em todas as circunstâncias,
como diz o provérbio, com unhas e dentes. É sincera. Elogia quando tem que elogiar e corrige com amor
e até com bravura quando tem que corrigir. Preocupa-se com as pequenas
coisas e se alguém precisa de algo, ela não mede esforços para fazer.
Está sempre alegre, é espontânea, tem um coração de criança, um coração
misericordioso como o de Jesus, por maior que sejam as faltas está sempre
pronta a perdoar, acolhedora como o Pai do filho pródigo. É com ela que aprendemos a viver, pois é uma pessoa dotada de todos os dons. Cultiva os dons da graça e põe a serviço também os da natureza. Ela sempre nos ensinou a fazer os serviços da casa: bordar, costurar, lavar, passar, fazer salgados, doces, bolos, tudo com sua mão de mãe. 2.
ESPIRITUALIDADE O que mais se destaca na sua espiritualidade é o amor por
Jesus Eucarístico e o seu cuidado com as coisas Dele. Experimentando um
pedido interior estabeleceu, de acordo com as irmãs e a aprovação do nosso
Bispo Diocesano, a Adoração Perpétua (dia e noite). Está sempre em constante vigilância. Sua vida é uma oração
contínua. É fiel nas pequenas coisas. Faz com que tudo o que for para
Jesus seja o melhor, desde a flor da Capela até a toalha do Altar mais
bonita. Sua sabedoria é infusa, fruto de muita intimidade com Jesus. Pessoa totalmente aberta à ação do Espírito Santo. Tem um
coração silencioso para ouvir a voz de Deus em todas as situações. Ama o Carmelo e ensina a todas nós a amá-lo. 3.
FUNDADORA A exemplo de Santa Teresa d’Ávila é mulher corajosa, com determinada
determinação. É mulher de garra, de fé, de amor autêntico e de zelo pela
Igreja. É capaz de dar a vida para que a Igreja cresça. Enfrenta o sofrimento com confiança na promessa de Deus a
quem recorre sempre acreditando na Sua providência. É humilde, e não permite que a elogiem demais. Quem olha para
ela vê o Cristo. Como Santa Teresa foi fraca de saúde, também sua saúde é frágil.
As muitas preocupações não impedem que ela conduza esta obra com muito
zelo. Como Fundadora quer que a obra cresça e se espalhe, por isso
zela pela formação das irmãs. É mesmo exigente em matéria de formação.
Confia nos planos de Deus, desde a Fundação em Vitória, onde sua fé foi
provada a fogo e essa confiança se estende até nossos dias. É perseverante. Não deixa nada pela metade, vai até o fim,
custe o que custar. É autêntica e, diria transparente. 4.
EVANGELIZADORA Não mede esforços para que a Palavra de Deus seja semeada.
Dá tudo de si para que o nome de Jesus seja proclamado. É capaz de sair para pregar retiros mesmo doente, com as forças
físicas limitadas, mas confiante na força de Deus e na Sua graça, que
é maior que qualquer limitação humana. É “profeta que anuncia e denuncia”. Anuncia a Boa-Nova de
Jesus a todos aqueles que a procuram e onde pode. Denuncia o erro, a injustiça
e o pecado sem temor. Fala com autoridade em nome de Jesus e não se atemoriza perante
situações difíceis. Não busca ganhar sua vida. Muito pelo contrário, dá sua vida
pelo outro. Preocupa-se com o homem no seu ser total. É pessoa sempre disponível, aberta às necessidades do irmão.
Deixa de cuidar de si para cuidar do outro. Aproveita qualquer situação para evangelizar. Contou-nos que estando na Praça de São Pedro por várias vezes
observou que os peregrinos e turistas fixavam-se apenas na parte histórica
de Roma. Desejou, ardentemente, saber falar todas as línguas e ter um
microfone com aparelho de som para falar a todo aquele povo sobre o amor
de Deus e a santidade que Ele espera de todos nós. Assinado: Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo Comunidade São José Valinhos – 28/10/2000 COMUNIDADE
MENINO JESUS (Diocese de CAMPO LIMPO) EMBU DAS ARTES
– SP 1.
MADRE = MÃE Nossa Madre revela-se uma pessoa sempre forte e determinada, sem demonstrar fraqueza diante das dificuldades, ao mesmo tempo transmite segurança e inspira-nos confiança. Nossa Madre é sinal da presença de Deus em nosso meio. Podemos
sentir isso das mais variadas formas. É uma pessoa carismática, serena, alegre, com um coração manso
e misericordioso, dotada de uma alegria toda sobrenatural. Podemos afirmar isso quando consideramos as dificuldades que
enfrenta e os sofrimentos que suporta. Está sempre pronta a ajudar cada irmã em suas necessidades
com grande caridade e paciência, assim como faz uma mãe que ama o filho
e deseja o seu bem. No que se refere ao modo de instruir as irmãs, ensina mais
com o exemplo do que com as palavras. Tem grandíssimo zelo pelas coisas de Deus e pela observância
regular, a fim de que todas cumpramos os nossos deveres com amor. Para isso não poupa energia, uma vez que age com determinação. Assinado:
Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo
Comunidade Menino Jesus Embu das Artes - 26/10/2000 CASA DE FORMAÇÃO
SÃO JOÃO DA CRUZ (Noviciado e Casa Geral) SÃO PAULO
– SANTO AMARO – SP 1.
MADRE = MÃE Podemos ver em nossa Madre o exemplo de uma mulher mística, assim como Santa Teresa. Despojada, sempre colocando-se em segundo plano, visando a necessidade do próximo e da Comunidade. Determinada, orante, pessoa de coragem, pulso firme e uma
fé inabalável que se entrega plenamente nas mãos de Deus. Uma religiosa que através de sua fidelidade foi capaz de começar
tudo do zero para fazer a vontade de Deus, sempre seguindo os Seus mandamentos
e a doutrina da Igreja. Caminhando em unidade com a Igreja e em obediência ao Santo
Padre, o Papa, com o coração disponível e aberto à ação do Espírito Santo,
entregando-se como instrumento de salvação para todos, onde a alegria
de servir a Deus e faz presente. É exemplo e motivo de admiração para muitos e até mesmo para
pessoas do Clero. Com o seu amor de mãe nos acolhe, nos forma e ensina
todas as suas filhas a viverem segundo o projeto de Deus. Soube e sabe sempre aproveitar todas as oportunidades, mesmo
as de dificuldade para crescer espiritualmente, aproveitando todas as
formas de oração. Assinado: Irmãs Carmelitas Mensageiras do Espírito Santo
da Casa de Formação São João da Cruz São Paulo – Santo Amaro – 27/10/2000 COMUNIDADE
SANTA TERESINHA ROMA - ITÁLIA 1.
MADRE = MÃE Abrindo mão da sua própria vida, dos seus próprios desejos e vontades, Madre Maria José do Espírito Santo segue fielmente a missão a qual lhe foi confiada: missão de mãe, de fundadora, de amiga, de superiora, de irmã, de formadora, de santa! Como Fundadora é aquela que incentiva todas a lutar pela vida e sustento da Comunidade. Como Superiora promove o crescimento de todas, ajudando a superar todas as dificuldades espirituais, com o coração repleto da misericórdia de Deus. Como mãe realiza o seu papel no sentido pleno da palavra, pois se interessa pelas mínimas coisas, passando horas e horas escutando os anseios e dificuldades de cada uma. Podemos colocar os três papéis de mãe, fundadora e superiora juntos, porque pelo menos na pessoa da Me. Maria José essas três funções não se distinguem. Ela nunca foi fundadora e superiora sem ser mãe. Como uma verdadeira superiora trata todas como se fossem uma, embora sendo únicas. Sabe colocar-se no lugar de cada uma, fazendo-nos rir nos momentos mais difíceis. Como Fundadora não é superior a nenhuma. É presente em seu coração a cena em que Jesus lava os pés dos discípulos. O simples fato de ficar à meia-noite arrumando uma cozinha para que as irmãs pudessem descansar, ou fazer o jantar enquanto as irmãs rezavam, são coisas não muito comuns hoje em dia. Sem falar de todas as vezes que se levanta de noite para ver se a febre de uma irmã já tinha passado, ou olhar as janelas se estão abertas quando chove a noite. Na complexidade dessas três palavras: mãe, superiora e fundadora, nasce o perfil da Me. Maria José, que somado com o de Esposa de Cristo torna-se para nós um contínuo e perfeito doar-se.
2.
ESPIRITUALIDADE Como verdadeira alma de oração,
transmite em todos os momentos que tudo o que faz é por Deus. Podemos dizer que sua vida
é uma contínua oração, pois não vive atrás só de tempos de oração, mas
seu agir é uma oração, um contínuo exercício da presença de Deus. Mas,
nem por isso é ausente dos momentos de oração, pois é fiel nas horas canônicas
e nos tempos litúrgicos, incentivando a todas e todos com quem tem contato
a viver assim. Através de sua oração nasce
o desejo de fazer da vontade de Deus a sua própria vontade, realizar com
grande entusiasmo e paixão, sem medir esforços aquilo que encontramos
no Evangelho e que também encontramos no seu coração: “o Espírito do Senhor
repousa sobre mim...”. Isso faz através de retiros, grupos de oração,
pastorais, orando e evangelizando os que nacessitam, respondendo aos apelos
da Igreja. Assinado: Irmãs Carmelitas Mensageiras da Comunidade
de Roma 29/10/2000 |